“A Fórmula” premiada do ipiauense Henrique Filho

Graduado em Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV na UESC, Henrique Filho sempre soube o que queria seguir na vida. Contar histórias, provocar e emocionar as pessoas através da ficção. Desde então, cresceu até que pode  estudar produções audiovisuais. Daí surgiu o seu primeiro trabalho “A Formula” que o ipiauense Henrique conta alguns segredos para os internautas do Informe..

Por Marcel Hohlenwerger

JI- COMO SURGIU A IDÉIA DE PRODUZIR UMA FICÇÃO?

Na verdade, desde pequeno que meu interesse maior é na ficção. Gosto muito de contar histórias fictícias (sejam elas adaptadas, ou não) e das possibilidades de linguagens e estéticas que podemos explorar nessas histórias. Então a idéia de se produzir uma ficção foi um desejo completamente natural.

JI – PARA VOCÊ QUAIS OS MAIORES DESAFIOS DA PRODUÇÃO DESTE GÊNERO CINEMATOGRÁFICO NO BRASIL?

Acredito que seja realizar uma obra com uma linguagem que satisfaça o diretor e que atraia o público ao mesmo tempo, além de, obviamente, contar uma história capaz de prender, emocionar e provocar reflexões no espectador. Que não seja algo banal, mas que possa ser marcante de alguma forma, provocar sentimentos.

JI- COMO ENCARA ESSA JORNADA?

Acho que a única certeza que posso dar é que isso é o que eu quero para minha vida. Então estou disposto a correr atrás e conquistar meu espaço. Quero estudar mais sobre o cinema e quero criar e produzir. Idéia eu sei que não falta, nem vontade.

JI –  O QUE É O FILME “A FÓRMULA” ? 

“A fórmula” é um trabalho de Conclusão de Curso realizado por mim, Patrício Teixeira e Lívia Souza. Foi uma produção independente de baixíssimo orçamento, mas que com muita batalha, conquistamos muitas coisas que estavam muito além do que esperávamos. O filme tem um elenco profissional e maravilhoso, contando com atores como Caco Monteiro, Ciro Sales, Luisa Proserpio, Carlos Betão, e com a participação especial de Vladimir Brichta. Desenvolver essa história foi um trabalho complexo para nós, então fizemos um estudo sobre dramaturgia para o desenvolvimento do roteiro. Resumindo, o curta é uma brincadeira com as linguagens audiovisuais (cinema, documentário, novela, publicidade, telejornal, talk show, sitcom, etc) utilizando excessivamente a metalinguagem. Criamos um mistério em relação a uma fórmula secreta, encontrada pelo protagonista e propomos uma viagem de linguagens dentro da aventura de decifrar esta fórmula com o Herói da história. Acho um curta bastante interessante e uma possibilidade ótima para se discutir as fórmulas existentes na produção audiovisual do Brasil.

JI –  COMO FOI PARA VOCÊ PRODUZIR O FILME?

Foi uma experiência única. Aprendi muito com a produção desse curta, justamente pela quantidade de dificuldades que tivemos que enfrentar no percurso. E foram muitas mesmo! Isso me fez ser um pouco mais seguro e confiante na produção audiovisual. E, acima de tudo, conseguimos provar que nós somos capazes de produzir algo de qualidade, mesmo sem dinheiro e com muita limitação técnica. No final das contas, eu só tenho a agradecer a toda equipe que participou desse processo, que fizeram tudo com muito carinho e apoio.  Mesmo sem receber cachê. “A fórmula” com certeza uma escola para todos nós.

JI-  FOI FÁCIL A FORMAÇÃO DO ELENCO?

Que nada! (risos) Inicialmente pensamos em formar um elenco todo só da região (até mesmo, talvez, com não-atores). Como o projeto foi crescendo cada vez mais, decidimos correr atrás de alguns atores profissionais (tanto da região, como também de Salvador). E aí fomos entrando em contato com os atores. O primeiro confirmado foi Caco Monteiro, um ator excelente que ajudou muito a abrir portas para outros atores até se interessarem na produção. Depois entramos em contato com Ciro, que também se interessou. Para o papel do vilão, eu ja estava pensando em Carlos Betão. E aí fomos entrando em contato e ele também topou participar. A mocinha quem iria fazer era uma atriz de Itabuna, mas ela quebrou a perna poucos dias antes das gravações e a substituímos por Luisa Proserpio, que também estava interessada. E Luisa é realmente uma atriz maravilhosa. Foi uma sensação única trabalhar com um elenco tão bom como foi. Ficávamos encantados ao ver Betão interpretando o vilão, Ciro como o herói, Caco como o famoso roteirista Ebert Lemos e Luisa como a mocinha. Foi um time de altíssima qualidade. E aí fomos fechando com os demais atores, como Valderez Teixeira, Eva Lima, Ramon Vane, entre outros.

JI – COMO SE DEU A PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE VLADIMIR BRICHTA  NO CURTA?

Sim. Tivemos a participação especial do ator Vladimir Brichta no curta. Foi surreal. Não necessariamente por ele ser global e famoso, mas por admirarmos o trabalho dele há um bom tempo. Ele é um ator maravilhoso e ja me diverti muito com os personagens que ele ja interpretou tanto na TV quanto no Cinema. Ele tem um timing perfeito para comédia. E aí quando o conheci para fazer a proposta dele interpretar um personagem em “A fórmula”, fiquei surpreso ao saber que ele ja tinha ouvido falar da produção do curta e ja conhecia a história. Acredito que foi a própria Luisa e Ciro que comentaram com ele. E aí fiz a proposta e ele topou participar na mesma hora. Fizemos a filmagem da cena dele em Itacaré, antes de um evento de cinema que estava acontecendo lá. E quem nos apresentou foi uma amiga dele, a Juliana Machado. Ele é uma pessoa muito bacana e educada. Nos tratou super bem e participou com boa disposição. A gravação foi muito rápida, conversamos um pouco sobre a história e o personagem, ele decorou o texto em um minuto (enquanto montamos o equipamento) e gravamos. Espero que possa trabalhar com ele novamente. Ele assistiu o curta com a família e me disse por e-mail que gostou muito do resultado.

JI – COMO TEM SIDO A REPERCUSSÃO DO FILME?

Ficamos extasiados quando ganhamos (inesperadamente) o Troféu Tatu de Prata “Prêmio Revelação” com o curta, na 38º Jornada Internacional de Cinema da Bahia. E isso foi maravilhoso! Em seguida, o curta participou da 11ª Goiânia Mostra Curtas também, na Mostra Municípios. Fizemos também uma exibição de lançamento no ano passado em Itabuna, no Centro de cultura Adonias Filho que deu muita gente. Exibimos em um cineclube em Itacaré que rendeu uma discussão bem legal. Também na UNIME para os alunos de Comunicação de lá. Enfim, aos poucos estão rolando umas exibições bem interessantes. Pretendo levar o curta e exibi-lo em Ipiaú ainda e neste ano vou inscrevê-lo em mais alguns festivais, vou tentar exibi-lo em alguma TV e, daqui a um tempo, pretendo disponibiliza-lo na internet.

JI – QUAL FOI O MAIOR APRENDIZADO QUE A PRODUÇÃO DO FILME TROUXE PARA A SUA VIDA?

Com força e determinação sou capaz de alcançar meus objetivos, incluindo aqueles que ninguém acreditava que eu conseguiria, nem eu mesmo. Não posso e nem quero parar.

Mensagem do Henrique

O site do curta é www.aformulacurta.com.br, lá tem diversas notícias sobre o curta, caso alguém tenha interesse de acompanhar. Quem tiver interesse de exibir o curta, ou em adquirir um DVD, entre em contato conosco. No próprio site tem tod