O Brasil e brasileiros, reconhecemos o expressivo valor dos imigrantes italianos. Representaram na colonização brasileira, expressiva participação. Fundaram importantes cidades e têm participações decisivas nas criações de todos os estados que compõe a região sul brasileira.
Muito contribuiram na cultura cafeeira, exatamente quando ela sofria grave carência de mão de obra provocada pelo fim da escravidão dos povos africanos por volta de 1888. Muitos destes, usando das suas inteligências, sacrificaram-se, economizaram, e conseguiram se tornar fazendeiros.
Na agricultura, uma das suas maiores competências, trouxeram modernizações e muitas inovações técnicas como a mecanização. Introduziram o cultivo de uvas, e com elas, a industrialização de vinhos, hoje, mercê das suas qualidades superiores, competem com os vinhos de qualidade internacional.
No calendário festivo brasileiro, os Festivais da Uva guardam lugar de destaque. A Bahia e Pernanbuco hoje já figuram significativamente como estados produtores, cujas uvas, cultivadas às margens do Rio São Francisco, além da maior produtividade também são consideradas como de melhores qualidades que as produzidas originalmente no Sul do País.
Na industria, igualmente não foi diferente. Célebres familias como as Matarazzo e Scarpa são marcas importantissimas no rol dos maiores empresários industriais deste País.
Na mesa nossa de cada dia, nos lambusamos com as lasanhas, pizzas, polentas, espaguetes e macarronadas italianas. Até mesmo o pão, que tem nos árabes, egípcios e chineses, a discussão de quem e qual deles foi o seu inventor por volta de 10.000 anos A.C, tem nos italianos, importante contribuição na sua história e desenvolvimento. Foi em Roma, 500 A.C a criação da primeira escola para padeiros.
Até mesmo na nossa Seleção Brasileira de Futebol, bi-campeã em 1962, tivemos o reforço de Mazzola, italiano naturalizado brasileiro, autor de gols que possibilitaram ao nosso esquadrão importantes conquistas.
Corre nas veias de muitos de nós, brasileiros da gema, o quente e guerreiro sangue italiano. Da região das Calábrias, norte da Itália partiram os BARBERINOS, que, como tantos outros patricios italianos, com tristeza, lágrimas nos olhos, coração partido em mil, foram obrigados a sair da sua Terra Mãe, suas Pátrias sagradas, fugindo das severíssimas crises economicas. Outros das guerras, na crença de que no Novo Mundo das Américas, encontrariam suas novas Pátrias, suas”Terras Prometidas”, “Édens” ou”Paraísos Terrestres”. Não é que o sonho se tornou realidade!
Diferentemente dos italianos que preferiram os climas frios do Sul do Brasil, os BARBERINOS migraram para o nordeste. Os mais pobres, deram uma parada em Rui Barbosa-Ba. Daí alguns desceram pra Jequié, posteriormente para Aiquara-Ba. Foi ai que o meu pai, músico da Filarmônica Alberto Pinto, conheceu a” bambina ” da minha mãe, descendente dos BARBERINOS, casou-se com ela, trouxe-a para Ipiaú-Ba, e foi aqui que construiram o ninho onde me fabricaram.
Sessenta e tres anos após, aqui estou a relembrar um pouquinho da história da imigração dos italianos, que aqui não se encerra pois, fiz filhos, dentro deles fervilham sangue BARBERINO que por certo, em DEUS, continuarão escrevendo mais páginas da história dessa inquieta humanidade que, movidas pelas desculpas de crises e guerras, passeiam pelo mundo cumprindo a recomendação bíblica de:” CRESCEI E MULTIPLICAI “! Lembram-se da Familia Real Portuguesa?
Nessa trilha bíblica, em sentido contrário, seguiram os BARBERINOS mais ilustres para as regiões de Jacobina e proximidades, atraidos pelas riquezas que aquela região produzia e seduzia: O OURO. Lá, jogaram âncora, todos bem sucedidos, tornaram-se prefeitos, juizes e emprestam até hoje ao torrão baiano, importantes contribuições.
BARBERINOS DE LÁ, quanto BARBERINOS DE CÁ, participamos da constituição dessa miscigenação encantadora chamada BAIANOS e BRASILEIROS, torcedores desse lindo País, PÁTRIA COSMOPOLITA de todos os povos irrequietos deste mundão do meu DEUS.
Comunidade Italiana: AQUELE ABRAÇO! Vocês me inspiraram essa VIAGEM DE VOLTA ÀS MINHAS ORÍGENS que em língua africana chama-se: KUNTA KUNTÊ.
AXÉ MEU PAI! Axé também é africano. Não é atoa que me considero um ÍNDIO-PRETO-ITALIANO. Salve-Salve MAMA AFRICA e MADRE ITÁLIA. Aceite a minha benção MAINHA Izabel BARBERINO, lá no Céu, sentadinha nos bancos das Escolas de Evoluções Espirituais. Amém!
por Egildo Barberino Matos