Category Archives: COLUNISTAS

Márcio Martins: Declaração desespera aliados do prefeito

Marcio Martins

A declaração do presidente da Câmara de Vereadores de Ipiaú, Raimundo Menezes, sobre as eleições municipais, movimentou os bastidores da politica e deixou muita gente desesperada. Noticias dão conta de que a imprensa que defende o prefeito Deraldino ficou atônita, pois apostava numa briga de Raimundo para ser o candidato de Mendonça de qualquer jeito. Vale a pena salientar que o vereador somente afirmou que gostaria de ser o vice de Maria das Graças, esposa de José Mendonça. Por outro lado, o próprio José Mendonça tem afirmado e garantido que sua esposa não será a candidata, mas nem mesmo isso tem tirado o sono dos aliados do prefeito Deraldino Araújo.

Em Ipiaú já há manifestações no sentido de que existe uma indecisão na candidatura da oposição, o que na verdade não existe, pois a declaração de Raimundo Menezes apenas demonstrou que o presidente da Câmara está totalmente desprovido de vaidade pessoal e que pode abrir mão de uma candidatura, desde que o grupo entenda que exista um nome capaz de unir os grupos políticos em torno de nome de consenso.

Márcio Martins

Samuel Celestino: Precaução para a paz

samuel_celestino_abi(1)

O hábito de se aproveitar o calendário para tentar resolver questões de Estado é tão antigo quanto a política, que nasceu com o aparecimento do homem no planeta, já na etapa do homo sapiens. Ganhou forma na antiga Grécia que hoje atravessa um período de profundas dificuldades econômicas. No Brasil, períodos como o do Carnaval e da Semana Santa, especialmente esses dois, sempre foram usados para resolver conflitos de ordem política, demitindo-se e se nomeado. Tais períodos exercem a função de biombo temporal de modo a evitar maior repercussão na opinião pública.

O governo da Bahia tem muito que refletir neste Carnaval marcado por dificuldades, a partir de preocupações acentuadas pelo motim dos policiais militares que gerou dúvidas sobre o êxito da festa, que perdeu, em muito do seu brilho e motivou prejuízos econômicos. Tudo leva a crer que teremos como acontece, uma festa de paz. Apenas com problemas que surgem quando se trata de policiar multidões. Ainda mais quando o uso de bebidas alcoólicas é disseminado.

As reflexões do governo devem ser dirigidas para os erros cometidos pelos dois lados, especialmente os amotinados e pelo comportamento inadequado da corporação. O governador Wagner lamentou em coletiva, a ausência de uma corregedoria na PM que realize investigações e cumpra a  missão de coibir erros, a partir dos atos administrativos e punitivos de que dispõe. Ele não citou, mas é óbvio que o setor da inteligência, em que muito se apostava para se antecipar movimentações conturbatórias da tropa e evitar ações de bandidos, especialmente reunidos em quadrilhas.

Normalmente, sempre vazam informações que facilitam abortar o planejamento de crimes. Esse processo deu certo quando os órgãos de segurança do aparelho policial baiano passaram a se antecipar às ações de assaltos a bancos e de seqüestros. Diminuindo-os radicalmente. Depois, tais aparelhos entraram em descontrole, senão inércia, como se pode observar neste episódio que projetou uma imagem negativa da Bahia para o Brasil, reproduzida em jornais de diversos países.

O calendário (normalmente poupam-se os festejos natalinos) sempre foi – como dito na abertura desta análise – propício à tomada de decisões de sorte a mudar o curso dos fatos. Coincidentemente, um exemplo de ações como tais, que tiram acontecimentos de foco para esfriá-los, está presente em diversos artigos por mim publicados na minha trajetória jornalística. Em 1984, por exemplo, estava no auge o movimento das diretas-já, que viria a cair no Congresso, ainda controlado pela ditadura por, se a memória não me falha, meros 22 votos.

Nesse comentário de 84 anotei: “Uma alta fonte pedessista premuniu o esvaziamento da campanha em favor  das eleições diretas logo após o Carnaval. Os festejos funcionariam como uma válvula para arrefecer o ímpeto avassalador da mobilização nacional e seriam utilizados pela oposição com este objetivo. O raciocínio era o de que, depois que as Forças Armadas voltaram a se manifestar como vertente do poder revolucionário, na reunião de Figueiredo com os presidenciáveis do seu partido, restaria à oposição encontrar uma fórmula para realizar uma campanha de desmobilização. A ocasião propícia, por motivos óbvios, seria o Carnaval, que mascararia o esvaziamento.” Continuei: “Esta previsão não dá, até aqui, elementos que indiquem a possibilidade de que seja concretizada. Pelo contrário. A campanha das diretas aumentou de ritmo depois da reunião dos presidenciáveis. Oferece claros sintomas de que é um bloco que não se recolherá com as cinzas da quarta-feira. Do jeito que vai ocupará, sem jejum, os dias da quaresma até a votação final da Emenda Dante de Oliveira, na primeira quinzena de abril.”

O período ficou depois comprovado, foi utilizado para um refluxo do belo movimento cívico que, vitorioso, derrubaria a ditadura. De qualquer sorte, o regime militar acabou desaparecendo, por morte natural, ainda como conseqüência do movimento das diretas-já, quando Tancredo Neves resolveu detonar a ditadura com suas próprias regras: fez o enfrentamento o no Colégio Eleitoral, vencendo com votos indiretos.

Retornando ao Carnaval de agora, que começa logo mais, o governador Jaques Wagner, na ausência de um setor de inteligência confiável, pelo sim, pelo não, resolveu levar seu chapéu na mão. Para que não haja problemas insuperáveis depois, corretamente desconfia da PM. Pediu às forças nacionais de segurança, o Exército, que permaneçam em Salvador até o final da festa. Assim, engessa qualquer possibilidade de levante de tropas ressentidas com a derrota do amotinamento. Se acontecer, o Carnaval continuará na sua esperada tranqüilidade. Optou, como reforço, por uma ação preventiva, já que não pode adotá-la antes, quando a Bahia ofereceu notícias que a apequenou diante do País e aterrorizou a sua população. O hábito de se aproveitar o calendário para tentar resolver questões de Estado é tão antigo quanto a política, que nasceu com o aparecimento do homem no planeta, já na etapa do homo sapiens. Ganhou forma na antiga Grécia que hoje atravessa um período de profundas dificuldades econômicas. No Brasil, períodos como o do Carnaval e da Semana Santa, especialmente esses dois, sempre foram usados para resolver conflitos de ordem política, demitindo-se e se nomeado. Tais períodos exercem a função de biombo temporal de modo a evitar maior repercussão na opinião pública.

O governo da Bahia tem muito que refletir neste Carnaval marcado por dificuldades, a partir de preocupações acentuadas pelo motim dos policiais militares que gerou dúvidas sobre o êxito da festa, que perdeu, em muito do seu brilho e motivou prejuízos econômicos. Tudo leva a crer que teremos como acontece, uma festa de paz. Apenas com problemas que surgem quando se trata de policiar multidões. Ainda mais quando o uso de bebidas alcoólicas é disseminado.

As reflexões do governo devem ser dirigidas para os erros cometidos pelos dois lados, especialmente os amotinados e pelo comportamento inadequado da corporação. O governador Wagner lamentou em coletiva, a ausência de uma corregedoria na PM que realize investigações e cumpra a  missão de coibir erros, a partir dos atos administrativos e punitivos de que dispõe. Ele não citou, mas é óbvio que o setor da inteligência, em que muito se apostava para se antecipar movimentações conturbatórias da tropa e evitar ações de bandidos, especialmente reunidos em quadrilhas.

Normalmente, sempre vazam informações que facilitam abortar o planejamento de crimes. Esse processo deu certo quando os órgãos de segurança do aparelho policial baiano passaram a se antecipar às ações de assaltos a bancos e de seqüestros. Diminuindo-os radicalmente. Depois, tais aparelhos entraram em descontrole, senão inércia, como se pode observar neste episódio que projetou uma imagem negativa da Bahia para o Brasil, reproduzida em jornais de diversos países.

O calendário (normalmente poupam-se os festejos natalinos) sempre foi – como dito na abertura desta análise – propício à tomada de decisões de sorte a mudar o curso dos fatos. Coincidentemente, um exemplo de ações como tais, que tiram acontecimentos de foco para esfriá-los, está presente em diversos artigos por mim publicados na minha trajetória jornalística. Em 1984, por exemplo, estava no auge o movimento das diretas-já, que viria a cair no Congresso, ainda controlado pela ditadura por, se a memória não me falha, meros 22 votos.

Nesse comentário de 84 anotei: “Uma alta fonte pedessista premuniu o esvaziamento da campanha em favor  das eleições diretas logo após o Carnaval. Os festejos funcionariam como uma válvula para arrefecer o ímpeto avassalador da mobilização nacional e seriam utilizados pela oposição com este objetivo. O raciocínio era o de que, depois que as Forças Armadas voltaram a se manifestar como vertente do poder revolucionário, na reunião de Figueiredo com os presidenciáveis do seu partido, restaria à oposição encontrar uma fórmula para realizar uma campanha de desmobilização. A ocasião propícia, por motivos óbvios, seria o Carnaval, que mascararia o esvaziamento.” Continuei: “Esta previsão não dá, até aqui, elementos que indiquem a possibilidade de que seja concretizada. Pelo contrário. A campanha das diretas aumentou de ritmo depois da reunião dos presidenciáveis. Oferece claros sintomas de que é um bloco que não se recolherá com as cinzas da quarta-feira. Do jeito que vai ocupará, sem jejum, os dias da quaresma até a votação final da Emenda Dante de Oliveira, na primeira quinzena de abril.”

O período ficou depois comprovado, foi utilizado para um refluxo do belo movimento cívico que, vitorioso, derrubaria a ditadura. De qualquer sorte, o regime militar acabou desaparecendo, por morte natural, ainda como conseqüência do movimento das diretas-já, quando Tancredo Neves resolveu detonar a ditadura com suas próprias regras: fez o enfrentamento o no Colégio Eleitoral, vencendo com votos indiretos.

Retornando ao Carnaval de agora, que começa logo mais, o governador Jaques Wagner, na ausência de um setor de inteligência confiável, pelo sim, pelo não, resolveu levar seu chapéu na mão. Para que não haja problemas insuperáveis depois, corretamente desconfia da PM. Pediu às forças nacionais de segurança, o Exército, que permaneçam em Salvador até o final da festa. Assim, engessa qualquer possibilidade de levante de tropas ressentidas com a derrota do amotinamento. Se acontecer, o Carnaval continuará na sua esperada tranqüilidade. Optou, como reforço, por uma ação preventiva, já que não pode adotá-la antes, quando a Bahia ofereceu notícias que a apequenou diante do País e aterrorizou a sua população. O hábito de se aproveitar o calendário para tentar resolver questões de Estado é tão antigo quanto a política, que nasceu com o aparecimento do homem no planeta, já na etapa do homo sapiens. Ganhou forma na antiga Grécia que hoje atravessa um período de profundas dificuldades econômicas. No Brasil, períodos como o do Carnaval e da Semana Santa, especialmente esses dois, sempre foram usados para resolver conflitos de ordem política, demitindo-se e se nomeado. Tais períodos exercem a função de biombo temporal de modo a evitar maior repercussão na opinião pública.

O governo da Bahia tem muito que refletir neste Carnaval marcado por dificuldades, a partir de preocupações acentuadas pelo motim dos policiais militares que gerou dúvidas sobre o êxito da festa, que perdeu, em muito do seu brilho e motivou prejuízos econômicos. Tudo leva a crer que teremos como acontece, uma festa de paz. Apenas com problemas que surgem quando se trata de policiar multidões. Ainda mais quando o uso de bebidas alcoólicas é disseminado.

As reflexões do governo devem ser dirigidas para os erros cometidos pelos dois lados, especialmente os amotinados e pelo comportamento inadequado da corporação. O governador Wagner lamentou em coletiva, a ausência de uma corregedoria na PM que realize investigações e cumpra a  missão de coibir erros, a partir dos atos administrativos e punitivos de que dispõe. Ele não citou, mas é óbvio que o setor da inteligência, em que muito se apostava para se antecipar movimentações conturbatórias da tropa e evitar ações de bandidos, especialmente reunidos em quadrilhas.

Normalmente, sempre vazam informações que facilitam abortar o planejamento de crimes. Esse processo deu certo quando os órgãos de segurança do aparelho policial baiano passaram a se antecipar às ações de assaltos a bancos e de seqüestros. Diminuindo-os radicalmente. Depois, tais aparelhos entraram em descontrole, senão inércia, como se pode observar neste episódio que projetou uma imagem negativa da Bahia para o Brasil, reproduzida em jornais de diversos países.

O calendário (normalmente poupam-se os festejos natalinos) sempre foi – como dito na abertura desta análise – propício à tomada de decisões de sorte a mudar o curso dos fatos. Coincidentemente, um exemplo de ações como tais, que tiram acontecimentos de foco para esfriá-los, está presente em diversos artigos por mim publicados na minha trajetória jornalística. Em 1984, por exemplo, estava no auge o movimento das diretas-já, que viria a cair no Congresso, ainda controlado pela ditadura por, se a memória não me falha, meros 22 votos.

Nesse comentário de 84 anotei: “Uma alta fonte pedessista premuniu o esvaziamento da campanha em favor  das eleições diretas logo após o Carnaval. Os festejos funcionariam como uma válvula para arrefecer o ímpeto avassalador da mobilização nacional e seriam utilizados pela oposição com este objetivo. O raciocínio era o de que, depois que as Forças Armadas voltaram a se manifestar como vertente do poder revolucionário, na reunião de Figueiredo com os presidenciáveis do seu partido, restaria à oposição encontrar uma fórmula para realizar uma campanha de desmobilização. A ocasião propícia, por motivos óbvios, seria o Carnaval, que mascararia o esvaziamento.” Continuei: “Esta previsão não dá, até aqui, elementos que indiquem a possibilidade de que seja concretizada. Pelo contrário. A campanha das diretas aumentou de ritmo depois da reunião dos presidenciáveis. Oferece claros sintomas de que é um bloco que não se recolherá com as cinzas da quarta-feira. Do jeito que vai ocupará, sem jejum, os dias da quaresma até a votação final da Emenda Dante de Oliveira, na primeira quinzena de abril.”

O período ficou depois comprovado, foi utilizado para um refluxo do belo movimento cívico que, vitorioso, derrubaria a ditadura. De qualquer sorte, o regime militar acabou desaparecendo, por morte natural, ainda como conseqüência do movimento das diretas-já, quando Tancredo Neves resolveu detonar a ditadura com suas próprias regras: fez o enfrentamento o no Colégio Eleitoral, vencendo com votos indiretos.

Retornando ao Carnaval de agora, que começa logo mais, o governador Jaques Wagner, na ausência de um setor de inteligência confiável, pelo sim, pelo não, resolveu levar seu chapéu na mão. Para que não haja problemas insuperáveis depois, corretamente desconfia da PM. Pediu às forças nacionais de segurança, o Exército, que permaneçam em Salvador até o final da festa. Assim, engessa qualquer possibilidade de levante de tropas ressentidas com a derrota do amotinamento. Se acontecer, o Carnaval continuará na sua esperada tranqüilidade. Optou, como reforço, por uma ação preventiva, já que não pode adotá-la antes, quando a Bahia ofereceu notícias que a apequenou diante do País e aterrorizou a sua população. O hábito de se aproveitar o calendário para tentar resolver questões de Estado é tão antigo quanto a política, que nasceu com o aparecimento do homem no planeta, já na etapa do homo sapiens. Ganhou forma na antiga Grécia que hoje atravessa um período de profundas dificuldades econômicas. No Brasil, períodos como o do Carnaval e da Semana Santa, especialmente esses dois, sempre foram usados para resolver conflitos de ordem política, demitindo-se e se nomeado. Tais períodos exercem a função de biombo temporal de modo a evitar maior repercussão na opinião pública.

O governo da Bahia tem muito que refletir neste Carnaval marcado por dificuldades, a partir de preocupações acentuadas pelo motim dos policiais militares que gerou dúvidas sobre o êxito da festa, que perdeu, em muito do seu brilho e motivou prejuízos econômicos. Tudo leva a crer que teremos como acontece, uma festa de paz. Apenas com problemas que surgem quando se trata de policiar multidões. Ainda mais quando o uso de bebidas alcoólicas é disseminado.

As reflexões do governo devem ser dirigidas para os erros cometidos pelos dois lados, especialmente os amotinados e pelo comportamento inadequado da corporação. O governador Wagner lamentou em coletiva, a ausência de uma corregedoria na PM que realize investigações e cumpra a  missão de coibir erros, a partir dos atos administrativos e punitivos de que dispõe. Ele não citou, mas é óbvio que o setor da inteligência, em que muito se apostava para se antecipar movimentações conturbatórias da tropa e evitar ações de bandidos, especialmente reunidos em quadrilhas.

Normalmente, sempre vazam informações que facilitam abortar o planejamento de crimes. Esse processo deu certo quando os órgãos de segurança do aparelho policial baiano passaram a se antecipar às ações de assaltos a bancos e de seqüestros. Diminuindo-os radicalmente. Depois, tais aparelhos entraram em descontrole, senão inércia, como se pode observar neste episódio que projetou uma imagem negativa da Bahia para o Brasil, reproduzida em jornais de diversos países.

O calendário (normalmente poupam-se os festejos natalinos) sempre foi – como dito na abertura desta análise – propício à tomada de decisões de sorte a mudar o curso dos fatos. Coincidentemente, um exemplo de ações como tais, que tiram acontecimentos de foco para esfriá-los, está presente em diversos artigos por mim publicados na minha trajetória jornalística. Em 1984, por exemplo, estava no auge o movimento das diretas-já, que viria a cair no Congresso, ainda controlado pela ditadura por, se a memória não me falha, meros 22 votos.

Nesse comentário de 84 anotei: “Uma alta fonte pedessista premuniu o esvaziamento da campanha em favor  das eleições diretas logo após o Carnaval. Os festejos funcionariam como uma válvula para arrefecer o ímpeto avassalador da mobilização nacional e seriam utilizados pela oposição com este objetivo. O raciocínio era o de que, depois que as Forças Armadas voltaram a se manifestar como vertente do poder revolucionário, na reunião de Figueiredo com os presidenciáveis do seu partido, restaria à oposição encontrar uma fórmula para realizar uma campanha de desmobilização. A ocasião propícia, por motivos óbvios, seria o Carnaval, que mascararia o esvaziamento.” Continuei: “Esta previsão não dá, até aqui, elementos que indiquem a possibilidade de que seja concretizada. Pelo contrário. A campanha das diretas aumentou de ritmo depois da reunião dos presidenciáveis. Oferece claros sintomas de que é um bloco que não se recolherá com as cinzas da quarta-feira. Do jeito que vai ocupará, sem jejum, os dias da quaresma até a votação final da Emenda Dante de Oliveira, na primeira quinzena de abril.”

O período ficou depois comprovado, foi utilizado para um refluxo do belo movimento cívico que, vitorioso, derrubaria a ditadura. De qualquer sorte, o regime militar acabou desaparecendo, por morte natural, ainda como conseqüência do movimento das diretas-já, quando Tancredo Neves resolveu detonar a ditadura com suas próprias regras: fez o enfrentamento o no Colégio Eleitoral, vencendo com votos indiretos.

Retornando ao Carnaval de agora, que começa logo mais, o governador Jaques Wagner, na ausência de um setor de inteligência confiável, pelo sim, pelo não, resolveu levar seu chapéu na mão. Para que não haja problemas insuperáveis depois, corretamente desconfia da PM. Pediu às forças nacionais de segurança, o Exército, que permaneçam em Salvador até o final da festa. Assim, engessa qualquer possibilidade de levante de tropas ressentidas com a derrota do amotinamento. Se acontecer, o Carnaval continuará na sua esperada tranqüilidade. Optou, como reforço, por uma ação preventiva, já que não pode adotá-la antes, quando a Bahia ofereceu notícias que a apequenou diante do País e aterrorizou a sua população.

Samuel Celestino – Coluna A Tarde publicada nesta quinta feira 16/02/2012

C. Jordan Hohlenwerger: O enfraquecimento da política

JORDAN FHI - JORNAL INFORME

Ficamos alarmados com os altos níveis de corrupção na nossa combalida economia, envolvendo todos os setores públicos e privados. Diariamente os programas de TVs nos mostram os escândalos, que geram falta de confiança, e mais grave a constatação de que essa corrupção está ligada ao trafico de drogas, de armas e de pessoas.

Portanto é inquestionável o enfraquecimento da política decorrente também da difusão do individualismo; dos grandes grupos econômicos que impõem suas decisões substituindo na maioria das vezes as instancias políticas; a falta de confiança do povo nos políticos e nas instituições públicas; o desrespeito às pessoas com xingamentos; a falta de seriedade no trato da coisa publica que gera desconfiança e alimenta a prática da corrupção; o orgulho a vaidade a prepotência de políticos que  não honram moralmente a confiança dos seus eleitores.

Preocupa-nos também constatar que a vida social está se deteriorando pelo crescimento da violência, que banaliza a vida, manifestada em assassinatos, seqüestros, roubos, assaltos que freqüentemente acontecem na periferia das cidades como no campo. “Já não se coloca mais as cadeiras no passeio das casas no final das tardes.  Em Ipiaú temos poucas famílias que relutam em manter a tradição, ainda que dispostos a enfrentar os riscos etc.

Diante dessa realidade é importante que a Igreja oriente as pessoas a se expressarem também nas virtudes sociais e políticas para atuarem como interlocutores entre a Igreja e a Sociedade aliviando o sofrimento dos mais pobres que se agravam pelos problemas endêmicos de corrupção. O Cristão não pode aceitar esquema de corrupção nem se omitir em denunciá-lo.

Na semana passada, conversando com o meu dileto amigo Zenildo, falávamos da possibilidade de constituir uma comissão permanente de fiscalização com a colaboração de organizações não governamentais, membros da administração pública, empresários, órgãos de classes, profissionais liberais, Clube de serviços e outros interessados, para acompanhar as ações do poder publico em todas as suas instancias, elogiando quando devido e criticando quando necessário, agindo sempre na defesa da vida e do bem comum.

No seu discurso inaugural em Aparecida o Papa Bento afirmou que “A sociedade não pode mais postergar a busca de uma ética que ajude a superar o hedonismo, a corrupção e o vazio de valores”.

E nós? Estamos realmente dispostos a assumir um compromisso com as questões que envolvem a realidade da nossa cidade?

C.Jordan Hohlenwerger

Economista e Presidente da Fundação Hospitalar Ipiau

Mirabela há quase 10 anos (I)

Desde a chegada da Mirabela aqui na nossa região, que a cidade de Ipiaú vem passando por um inchaço socioeconômico desenfreado. Este crescimento sem os devidos investimentos em infra-estrutura, tem tirado a paz e o sossego da população além de estar causando sérios problemas sociais e em especial na saúde de seus habitantes.

Existe uma frase atribuída ao poeta americano Ralph Emerson: “A paz não pode ser mantida pela força; ela só pode ser conseguida através da compreensão. E é isto que se devemos buscar na Mirabela. Desde o inicio da implantação da Mina Mirabela até hoje,  já se passaram quase dez anos e os programas sociais pactuados com o governo e com algumas ONGs as condicionantes como são conhecidas,quase nenhum delas foram realizadas. As comunidades de Ipiaú e Itagibá continuam a ver navios!  Ainda bem que não embarcaram no  ”Costa Concórdia”. Não sei qual o pior. Lá as mortes aconteceram de imediato e cá, se sabe lá quando e quantos! !!!

Os australianos precisam ter mais cuidado na defesa dos seus interesses, devem buscar inclusive, uma comunicação direta com a sociedade, sem intermediários. É necessário lembrar que todo Projeto tem os seus propósitos e objetivos. Para alcançá-los é necessário conhecimento, competência e profissionalismo além de  promover amizade e boa vontade e isto, não vimos nas duas ultimas administrações, que somente sabiam praticar “a sinfonia da incompreensão e a melodia das rejeições” (A.Cury).Tudo era rejeitado supostamente  por existir outros interesses. Quiçá políticos ou econômicos…

A Mirabela oficialmente ainda precisa mostrar pra que veio. Deixar de tro-ló-ló e a exemplo de Carajás e outras Minas no País,  partir para o agir responsável na promoção de ações concretas de inclusão social na região onde atuam, através de realizações de projetos que favoreçam, principalmente, os mais empobrecidos,  que certamente não se encontram no Parque de Exposição José Thiara embora não temos objeção alguma com a realização daquele projeto.  Se planejar para fazer bem, faz.  A Mirabela mesmo com toda essa apatia, desleixo com as suas obrigações condicionadas, provavelmente conseguirá, se quiser, desenvolver os projetos que promoverão um futuro menos dramático para a nossa sociedade e a nossa rica biodiversidade.

É preciso mais iniciativas, mais cooperação e mais compreensão. A Sociedade precisa se unir para defender e exigir seus direitos. Ou vamos esperar por mais dez anos para fazer aquilo que podemos fazer já.  Onde está o nosso Governo.

C.Jordan Hohlenwerger

Economista e Presidente da Fundação Hospitalar de Ipiaú

Orlindo Lopes: Egildo 4 X Independente 3

ORLINDO LOPES - JORNAL INFORME

Aquele domingo de 1966 amanheceu chuvoso. Na noite anterior, os namorados sequer tiveram condições de ir ao cinema. A noitada do Salão Grená de “Tia Ló”, sem plumas e paetês, não teve a freqüência dos viciados “sorrateiros”. Com a falta de opções em função das fortes chuvas, até o Circo Nerino fora impedido de apresentar espetáculo. Restava o futebol do domingo à tarde para salvar o fim de semana. Sei não, o céu nublado, dia cinzento, alguma coisa espantosa parecia estar prestes a acontecer.

Na classificação do Campeonato, até então o Independente de Jaime Cobrinha era líder invicto e cruzaria com o modesto Cometas de Biribinha. Desnecessário afirmar, a diferença de qualidade entre os dois era tão grande, que os apostadores davam largas vantagens e mesmo assim não encontravam quem arriscasse uma fezinha. Claro, tudo no campo das teorias. As previsões indicavam como favorito o Independente, claro, que na rodada anterior havia aplicado uma goleada num adversário de igual porte comparado ao Cometas.

Ainda que tenha ocorrido um verdadeiro dilúvio, o cenário estava pronto, o palco oferecia condições, afinal o Estádio Pedro Caetano jamais havia imposto o adiamento de qualquer rodada de um Campeonato, por qualquer que fosse o temporal. É claro que não tinha o sistema de drenagem de hoje, mas mesmo quando chovia em excesso não havia acúmulo de água que ocasionasse a suspensão de qualquer espetáculo.

Feras do líder à parte, de todos os jogadores do Cometas, Carmerindo, Laudelino, Juba, Bilene, Guará, Menon, o jovem estudante Egildo, o personagem de hoje, era o que tinha uma expectativa bem maior em relação ao jogo. Precisava jogar. Na defesa, no ataque, no meio de campo, não importava, queria estar entre os titulares. Vencer o poderoso time dos “barões” era uma questão de honra. Haviam dito muita besteira antes da partida, nos bares, na porta do Cine Éden, no jardim, e até em “Tia Ló”, coisas assim, como “não tem nem graça”, “vai ser moleza”, e as chacotas chegavam aos ouvidos de Egildo principalmente, como forma de machucar, de humilhar.

A diferença entre os adversários daquele dia se configurou ainda mais claramente, no instante em que os dois times chegaram ao Estádio. O Independente, conduzido desde a sua confortável sede própria na Avenida Lauro de Freitas, em transporte apropriado, enquanto o Cometas fazia o mesmo percurso, quando não andando, habitualmente sobre a carroceria do caminhão do generoso torcedor Serrotão, uma das pessoas mais populares e queridas de Ipiaú, que era um dos torcedores mais ilustres do time “amarelo”.

Egildo mostrava-se disposto a vender caro qualquer resultado a favor do Independente, mas não poderia jamais imaginar que acabaria sendo ele o principal personagem daquela tarde histórica.

Uma eventual derrota custaria ao poderoso Independente, primeiro a invencibilidade, depois a perda da liderança justamente para o seu arquirival, o Ipiaú, que assistiria a tudo de camarote, e finalmente, teria que admitir que no futebol por menos expressivo que qualquer adversário pareça, o respeito deve ser levado em conta, pois definitivamente “só se pode conhecer o resultado de um jogo depois que ele se encerra”!

O até então imbatível Independente até que jogou bem, mas a garra e a superação do Cometas, aliadas à liderança de Egildo, foram suficientes para jogar por terra todo um inoportuno favoritismo prematuramente festejado, e quando o placar final mostrou a vitória do Cometas por quatro a três, com dois gols dele, um de Valmir (VBO), e um de Fia, os jogadores do Independente, atônitos, não acreditavam, custavam a crer que Egildo acabava de derrubar todas as diferenças, e jogando um futebol de encantar, sendo, portanto, o fator de desequilíbrio da partida, e como lateral direito, posição em que não se tinha liberdade para atacar.

No dia em que tudo deu certo para o Cometas, que jogou um futebol de gente grande, Egildo deu as cartas, Menon deu um “nó” no endiabrado Valdir, Juba anulou Bueiro, e Huguinho desceu a madeira e foi expulso, Biribinha, humilde ao extremo, encurtou os caminhos do seu Cometas no percurso até a glória, pelo menos naquela tarde inesquecível.

Se bem conheço Egildo, esta talvez tenha sido uma das mais vibrantes vitórias em toda a sua passagem pelo futebol amador, e obtida com extrema galhardia, graças à sua liderança incontestável.

A comemoração, então, suponho ter sido dividida entre muito “twist” e boleros à meia luz, na penumbra dos salões do Mandarin, nos Dez Quartos, que era reduto dos boêmios dos Cometas.

Uma festa “porreta”, à altura do merecimento dos heróis!Greve na Bahia definitivamente acabou.Em assembleia realizada no fim da tarde deste sábado (11), policiais militares decidiram encerrar a greve no estado, que já completava 12 dias. A desarticulação total do movimento acontece a cinco dias do carnaval de Salvador. O grupo que participou do encontro havia insistido na manutenção da greve mesmo após desocupação da Assembleia Legislativa e da convocação oficial do governo do estado para o retorno imediato ao trabalho.

Na saída da assembleia, manifestantes cantavam em coro “Ô, a PM voltou” e a maioria não quis conversar com a imprensa. Um deles disse que a “greve acabou pelo bem da sociedade”. Segundo PMs, cerca de 300 pessoas participaram da reunião, entre policiais e familiares.

O admirável Zenildo

Na década de sessenta, quem visse aquele moço alto, forte, ainda jovem, envergando a camisa três dos aspirantes do inesquecível Independente de Juju e Cobrinha, do Vasco de Louro, ou ainda do fabuloso Ipiaú de Dizon, e ainda não o conhecesse pessoalmente, de certo que tiraria conclusões precipitadas.

Zenildo, o nosso personagem desta semana, em razão do seu corpanzil, dava a ideia de zagueiro desleal, viril, e batedor, do tipo Abel, Brito, Fontana, Beline, que eram temidos e excessivamente respeitados pelos atacantes brasileiros, sobretudo porque chegavam antes, impunham autoridade na defesa, não alisavam seja quem fosse o adversário, de time grande ou pequeno, não importava. Se não levavam vantagem no jogo leal e tivessem que apelar para evitar uma chance de gol contra seu time, fatalmente apelavam.

Mas mesmo que a princípio passasse essa falsa impressão para as pessoas, na realidade Zenildo era de uma docilidade, e de uma decência sem limites. Dos beques conhecidos como “carniceiros” ele não tinha nada. Jogava limpo, na bola, jamais utilizou a força que lhe era comum para ganhar uma jogada de qualquer que fosse o avante contrário.

Em plena evolução do futebol de Ipiaú, para qualquer time disputar um campeonato municipal, era obrigado a inscrever junto com o titular, também um time de aspirantes, que era formado por jogadores que não eram utilizados pelo treinador da equipe titular, mas que sonhavam um dia figurar entre os titulares. Por isso ótimos times da base foram formados por Independente, Ipiaú, Vasco, Cometas, Estudantes, Fluminense, e os jogos preliminares eram aperitivos que atraiam os torcedores a chegarem mais cedo ao Estádio e ao invés de um, assistiam a dois grandes jogos, um após o outro.

Foi quando conheci Zenildo. Ele participava dos aspirantes do Independente. Jogamos juntos muitas vezes. Aliás, fomos campeões. Era um timaço! Me lembro do time, João Nega, Chico, Zenildo, Nelsinho e Wilson, Ely e Enéas Macedo, Ari, Cica, Daniel e Orlindo. Ainda tinham alguns reservas, mas naquele tempo não se podia fazer substituições. Todos novinhos em folha, chegando aos dezoito, apenas começando, uns jogavam muito e alcançaram o time de cima, outros nem tanto, mas que a molecada toda tinha talento, isso tinha!

Desde o meu primeiro contato como amigo de Zenildo, tive sobre ele a melhor das impressões. Extremamente gentil, e gente de extrema qualidade, não conseguiu limitar o carinho que sempre dispensou aos amigos.

O futebol não foi profissão para Zenildo. Durante o tempo em que ele jogou no Independente, no Ipiaú, ou na própria Seleção, jamais tive conhecimento de que ele tenha exigido qualquer coisa em troca.

Zenildo, até aqui, deu um monte de exemplos na vida, de cidadania e de lições para nossos filhos e netos, excelente educador, amigo fiel e decente que sempre foi, hoje goza naturalmente de uma recompensa das mais valiosas, que é a certeza de que toda Ipiaú o admira e idolatra com a maior justiça, pelo amigo e pai de família exemplar que é.

De todas as formas possíveis e imagináveis Zenildo serviu à sua terra amada. Por muitos anos foi funcionário do mais alto gabarito do Banco do Brasil, foi e ainda é mestre no ensino da matemática, ajudou a formar para a vida grande parte do que era a juventude da sua época, e além de muitas outras ações sociais, atualmente exerce o elevado grau de Venerável da Loja Maçônica Fraternidade Rionovense, que ostenta com soberania e equilíbrio, enchendo a todos nós de muito orgulho.

Estou certo que esta é uma homenagem que todos os ipiauenses, indistintamente, gostariam de fazer a este moço nobre, de caráter ímpar, e por isso a minha responsabilidade em fazê-la cresceu gradativamente.

Zenildo, esse notável ser humano, com certeza, escreveu com letras vivas o seu honrado nome numa página inteira do livro que conta a história do futebol de Ipiaú. Você merece sim, meu amigo Zenildo!

Que Deus o abençoe, meu irmão!

Kipá um Cracaço!

Durante algum tempo desde a fundação do grande Temão, permaneci à frente da Comissão Técnica e adicionei uma nova função à que já exercia. Eu era ao mesmo tempo treinador e uma espécie de olheiro. Era compensador. Ipiaú e toda a região cacaueira produziam muitos craques. Em todos os lugares em que a gente procurasse, aqui ou em outra cidade regional qualquer, encontrava jogadores de ótimo nível. O aval do proprietário do Clube era uma constante. Daí, para contratar, não havia nenhum problema. O alto poder aquisitivo do “time azul” era uma realidade.

Na verdade o Temão já tinha um esboço daquilo que se pensava para a formação de um time extraordinário. Já havia contratado um monte de jogadores dos muitos que o amadorismo baiano revelara.

Mas partindo do princípio de que tanto no futebol quanto em qualquer outra atividade humana, qualidade sempre foi a tônica sobretudo quando se visa a solidez, quem a tem deve ser sempre levado em conta.

Foi assim em relação a Kipá, o nosso personagem desta semana. Chegamos a ele por meio de informações. Nunca o tínhamos visto jogar, mas o que nos falavam sobre ele, inclusive pelos próprios jogadores do Temão, foi o bastante para gerar enorme interesse em tê-lo no time. Deve ter aparecido, não estou certo, a exemplo de muitos outros, nos campinhos de periferia, ou no velho e revelador areão do Rio de Contas, para não fugir à regra.

Kipá, ainda muito jovem, e apenas começando, era da mesma safra do ótimo Nacional, em que também surgiram Japonês, Dadá, Carlos Sande, César, e alguns outros “cobras” que passaram pelas mãos mágicas e competentes do saudoso Chico. No primeiro contacto que tivemos com ele, e lhe informamos que já havíamos contratado boa parte de seus contemporâneos da base do Nacional, o então garoto demonstrou interesse em se juntar aos amigos no Temão.

A partir daí tudo ficou mais claro, a contratação dele foi uma questão de horas.

Sua chegada gerou enorme euforia no grupo, e todos afirmavam que ele aprovaria em qualquer teste a que fosse submetido.

Para o primeiro treino coletivo, quando indagado a respeito de em que posição se ele se sentiria bem, Kipá foi taxativo: “comecei no Nacional de Chico jogando como ponta direita, mas confesso que me sentiria mais à vontade jogando no setor de meio de campo, volante principalmente”.

É claro que o colocamos primeiro como atacante pelo lado direito, e ele não foi muito bem. Acontece que quando pedimos que ele exercesse as funções de segundo volante, aquele que tinha e tem liberdade de chegar um pouco mais à frente, aí ele arrebentou! Jogou tanto e agradou de tal maneira, que não saiu mais do time.

Tornou-se desde então titular absoluto do timaço do Temão, e embora com alguns reservas à altura, jamais perdeu a posição, salvo por contusão ou quando eventualmente se machucava, o que era muito raro acontecer. Jogava o fino da bola! Era craque acima da média! Foi vice campeão de 1977, e jogou todas as partidas pelo Campeonato Municipal vestindo a camisa cinco do time azulino.

Da mesma forma, foi campeão pela Seleção de Ipiaú, do Intermunicipal daquele ano, alternando a titularidade com Bidinho, Boca de Pia e Litinho.

Kipá somou as suas qualidades a outras de uma série de jogadores extraordinários que foram comandados pelo excepcional Chinesinho, naquela campanha espetacular de 1977, que acabou culminando com a conquista do título.

No ano seguinte, o Ipiaú formou um time maravilhoso, levou Kipá, e ele foi peça fundamental, jogando na mesma posição em que se notabilizara no Temão, com enormes categoria e eficiência.

Tivemos enquanto ele aqui esteve, uma amizade salutar. Tratava-se de um ser humano admirável em todos os sentidos. Faz bastante tempo que não o vejo, mas ainda o considero como sendo um dos melhores amigos que tive no futebol.

Kipá, apelido que lhe deram na infância, ou Paulo César, seu nome de batismo, estranhamente, aliás, como outros tantos craques revelados em Ipiaú, parou de jogar muito cedo! Ainda era um cracaço, estou certo disso!

A imagem que Kipá deixou na memória dos torcedores de Ipiaú, e em todos nós de um modo geral, é reflexo do que ele representou enquanto vestiu com bravura as camisas tanto dos fantásticos Temão e Ipiaú, como da própria Seleção ipiauense.
Eu não poderia deixar de externar essa homenagem, por mais simples que ela possa ser, na minha imaginação, a um dos maiores jogadores produzidos pelo amadorismo baiano em todos os tempos!

Sapatinho de cinderela

Cautela nunca fez mal a ninguém. Dizem que o cemitério está lotado de valentões.

José Rodrigues Filho, escritor pernambucano radicado em Amélia Rodrigues, narra em seu livro CARIRI/AGRESTE caso hilário de um pseudo matador de onças que foi salvo pelo medo: ao fugir destabanado de uma gata pintada, o farsante trepa numa baraúna, e ao perceber que a presunha vem em seus calcanhares, também subindo na árvore, o desinfeliz se borra de medo, com isso a merda que lhe escorre pelas pernas cai direto nos olhos da felina, cegando momentaneamente o animal, mantendo-o distante até a chegada do socorro.

Jaldão, pra variar, se engraçou por uma dona. No início ela não deu trela, se dizia comprometida, que não era seguro, que tinha medo e tal. Jaldão não desistiu e em pouco tempo já estava nu, deitado no sofá da casa da mulher, relaxando do trabalho já realizado e se preparando pra próxima batalha. As roupas espalhadas pela casa, sapato na cozinha, blusa no quarto, calça na sala…

A mulher toda solícita, querendo agradar o grande, traz uma cerveja pra ele no sofá:

- toma amor, ta gelada… mas tu é corajoso…

Jaldão, recebendo a latinha, estranha, e pergunta:

- por que minha filha?

- oxi… meu marido…

- e o que é que tem? Tu acha que ele se zanga? Falou Jaldão abrindo a latinha.

- oxi, oxi…é o trabalho dele…

- ele é o que? É dentista? Radialista? É o que mesmo? Perguntou, tomando um gole da cerveja.

- tu não sabe não, é?

- sei não, sei nem quem é…eita que a cerveja ta é boa!! Eu só gosto assim…ele faz o que? Diga, diga. E deu outro gole na cerveja.

- ele é polícia…

- tu ta brincando! Disse Jaldão, pulando do sofá, cuspindo a cerveja que o fizera engasgar.

- ele é polícia e já matou um bocado de gente!

- Ave Maria! Deus é mais! Tu é doida…

Jaldão saiu azoado, catando as roupas, vestiu só as calças, pegou a blusa e a cueca botou debaixo do braço, e caiu no mundo no seu FIAT 147.

Na pressa e apavorado, saiu descalço, deixou na casa da dona o seu sapato n° 47.
Ainda hoje, quando ele vê um guarda, ele esconde os pés.

O “Grande Bidinho”

Numa época áurea do futebol de Ipiaú, precisamente no meio da década de sessenta, entre os anos de 1962 e 1967, o Independente formou um time fantástico, e para tanto, recrutou jogadores de quase todos os cantos do Estado. E vieram Bueiro, Mundinho, Gino, Zé Plínio, Maíca, Betinho, Marcos, Dilermando, Tanajura, adicionados a outros, contratados a peso de ouro, na verdade, ouro branco, reflexo do cacau, pelos abastados dirigentes do “vermelho”, com o propósito de tentar desbancar o arqui-rival o “branco” Ipiaú, único adversário local que lhe encarava de frente. As “feras” chegavam aos grupos e eram cuidadosamente acomodadas em instalação própria, aprazível, ampla e confortável, na Lauro de Freitas, e ficavam mantidas em regime de absoluta concentração, para qualquer que fosse o jogo, e recebiam cuidados especiais quando o compromisso era contra o principal “inimigo”.

Um dia, por indicação do próprio Gino, o Independente foi buscar Bidinho em Valença, para figurar como reserva eventual do grande Maíca. Não foi muito difícil, não foi preciso se pagar o que se havia pago aos outros, ele era menos famoso, ainda não tinha história, vestiria, talvez, pela primeira vez, uma camisa tão importante.

O treino do Independente era uma espécie de passarela, onde desfilavam incríveis talentos, e naquela tarde Bidinho, já no ninho de “cobras”, treinaria, por conta disso reinava enorme expectativa, todos queriam vê-lo. E ele, humilde, diminuto, insignificante, apareceu trajado de preto e vermelho, escalado por “seu” Edval, exatamente no lugar da estrela Maíca, naquele coletivo e no jogo do domingo próximo, e em outros subseqüentes, nos meses e anos seguintes, no Independente, na Seleção de Ipiaú durante cerca de quinze anos, numa posição de onde ele depois de então jamais saiu, impondo ao magnífico treinador a preocupação de arrumar o antigo titular em outra posição, senão a que ele havia conquistado.

Os anos se passaram, Ipiaú adotou Bidinho, ele se casou aqui, ficou viúvo, tem netos, tem um montão de amigos, e tem uma decência do tamanho da linda história que ele construiu junto da gente.

Ah, velho Bidinho, quando eu vejo hoje a maioria dos volantes dos principais times de futebol desse país fazendo tanta “besteira” em campo, me dá uma saudade de você!

José Américo Castro: História dos prefeitos de Ipiaú

Índice

Em 17 de dezembro de 1930, o então Distrito de Rio Novo foi elevado à condição de subprefeitura de Camamu. Com isso ganhou uma nova estrutura administrativa, inclusive tendo sido criado o cargo de subprefeito, o qual tinha a função de tratar das questões locais. Foram três os subprefeitos de Rio Novo: Waldomiro Almeida Santos, Osório Cordeiro da Silva que conseguiu que a subprefeitura fosse anexada ao município de Jequié, Leonel Dias Andrade (1931/32) e Antônio Augusto Sá (1932/33) em cuja gestão ocorre a emancipação política de Rio Novo (2-12-1933) continuando no cargo como prefeito nomeado.

OS PREFEITOS

Ao conquistar a sua autonomia política, Rio Novo passou a contar com o cargo oficial de Prefeito. Alguns desses Prefeitos, a exemplo de José Mendonça, Hildebrando Nunes Rezende, José Motta Fernandes e Salvador da Matta (fotos), também foram vereadores na Câmara Municipal de Ipiaú. Da relação dos prefeitos constam as seguintes personalidades:

Antônio Augusto Sá (17/12/1933-1934)- Quando subprefeito realizou os primeiros calçamentos de Ruas (Siqueira Campos e Floriano Peixoto) da localidade. Durante a sua gestão, o cenário político nacional estava muito agitado. Fundou o Partido Social democrático (PSD) no município e logo após sai do cargo.

José do Eirado Silva (07/10/1935-1936)- Filho do Coronel Guilherme Silva, um dos fundadores da cidade de Jaguaquara e cunhado de Leonel Dias de Andrade liderança política que o PSD pleiteava atrair para os seus quadros. Daí a substituição de Antônio Augusto Sá por José do Eirado Silva.

Leonel Dias de Andrade (1936-37)- Primeiro Prefeito eleito. Em 1932, exerceu a função de subprefeito. Sofreu forte oposição dos integralistas que tinha em Rio Novo as lideranças de Durval Hohlenwerger Filho, Aristóteles Andrade e Dr.Fontana. Os integralistas desafiam as ordens do Prefeito que então autorizou ao delegado Domingos Castro a recolher todas as camisas verdes, mesmo através da força. Após o golpe de 1937 (Estado Novo), Juracy Magalhães que não apoiou Getúlio Vargas foi destituído do governo da Bahia e o seu aliado Leonel Andrade exonerado do cargo de prefeito de Rio Novo. Com a ação do delegado teve inicio declínio do partido integralista no município.

Eurico Simões Paiva (17/12/1937-1938)- Era médico e foi responsável pela implantação da iluminação elétrica em Rio Novo. Em sua gestão também foi implantado o Posto de Higiene, com direção do médico Jaldo Reis. Esse trabalho promoveu a erradicação de varias epidemias na região. Exonerou-se do cargo de prefeito, depois que saiu sua nomeação como médico legista do estado.

Jaime Pontes Tanajura (11/03/1940-1943)- Médico e membro de família tradicional de Caetité. Fez o primeiro calçamento a paralelepípedos, na Rua Dois de Julho.

Agostinho Cardoso Pinheiro (26/03/1940-1943)- Advogado, natural de São Miguel das matas. Ampliou os calçamentos a paralelepípedos e promoveu melhorias em vários distritos. Na década de 1960 foi eleito deputado estadual. Era pai do artista plástico Antônio José Pinheiro (Zebrinha) e da professora Ana Maria Pinheiro.

Antônio Lisboa Nogueira (12/06/1945-1946)- Sergipano de Laranjeiras, foi o primeiro cirurgião dentista a se instalar na região. Lutou pela emancipação política do município. Durante o seu mandato foi instalada a Comarca de Ipiaú, sendo o primeiro Juiz de Direito, Dr. Milton Costa. Mandou construir currais de matança (abatedouros bovinos)na sede e em todos os distritos do município. Auxiliou na fundação da Loja Maçônica, Rotary Club de Ipiaú e agencia local do Banco do Brasil.

José Borges de Barros (28/04/1946-05/12/1946)- Primeiro médico de Ipiaú. Chegou na localidade em 1923, atraído pelo desenvolvimento da região e pela demanda de médicos devido ao alto índice de malária. Tronou-se muito querido pela população e deixou numerosa família.

Sandoval Fernandes Alcântara (05/12/1946-1948)- Comerciante em Ubatã, pessedista, foi indicado pelo ex-prefeito Antônio Nogueira. Nomeado no período de transição para a redemocratização do país, após o fim do Estado Novo. Trabalhou na construção de estradas no interior do município e promoveu o calçamento da Rua Silva Jardin.

Pedro Caetano Magalhães de Jesus (1948-1952)- Natural de Senhor do Bonfim, advogado, foi o primeiro prefeito eleito em Ipiaú após o fim do Estado Novo (ditadura de Getúlio Vargas).Sua administração foi marcada pelo investimento na educação, sobretudo no ensino primário. Construiu várias escolas no município, dentre elas o Colégio Celestina Bittencourt. Durante a sua administração foi fundado o Ginásio de Rio Novo e construído o Estádio Municipal de Futebol que posteriormente recebeu o seu nome.

José Muniz Ferreira (1952-1955)- Mais conhecido como Juca Muniz, genro do coronel Durval Hohlenwerger e irmão de Edízio Muniz Ferreira. Promoveu a ampliação da rede de esgotos das Ruas Anchieta, Rio Branco, Castro Alves, a colocação de meios fios da Rua Juracy Magalhães e a remodelação da Praça Rui Barbosa.

Salvador da Matta (17/04/1955 14/04/1959 e 1971-1973)-Natural de Catú foi um dos maiores intelectuais da região. Homem culto, formou-se em medicina pela Universidade Federal da Bahia com apenas 22 anos de idade, em 1937. No ano seguinte instala-se em Rio Novo passando a exercer a sua profissão. Em 1950 fundou o Ginásio de Rio Novo, marcando uma nova fase na educação do município. Sua primeira administração municipal se caracterizou por investimentos em obras de saneamento básico, ampliação de rede de esgotos, calçamento de ruas e construção de escolas. Construiu a ponte sobre o rio das Contas, ligando Ipiaú à vila de Japomirin, no município de Itagibá. Na segunda gestão construiu o Centro Administrativo do Município, pavimentou diversas ruas e concluiu a iluminação da cidade com lâmpadas a vapor de mercúrio.

José Motta Fernandes (14/04 /1959 a 07/04/1963 e 07/04/1967 a 1971, além de 1996-2000)- Único político a administrar o município de Ipiaú em três ocasiões. Era natural de Sergipe, residia inicialmente no distrito de Barra do Rocha sendo um dos representantes do mesmo na Câmara Municipal de Ipiaú. Em seu primeiro governo, dentre outras obras, construiu a ponte sobre o rio Água branca, nivelou a Rua do Cruzeiro e calçou as ruas Mira Rio, Alfredo Brito e José Muniz Ferreira, iniciou a obra de construção do Mercado Municipal e promoveu melhorias no distrito de Algodão. Na segunda gestão remodelou o Colégio Celestina Bittencourt, concluiu o Mercado Municipal. Na terceira gestão pavimentou diversas ruas e realizou inúmeras outras obras.

Euclides José Teixeira Neto (07/041963 a 07/04/1967)- Nascido no povoado de Jenipapo, município de Ubaíra, filho de Patrício Rezende Teixeira e Edith Coelho Teixeira, advogado, escritor, maior líder político da historia de Ipiaú. Criou a Fazenda do Povo, o Ginásio Agrícola Municipal de Ipiaú (GAMI) e o bairro da Democracia. Em sua gestão, considerada a mais progressista da historia local, com apoio da comunidade é instalado o primeiro hospital publico do município e o Parque de Exposição Agropecuária. No mesmo período Ipiaú recebe o titulo de “Município Modelo da Bahia”, concedido pelo Governo Federal.

Hildebrando Nunes Rezende (1973-1977 e 1983-1988)- Líder carismático e populista, natural de Ipiaú, investiu no assistencialismo, eletrificou diversas regiões da zona rural, construiu pontes e estradas e expandiu o bairro da Democracia. Mandou compor o Hino de Ipiaú, fundou o Museu do Lavrador e criou a Secretaria da Cultura, além de construir a Praça do Cinquentenário. Pavimentou a Avenida Getúlio Vargas, Avenida do Contorno, Bairro Euclides Neto e Rua do Honório.

José Borges de Barros Junior (1977-1982)- Também conhecido como Zequinha Borges, trabalhou para a modernização da cidade, levantou verbas para a construção do Ginásio de Esportes e pavimentou diversas ruas.

Miguel Cunha Coutinho (1988-1992)- Natural de Ibirapitanga foi deputado estadual e manteve o estilo populista na gestão do município de Ipiaú. Suas principais obras como prefeito foi a construção do Conjunto Habitacional Antônio Carlos Magalhães (o bairro ACM), a construção do novo matadouro municipal, a pavimentação do bairro da Conceição e da Rua da Granja. Era formado em sociologia mais nunca exerceu a profissão.

Ubirajara Souza Costa (1992-1996)- Nascido no distrito de Córrego de Pedras, interior do município de Ipiaú, filho do lendário Pedrão, é médico cirurgião. Em sua gestão publica houve investimento na área da saúde e educação, com destaques para as construções do CETAN e os Colégios Ângelo Jaqueira, Edvaldo Santiago, Patrício Teixeira, Pastor Paulo e o Hospital da Mulher.

José Andrade Mendonça (2000-2004 e 2004-2008) – Natural de Sergipe, filho do famoso empresário Mamede Paes Mendonça, ganhou a simpatia do eleitorado ipiauense e se tornou um dos líderes políticos mais carismáticos e fervorosos da historia do município. Em suas duas gestões implantou um estilo norteado na austeridade e transparência, combateu a corrupção, realizou inúmeras obras nas áreas de habitação, saneamento básico, infraestrutura e educação. Incentivou a cultura, investiu na assistência social e promoveu a organização da cidade. Seu grande projeto, a construção do Parque da Cidade, não chegou a ser concluído por questões políticas.

Sandra da Purificação Lemos – Administradora de empresas e natural de São Gonçalo dos Campos. Na condição de suplente de José Mendonça em sua segunda gestão, assumiu o cargo de prefeita de Ipiaú no ano de 2008, sendo assim a primeira mulher a ocupar tal posição no município. Disputou a eleição seguinte com o médico Deraldino Araújo que lhe derrotou e assumiu o comando do município.

Deraldino Alves de Araújo- Nascido em Itapitanga, reside em Ipiaú há mais de 20 anos. É médico pediatra e se elegeu prefeito após concorrer em três eleições consecutivas. Realizou obras de infraestrutura básica, esgotamento sanitário, pavimentação, abertura de novas ruas e bairros, construiu quadras poliesportivas e inaugurou o Centro de Abastecimentos transferindo para este local as duas feiras livres que existiam na cidade.

 

Biografia de um célebre ipiauense

A cidade de Ipiaú deu ao nordeste brasileiro um dos mais importantes jornalistas da atual geração de comunicadores, Cleomar Ribeiro Brandi , nascido em 18 de janeiro de 1945, escreveu seu nome na historia do jornalismo baiano e sergipano e agora terá sua trajetória contada numa biografia escrita pelo jornalista sergipano Gilson Souza.

Entre outros feitos, Cleomar foi responsável pela implantação da Rádio e TV Educativa nos dois estados.Escreveu  colunas em jornais de Salvador  e foi um dos mais atuantes cronistas da imprensa em Aracajú. Cleomar  Brandi faleceu em 17 de julho do ano passado.De acordo com Gilson Souza, a biografia estará pronta ainda este ano, contando inúmeros depoimentos de familiares,amigos, colegas de profissão e admiradores.

O livro também trará uma série de fotografias que marcam épocas distintas da vida de Cleomar. Cem entrevista concedida ao jornalista Osmário Santos, de Aracajú, Cleomar  lembrou de momentos da  infância em Ipiaú e da  adolescência em Salvador.

Da sua infância  ele conta que foi  bela, menino de beira de rio, abrindo o grande portão do quintal e se deparando com o deslizar majestoso do Rio de Contas, onde ele e seus irmãos

“Pescávamos belos piaus de cima do cais: plataforma exata para grandes mergulhos na água que nos acolhia. O grande abacateiro do quintal era a grande vigia de onde, lá de cima, me sentia Robinson Crusoé, os “babas” com os irmãos, os filmes do Cine Theatro Éden, o cheiro do pão fresco saindo do grande forno da Padaria Minerva, a manteiga derretendo no milagre do pão quente e aberto, as histórias de assombração, as brincadeiras de guerra nas pilhas de cacau do grande armazém de Tio Coló, os bois soltos nas ruas  nos dias de matança, um corre-corre danado e a gente jogava sal no fogo pois diziam que deixava os animais mais brabos. Uma infância com cheiro de banhos de rio, rapé roubado do meu avô, visgo de cacau na boca e o coração na porta, batendo forte, esperando a chegada do meu pai que vinha da padaria, enquanto o serviço de auto-falante cantava a Ave Maria”.

Da adolescência  as recordações trazem nomes que ficaram famosos na cultura nacional:

“ Lembro que a turma da ladeira dos Aflitos era muito grande unida. Antônio Pitanga, que depois se tornou o pai de Camila Pitanga; Geraldo Del Rey, virou ator de cinema; Perna Fróes, que fez arranjos musicais para Caetano Veloso; Thildo Gama, que era o baixista de Raulzito e seus Panteras; mais tarde, Raulzito virou Raul Seixas e é nome na MPB até hoje. Reencontrei Raulzito (nunca consegui chamá-lo de Raul Seixas) anos mais tarde, em Arembepe, ele recém saído do hospital, com a cirrose comendo seu fígado e, debochado como sempre, emborcou minha dose de milone, aproveitando minha distração. Dois meses depois, ele morreu.

O jornalista Gilson Souza promete realizar em Ipiaú o lançamento do livro- biografia de Cleomar Brandi Ribeiro. Será uma boa oportunidade de a população local conhecer melhor esse celebre conterrâneo.

( José Américo Castro )

Em Sessão Extraordinária realizada na manhã dessa sexta-feira, 6, a  Câmara de Vereadores de Ipiaú, manteve sua decisão de aprovar sem suplementação o Projeto de Lei nº 045/2011, do Poder Executivo Municipal, que estima a receita e fixa a despesa do município de Ipiaú para o exercício administrativo do ano de 2012, no montante de R$60.288.529,47 milhões.

A maioria dos vereadores presentes também manteve o propósito de garantir a emenda que indica um percentual  de 7%(sete por cento)para o repasse  da verba destinada ao Poder Legislativo.A proposta da Prefeitura era de um repasse de apenas 5%(cinco por cento) do Orçamento Municipal. Com tais decisões foram derrubados os vetos do prefeito Deraldino Araújo às matérias citadas que foram os pontos principais das discussões, assim como  a outras 11 emendas legislativas.

Alguns vetos foram mantidos dentre os quais o que se refere à emenda que propunha a   construção de um Matadouro no Distrito de Córrego de Pedro.Este foi o único ponto de consenso da votação. Na tentativa de reverter a posição da maioria, em relação à negativa de suplementação orçamentária, os membros da base de sustentação do Governo Municipal chegaram a propor que fosse acatada a emenda da Comissão de Finanças e Orçamento  indicando 30% de suplementação, a qual já tinha sido  derrubada em plenário, durante sessão ordinária realizada no ano passado.

A bancada oposicionista que forma a maioria sinalizou que, havendo necessidade por parte do município, poderá aprovar uma suplementação em percentual mais reduzido. Para isso será necessário que o prefeito envie um Projeto de Lei ao Poder Legislativo. Com exceção da emenda referente à construção do matadouro, o vereador José Andrade Mendonça(foto)se posicionou contrario aos demais vetos apresentados pelo prefeito.

José Américo para o Informe

Secretario confirma apoio aos produtores de eucalipto na região de Ipiaú

Em reunião realizada recentemente no Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), em Salvador, o Secretário Estadual do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, confirmou o compromisso de apoio aos produtores  de eucalipto na micro-região de Ipiaú( zona cacaueira do estado)e a liberação de créditos para a reposição florestal.Na oportunidade ficou combinado uma visita do titular  e técnicos da Secretaria do Meio Ambiente(Sema) à região, com o objetivo de tratar de assuntos referentes à ampliação da licença ambiental dos plantios, tendo em vista a  seriedade  e disciplina verificadas  nos plantios já realizados.

Da reunião com o secretário Eugenio Spengler e com  o diretor  do Inema, Julio Mota, participaram os produtores Iran Araújo, Edilton Oliveira, Edvar Oliveira, Joilson Andrade e Dilson Freire, os quais estavam acompanhados da deputada Ângela Souza e do seu assessor, Mauricio Carvalho. Atualmente existem cerca de dois mil hectares de área plantada com eucalipto  em sete  municípios da micro-região.A  idade das arvores existentes  varia de um a quatro  anos. As áreas de expansão são estimadas em 50 mil hectares, podendo abranger mais municípios da região cacaueira.

Florestas Homogêneas

O crescente consumo de produtos derivados da  madeira impõe ameaças às florestas nativas,  daí a necessidade de implantação de áreas florestais renováveis homogêneas, a exemplo do cultivo do eucalipto que tornou-se uma opção viável para atender a demanda de madeira e reduzir o desmatamento que  anualmente  atinge cerca de 2 mil hectares, da Mata Atlântica em toda a  região cacaueira.A ação degradante  e ilegal tem  como objetivo, fornecer a madeira para construção civil, fabricação de móveis, cercas das propriedades rurais, secagem do cacau, cerâmicas, padarias, e outras atividades.Desta forma se torna urgente a busca de alternativas.

De acordo com o Centro de Produções Técnicas (CPT),“a  implantação de florestas de eucaliptos envolve operações que vão desde o preparo do solo até o completo estabelecimento delas, o que ocorre no segundo ou terceiro ano do plantio. As operações  intermediarias são o combate às formigas,a fertilização mineral,o plantio propriamente dito e as manutenções ou limpezas do povoamento.Após esse período ,a floresta ,já estabelecida ,está apta a ser manejada”. Vale ressaltar  que os plantios de eucalipto  na região de Ipiaú ocorrem em áreas que anteriormente eram ocupadas por pastagens e, portanto já se encontravam desmatadas.

Assim falava Cassiano

“Peida, peida, peida…mas sem medo!”

Assim, ao sol pino do meio dia, Cassiano bradava seu grito de guerra em protesto à falta de um sino na Igreja Matriz de São Roque. A cena se repetia cotidianamente em dois horários (12 e 18 horas),na Praça Rui Barbosa,ao lado do ponto de táxi,junto  a um poste de luminária.

Com uma pedra, ou qualquer outro  material  sólido,Cassiano,estimulado por algumas talagadas da mais pura destilada de Jacó,batia no poste de metal oco que reproduzia um som parecido  com o badalar do sino. O gesto  virou rotina durante um bom tempo dos anos 80 (século XX).

Obrigação, devoção, capricho, promessa… Talvez pirraça. Mas, ao certo, era protesto. E dos brabos.

Quando o padre Xavier despontava na praça, o repicar  do improvisado sino intensificava e a palavra de ordem também: ”Peida, peida, peida!”. Em contra ponto o autor do protesto filosofava: ”Ninguém é de ninguém” e prosseguia indignado: ”Isso é uma vergonha ! “

O pároco fugia de Cassiano como o diabo foge da cruz. Santa Inquisição às avessas: o bruxo caçando o clérigo, provocando a Igreja a cumprir sua obrigação. E assim continuou enquanto a Igreja Matriz de São Roque esteve sem sino.

Garrafadas

Magro, alto, mais para mulato, cabelo liso em desalinho, cabôco,como diz o povo,  figura singular (pois outro igual é impossível), Cassiano Melo de Oliveira, era realmente um bruxo. Senhor das “garrafadas”, curava doenças venéreas que a rapaziada contraia com as quengas dos “Dez Quartos”,mas precisamente no ramal do “Pinga Pus”, onde se encontrava rameiras mais baratas.

Passando o ramo, rezando de olhado, pagando promessa na Lapa, aonde ia todos os anos em romaria  num pau de arara , Cassiano estabelecia o seu estigma de folclórico.

Conhecedor dos mistérios do rio, ele também era pescador. Sabia dos poços mais profundos, dos remansos onde os piaus moravam, das locas dos pitus e dos acaris mais graúdos.Tinha fôlego invejável, levava minutos submerso, explorando as profundezas , se encontrando com entidades, identificando-se com as lendas.

Crendices

Cassiano tinha preocupações com o futuro do principal manancial hídrico da região e costumava profetizar em argumentos ambientalistas: ”Do jeito como estão tratando, desmatando e sujando, o Rio de Contas um dia vai desaparecer”.

Tanto no Rio das Contas, quanto no Água Branca ,Cassiano expandiu sua fama de bom mergulhador e assim salvou muitas vidas , inúmeras… Quando não tinha a oportunidade de salvar, conseguia resgatar os corpos afogados. Em alguns casos usava crendices: uma cuia  tendo no seu interior uma vela acesa, era veiculo preciso para indicar o local do poço onde estava o corpo.

Singular e Plural

Engraxate, com cadeira na porta do Bar de Fran,vendedor de amendoim,contador de estórias,amigo das autoridades,embora nunca tivesse sido beneficiado por estas, pegador de cobras (tinha reza certa contra o veneno do bicho), solitário, exótico, cheio de segredos,Cassiano era  singular e plural.

Os meninos da rua, os adolescentes atiçados, freqüentavam a alcova de Cassiano, um obscuro quartinho próximo ao Restaurante Galo Vermelho, na Mira Rio, que também era o consultório  onde ele  examinava o paciente e receitava as famosas garrafadas.

“Comendo água”,Cassiano não levava desaforo para casa.Grande bombas de fabricação caseira ele deixava explodir em sua mão e nada lhe acontecia,nem mesmo um arranhão.Mostrava assim seu poder,sua invulnerabilidade folclórica. E não cansava de desafiar a ordem estabelecida com a sua militância anarquista: ”peida,peida,peida,” reforçada pelo estimulo à coragem: “ mas sem medo, pois ninguém é de ninguém”.

Nascido no município de Laje (Vale do Jiquiriçá), em 15 de novembro de 1912 e falecido  em Ipiaú,no dia 17 de junho de 1998,Cassiano Melo de Oliveira, fez a sua historia nesta cidade. Suas façanhas até hoje são lembradas pelos seus contemporâneos .

A bronca que Cassiano tinha do padre Xavier desapareceu quando o então deputado Ewerton Almeida,o popular “Tom Legal”,doou um novo sino à Igreja Matriz. A missão estava cumprida,os protestos cessados.Afinal “ninguém é de ninguém”.

 Não quero ser só uma artista

Um público diferente deverá lotar o Salão do Plenário da Câmara de Vereadores de Ipiaú na noite desta sexta-feira(02/12), data 79º aniversário da emancipação política do município. Alí ocorrerá uma sessão distinta das habituais na casa. As discussões e debates estarão em outro nível e o foco das atenções não serão os atores de sempre. Nessa noite a cena será roubada por Joelma, o filme de curta metragem do Ipiauense Edson Bastos, um jovem diretor que começa a colher os louros das vitorias a que está predestinado.

A fita já arrebatou o premio de “Melhor Curta Nacional” no 19° Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual, ocorrido em São Paulo, e vem sendo muito aplaudida nas exibições em Salvador. A trama aborda a historia do transexual Joel Patrício Novais, 66 anos, que se autodenominou “Joelma” e reside no Sitio do Picapau Amarelo, um bairro da periferia de Ipiaú, cuja comunidade lhe tem o devido respeito. O personagem é interpretado pelo ator Fábio Vidal. Algumas cenas foram rodadas nesta cidade.

Se a fita vai roubar a cena da rotina da Câmara, Joelma a celebridade provinciana que motivou o projeto de Edson Bastos vai roubar a cena da sessão cinematográfica. Ela estará lá, pessoalmente, para provar que é mesmo boa na fita.

Um previa disso foi dada na manhã da última quarta-feira(30/11), quando esteve na Câmara procurando uma camisa para participar da Marcha Contra a Corrupção que acontece no próximo sábado(03/12), e foi provocada a prestar uma entrevista. Joelma não se negou ao pedido do repórter e até pousou ao lado do vereador Raimundo Menezes Moreira, o popular “Raimundo Paraguai”, Presidente da casa.

Joelma disse que não queria ser Joel e nem continuar a catar carvão na região do Burí, zona rural de Ipiaú, por isso fugiu de casa e foi parar em São Paulo onde conheceu o português João Freire Leal que ela afirma ser avô do cantor Roberto Leal. João foi seu caso mais prolongado. Deu-lhe atenção, boa vida e até lhe alfabetizou. Em defesa dele Joelma cometeu um homicídio que lhe custou um bom tempo de cadeia.

João Leal viveu até os 101 anos de idade, 22 dos quais ao lado da musa do Picapau. Atualmente Joelma convive com o ancião Esperidião de Souza Brito, tio de um dos seus advogados.

Dramática, performática, Joelma, a original, diz que já se safou de 78 feitiços e que não tem preconceito em exibir seu corpo (mostrar as partes que afirma serem dotadas de silicone do bom). Aos curiosos avisa: ”Se olhar com maldade não vai enxergar nada”.

Quanto ao filme em sua homenagem, diz que ainda não assistiu, mas desde já se mostra agradecida e lembra os primeiros encontros com o diretor e com o ator: ”Edson e Fábio invadiram a minha sensibilidade e então eu disse:-Vou soltar as frangas,contar toda a minha história”.

Joelma garante que o sucesso da fita não vai interferir no seu cotidiano e para alivio dos protagonistas de plantão, conclui: “Eu vivo do meu suor e não quero ser uma artista”.

Ciliconada, maquiada, pervertida, mal ou bem vestida, Joelma é Chiquita Bacana sem a Martinica, é a mulher maravilha da periferia ipiaúense, o avesso, do avesso, do avesso… A bola da vez na obra de Edson.

 Fran deixa seu nome na história

“O homem é quem faz  a historia”.

Uma parte da historia de Ipiaú foi feita pelo cidadão Francisco Rocha Chagas, o popular Fran que aos 75 anos de idade desencarnou na madrugada (ás 4 horas) desta segunda-feira, 5, em Salvador onde se encontrava em tratamento médico.Uma complicação  cardíaca foi o principal motivo do óbito.

Natural de Ribeira do Pombal, na região norte da Bahia,Fran era filho de José Florencio Rocha e Carmerinda Rocha e irmão do conhecido Zito, do Posto Rocha,outra personalidade que muito contribuiu com o desenvolvimento de Ipiaú. Fran  gerou sete filhos: Gracinha, Livinha, Rogério,Beto,Claudio,Cristiano e Franzinho.  Pessoa querida na cidade encontrou na simplicidade a melhor forma de vida. Por isso tinha inúmeros amigos.

De lavador de carros, passando por motorista de praça, chegou á condição de forte  empresário,nos anos 70 e 80, período em que se destacou como proprietário do Cine Teatro Eden e muito contribuiu com a cultura local.

Investiu no ramo comercial, com bares, revenda de automóveis, farmácias e lojas de autopeças, assim como na agricultura. Ultimamente mantinha uma borracharia no centro da cidade. Foi membro da Maçonaria, Rotary Clube e do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal.

O sepultamento de Fran acontece às 17 horas de hoje no Cemitério da Saudade, aqui em Ipiaú.O corpo será velado na Câmara Municipal.

Francisco Rocha Chagas,o Fran, fez sua historia de vida e pelos relevantes serviços que prestou à comunidade deste município,recebeu da Câmara de vereadores o titulo de “Cidadão Ipiaúense”.Seu nome fica na historia deste lugar.

José Américo Castro

José Mendonça: Ministério dos Transportes

JOSÉ MENDONÇA

Gostaria de ter trabalhado no Ministério dos Transportes mesmo sabendo que seria por pouco tempo. Meu pai dizia que eu era muito formal, alcançava longe, criativo, bom para delegar, mas não cobrava, a solução que encontrei foi contratar empresa de auditoria.

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou do primeiro ao último dia do seu governo (2.920 dias) recapeando, consertando, tapando buracos das rodovias que se desmantelaram nos governos que antecederam. Se na construção das rodovias houvesse qualidade nos projetos executivos, material, drenagem, fiscalização, planejamento periódico para recapeamento, o custo de manutenção seria abaixo do existente. O que vemos hoje nos locais que falta drenagem é a cada trimestre voltarem os buracos.

Nos países do primeiro mundo pavimentação de rodovias tem garantia de oito anos, no Brasil, oito meses se não houver chuva. Nunca li contrato, nem licitação, falo pelo que vejo nas rodovias e nas cidades.  Salvador, nas ruas e avenidas, a pavimentação é uma colcha de retalhos.

No município de Ipiaú foram asfaltadas em 2010 a Avenida Lauro de Freitas, saída para Jequié e Rua Juracy Magalhães (Ministério dos Transportes), o paralelepípedo já está todo aparente. Em 2011, asfaltada a Rua Dois de Julho (comércio) recursos de emenda parlamentar, gostaria de ver o projeto, orçamento e especificações. Chama atenção a má qualidade do asfalto, totalmente ondulado.

A BR 324, Salvador/Feira, foi pavimentada há quarenta anos. Viajava de Feira de Santana a Salvador lendo ou escrevendo, no governo de Dr. João Durval foi duplicada. Hoje, já privatizada, a trepidação parece estrada de barro sem manutenção, há ondulação, parece que estamos viajando numa lancha com o mar agitado.

O mesmo vemos na BR 116, trecho Feira de Santana/Jequié. Será que consta no contrato da empresa que ganhou a concorrência de privatização cláusula para recuperação e manutenção vinculadas à receita e lucro do pedágio? Não é possível ganhar dinheiro sem fazer investimento, a não ser através da corrupção.

O Deputado feirense, José Neto, levantou a voz, o admiro, temos coisas em comum, usamos o carro de som nas ruas para conversar com o povo com seriedade, sem mentir. Passaram a trabalhar nas BRs que faço referência, mas sem qualidade.

É lei a transparência na administração pública, o prefeito de Ipiaú não permite ao vereador, nem ao povo, acesso à documentação de todos os procedimentos licitatórios com receio de serem transformados em denúncias fundamentadas. A inspetoria do TCM não permite tirar cópia de documento. Precisamos do Ministério Público, Polícia Federal e estrutura física e de pessoal nos Tribunais de Contas para fiscalizarem in loco.

Publicado no Jornal A Tarde 07/02/12
JOSÉ MENDONÇA
joseandrademendonca@hotmail.com
www.josemendonca.org                                    Nº 281
Facebook: José Mendonça

RESPEITO AS DIFERENÇAS

Dia Internacional de Combate à Intolerância Religiosa – Respeito às Diferenças, vinte e um de janeiro, informado pela divulgação no Jornal A Tarde, estive presente. Vi muita coisa bonita, o auditório cheio de pessoas, faltando cadeiras, víamos nos olhos dos que estavam presentes o coração, o amor e a vontade de um mundo melhor.
Gostei dos pronunciamentos, vereadora Olívia Santana, Senadora Lídice da Mata, Deputado Federal Nelson Pellegrino, Senador Walter Pinheiro, Pastor Djalma Torres e Yalorixá Mãe Stella de Oxóssi. Para que o encontro fosse mais forte falaram Dr. Domenico Espinheira, Procurador-Geral da República, e Dr. Wellington Silva, Procurador Geral do Ministério Público da Bahia.
Frases dos pronunciamentos me chamaram atenção: “somos todos da raça humana”, “democracia, símbolo para buscarmos o melhor com todas as religiões e fé”. Tive muita vontade de pedir um minuto para fazer minha saudação, diria no lugar de respeito às diferenças, parabéns às diferenças. Nas discussões das diferenças com respeito, amor ao próximo encontramos melhor caminho.
Em 1995, publiquei o artigo Raça Negra, depois do encontro veio a vontade de republicar. O que mais tenho apreço é à pessoa humana e o que mais admiro é a inteligência, vivo procurando a verdade com a razão, verdade soma, a mentira é desumana.
Alguns convidados tinham outros compromissos, me chamou atenção o Procurador Geral do Ministério Público, Dr. Wellington Silva, ficou até o final, também fiquei, queria cumprimentar o maestro Letieres Leite da Orkestra Rumpilezz.
Apresentação da orquestra um verdadeiro espetáculo, “orgulho para a Bahia, tem se apresentado no Brasil e no exterior”, palavras da vereadora Olívia Santana. Cumprimentei o maestro Letieres Leite, dizendo que tinha fisionomia de gênio, o parabenizei pelo espetáculo.
A frase que mais me chamou atenção: “O governo precisa avançar cada dia mais para diminuir a desigualdade.” Costumo falar do valor da raça brasileira, credito ao sangue negro. O povo mais vibrante do mundo é o baiano, noventa por cento têm sangue negro, já dizia meu pai com admiração. Faltou e ainda falta no Brasil educação com qualidade, se não houvesse tanta corrupção, o Brasil já estaria entre as maiores potências do mundo.

PARÂMETROS

Lembro-me de um gerente de loja, Hereda Hereda, jovem, sangue espanhol, casado com brasileira, companheiro de trabalho e amigo, queria comprar um carro, falei: “primeiro comprar uma casa”. O Programa Minha Casa, Minha Vida é fantástico, obra prima do governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Presidente Lula melhorou a condição de vida da família do trabalhador, criou o Bolsa Família para os que não se alimentavam três vezes por dia, vinculando os filhos à escola, estimulou o esporte através dos projetos do Pintando a Liberdade e Segundo Tempo. Em 1999, percorrendo os bolsões de pobreza do país, disse: “eu vou ser presidente dos pobres”.

A visão do Presidente Lula lembra muito meu pai, sou de sua escola. De 1976 a 1987 fui empresário em Feira de Santana, Mendonça Supermercados, a empresa cresceu dando melhor condição de vida ao funcionário, clube social com quadras poliesportivas, campos de futebol, piscina, assistência médica com clínica dentro da empresa paralela à da Previdência Social. Quando o funcionário enfrentava problemas que dependiam de empréstimo fora da realidade de seu salário, era  atendido e lançado a fundo perdido.

O funcionário participava da administração e do lucro, alcançava mais de dezessete salários ao ano, melhor salário da região. Antecipávamos ao que tinha avaliação positiva, salário extra de férias e, em dezembro, décimo quarto salário. Parabéns ao Presidente João Goulart pelo décimo terceiro salário.

Pecuarista, quando faltava trabalho na área rural, inspirados em programa do governo federal, abríamos frente de trabalho na fazenda de Feira de Santana, com uma diferença, pagávamos salário integral. Hoje, na fazenda Oceania, localizada entre Ipiaú e Itagibá, temos também clube social para os trabalhadores com piscina, toboágua, três campos de futebol, sistema de parceria, metade da produção é do trabalhador.

O Presidente Lula desde o início de seu governo trabalhou em busca da independência do país, combateu a corrupção, não admitiu continuar dependendo do FMI, dívida externa e risco Brasil, equilibrou a balança de pagamento crescendo as exportações, baixou a taxa de desemprego; melhorou o salário mínimo, aprimorou programas sociais e criou muitos outros, conquistou a amizade e a confiança do mundo, ninguém vai tomar. O Brasil está com a economia forte para enfrentar a crise econômica que atinge países do primeiro mundo.

A Presidente Dilma, diz: “país rico não tem miséria, o trabalhador tem que ter sua casa própria”, retribui com firmeza as palavras do Presidente Lula fazendo um bom governo. Muitos presidentes ficaram na história, o Presidente Lula está no coração do povo, queremos a saúde do maior amigo que o trabalhador teve no Palácio do Planalto.

Admiro o Presidente Lula, a Presidente Dilma, o Governador Jaques Wagner e o nordestino, Deputado Federal Mário Negromonte, Ministro das Cidades, entusiasta dos programas do governo no Ministério.

José Mendonça – Artigo também publicado no Jornal A Tarde em 24.01.12

UM MUNDO MELHOR

Noites de 24 e 31 de dezembro de 2011 no meu sentimento desejei alegria para todas as pessoas do mundo, sinalizaria um Ano Novo bom. Os governantes não fugirem às suas responsabilidades, todos os países planejarem pensando no futuro das crianças e dos jovens, elaborando projetos para os próximos vinte anos, vendo a realidade: Desenvolvimento sem o aquecimento do planeta, sem fome, qualidade na saúde com exames preventivos através do SUS e dos planos de saúde, educação; tudo é possível barrando a corrupção. No Brasil temos um mestre, o ex-presidente Luiz Inácio Lula daSilva, sua vida é trabalhar para uma melhor condição de vida do trabalhador.

 O ex-presidente criou o Instituto Lula para promover a integração social, lembra Jesus Cristo que queria o melhor para o próximo. Importante que o Instituto cresça como foi sua vida no sindicalismo, na política e nos governos de 2003 a 2010, será bom para todos os povos do mundo. As pessoas do meu relacionamento que gostam do Presidente Fernando Henrique Cardoso debatem comigo, também o admiro.O ex-presidente Lula, mais patriota que político, deu continuidade a projetos dos governos que o antecederam, disse que Drª Dilma Rousseff faria um governo melhor, as pesquisas estão aí.

Acompanhei os governos a partir de John Kennedy, queria um mundo melhor para todos. Com o governo Juscelino Kubitschek, todos abriram caminho para um Brasil forte. O ex-presidente Lula deu lição ao mundo, não se governa sem olhar para os pobres. Importante a Organização das Nações Unidas, mas é necessário reunião com os governos de todos os países, independente de regime, cada um apresentar o que pode ser feito. Há governantes que só sabem agredir, pensar no poder e em armas nucleares. A vida humana não é para ser tirada, nem o planeta ser destruído.

A Bahia, berço do Brasil, tem o governador Jaques Wagner, companheiro de Lula há trinta anos, são parecidos. Tem também o Deputado Federal Mário Negromonte, seis mandatos contínuos, Ministro das Cidades, é admirado. Para o município de Ipiaú, destinou emendas parlamentares para obras importantes com seriedade.

 

Instituo Pensarfeira

 

A cidade princesa do sertão é conhecida no país pela história de seu povo. O Presidente Juscelino Kubitscheck esteve pessoalmente em Feira de Santana para abraçar o Sr. João Marinho Falcão, empresário da indústria, do comércio e líder político. A micareta tem sua história, se fazem presentes pessoas de todos os cantos do país. O Instituto PENSARFEIRA será um exemplo para o Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não nasceu em Belém, mas foi Deus quem o mandou, hoje é do mundo. Tem o mesmo pensamento de Jesus Cristo, fazer o melhor para o próximo, seu governo combateu a corrupção. No encontro internacional de combate à corrupção realizado em Brasília, o presidente Lula em seu pronunciamento falou que os prefeitos deveriam abrir espaço para a comunidade participar da administração para mostrar transparência.

Minha bandeira política é o combate à corrupção. Administrei Ipiaú oito anos, coincidentemente com a participação da jovem administradora de empresas Sandra Lemos e do povo. Sandra apresentava as contas em praça pública, para que os jovens participassem colocava trio elétrico e banda na Praça do Cinquentenário, como também apresentava ao Poder Legislativo e através de emissora de rádio, colocando a documentação à disposição da comunidade.

O Jornal Feira NoiteDia e seu presidente José Carlos Pedreira (Zé Coió) têm a cara de Feira de Santana, da autodeterminação do povo feirense. Fui empresário nesse município nas décadas de 70 e 80. Sou apaixonado pela cidade, suas avenidas, seu comércio, parque industrial, campo rural, sua caatinga, seu clima e o comércio de gado que nasceu junto com Feira. Gosto quando encontro uma feirense ou um feirense em Salvador.

Nas reuniões do Instituto PENSARFEIRA vejo o jornalista Cironaldo Santos que escreve para esta edição especial do Jornal sobre o projeto, falar com alma e coração da vontade que tem de fazer hoje tudo que o Instituto PENSARFEIRA pode com a participação do povo, o empresário Edson Piaggio escolhido por unanimidade para a presidência e demais diretores estão trabalhando com determinação. PARABÉNS ANIVERSARIANTES, FEIRA DE SANTANA 178 ANOS E JORNAL FEIRA NOITEDIA 13 ANOS.

Manifesto – Família Ipiauense

Política se faz com partidos, partidos com pessoas. Escrevo  através do site, Facebook e Jornal A Tarde mostrando que Ipiaú tem um dos governos mais corruptos do Brasil, comete crimes que estão impedindo o desenvolvimento do município e o futuro das crianças e dos jovens. Todos querem educação e saúde com qualidade e mercado de trabalho.

 Há um movimento no mundo contra a corrupção e graças a Deus nosso país está dentro desse movimento, vemos a presidente Dilma acompanhando com atenção, como também o governador Jaques Wagner. Não entendo porque o ipiauense não está também dentro desse processo. Espero que o PSD que tem pessoas que pensam como eu e tem apoio do PP e do PSC, se junte à família ipiauense e organize movimento para frear a corrupção e os crimes que o prefeito está cometendo com sua desastrosa administração. Entristeço-me quando vejo Ipiaú no retrocesso, não posso ficar calado. Vou para as ruas com carro de som conversar com o povo, espero que com isso façamos um movimento contra a corrupção.

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início de seu governo, preocupado com a corrupção, desemprego, o país precisando de recursos para tirar cinquenta milhões de pessoas da linha de pobreza que estavam passando fome, reestruturou a CGU – Controladoria Geral da União e apoiou a Polícia Federal que em parceria com o Ministério Público trabalharam muito para dificultar o roubo do dinheiro do povo. O governo da Presidente Dilma Rousseff está dando continuidade.

 Não sou filho de Ipiaú, a oposição me trata como forasteiro, mas não cruzo os braços com a corrupção. Quando presidente da Câmara a Empresa Afinco Consultoria e Assessoria LTDA auditava as contas da prefeitura na Inspetoria Regional do Tribunal de Contas dos Municípios. Deixei a presidência em  janeiro de 2011 e contratei a mesma empresa para continuar auditando, pago com recursos próprios. As contas de 2009 foram rejeitadas, estou informado que o desperdício e a corrupção foram muito maiores em 2010 e continuam em 2011.

 O prefeito,  vendo a grandeza do projeto do Parque da Cidade, achando que José Mendonça cresceria politicamente, mandou devolver o terreno que havia sido desapropriado pelo judiciário e aprovou construção de casas. O projeto tem seis campos de futebol tamanho oficial, quatro quadras poliesportivas, concha acústica coberta para três mil pessoas, uma praça, vila olímpica, rua da música com vinte casas para bares, lanchonetes, pequenas casas de show. Deixamos dois campos construídos com arquibancadas e vestiários, um lago com duas pistas para cooper e ciclismo, investimento de um milhão e meio de reais, estão abandonados,  emenda parlamentar do Deputado Mário Negromonte.

 Sandra Lemos deixou quatro milhões de reais para fazer uma avenida que liga a BR 330 à BA 030 com pista dupla no perímetro do parque da cidade, canteiro central e passeios, também emenda do Deputado Mário Negromonte. Os recursos estão sendo manipulados, fizeram um aterro e no lugar da avenida estão fazendo uma rua estreita. Não sei como vão conseguir passar pela fiscalização da Caixa Econômica, quando eu estava no governo me impressionava como a Caixa acompanhava as obras, media a movimentação de terra. É preciso que o Ministério Público, a Polícia Federal e o Tribunal de Contas apurem para onde está indo o dinheiro.

 Permitir a construção de um posto de combustível em espaço público para atender interesses de empresários, políticos ou daqueles que estão na prefeitura, não é possível. A família ipiauense deve reagir. Os vereadores, com exceção dos três que apóiam a corrupção, denunciaram ao Ministério Público e a obra continua mesmo sem licença ambiental. Já fui três vezes ao Ministério Público em Ipiaú, mas não tive a satisfação de encontrar a Promotora Patrícia Silva Moreira, pessoa que admiro, me ajudou nos meus dois governos a implantar a moralidade administrativa. Irei pela quarta vez ao Ministério Público em Salvador.

 Quando assumi o governo o matadouro frigorífico estava sendo interditado. Graças à sensibilidade da Promotora não aconteceu. O governo do Estado, em minha gestão, disponibilizou recursos para reforma e compra de equipamentos. Semana passada visitei o matadouro com o presidente da Câmara Raimundo Menezes Moreira, verificamos que os equipamentos adquiridos estão abandonados. Pedi ao Secretário de Agricultura do Estado, Dr. Eduardo Salles, que mandasse levantar como foi aplicado o dinheiro e como se encontram os equipamentos. Interditar o matadouro representa desemprego e o consumidor pagar carne mais cara porque o gado será abatido em Jequié.

 Deixamos projeto importantíssimo para o desenvolvimento do município, uma área para nascer o distrito industrial. Foi grande minha luta e de Sandra Lemos para que a Secretaria de Indústria e Comércio do Estado fizesse o projeto para urbanização da área, está abandonado, como também o projeto do anel rodoviário, o relator, Deputado João Leão colocou no orçamento da União. Não permitimos loteamento no terreno atrás da rodoviária para construção da universidade. São onze municípios circunvizinhos, seria uma grandeza para a região. A atual administração autorizou loteamento e em metade do terreno estão construídas casas residenciais.

 O prefeito é um desumano, está apenas voltado para seus interesses pessoais. Se for feito levantamento da condição econômica do mesmo antes de assumir a prefeitura e atualmente, só a Polícia Federal poderá ver se houve enriquecimento ilícito, não é incomum prefeitos usarem pessoas e empresas como laranjas.

 Quando assumi o governo a receita do município era um milhão de reais por mês, hoje cinco milhões. Encontramos o município devendo o valor equivalente ao orçamento de dois anos, pagamos todos os débitos com exceção da previdência social, o acordo foi para vinte anos. Compramos patrulha mecânica, sete ônibus, trinta veículos. O atual prefeito sucateou a frota para beneficiar terceiros alugando veículos acima do valor real.

 Fizemos um governo sério junto com Sandra Lemos, secretariado noventa por cento mulheres. Cuidamos da saúde, educação, infra-estrutura, implantamos moralidade administrativa, valorização do dinheiro do povo, corrupção zero com transparência total. Apresentávamos as contas em praça pública e colocávamos a documentação à disposição da comunidade. A família ipiauense deve se manifestar e exigir transparência, apresentação das contas e acesso à documentação. Em municípios no sul do país, prefeitos e vereadores foram levados para a cadeia diante da manifestação do povo.

 Se não existissem o Ministério Público, a Polícia Federal e o Poder Judiciário eu cruzaria os braços, importante a manifestação popular, chama atenção. O que mais tenho vontade é que o Ministério Público e a Polícia Federal abram as contas de nosso governo e do atual para ver como administrávamos o dinheiro público e como está sendo administrando. O TCM rejeitou as contas da prefeitura de Ipiaú 2009, em primeira instância, com o pedido de reconsideração aprovou. Prefeito quando faz malandragem se especializa em defesa enganosa, se o Tribunal de Contas tivesse pessoal para fiscalizar in loco, não teria aprovado.

 A CGU sorteia 720 municípios por ano para fiscalizar in loco. Festejamos quando Ipiaú foi sorteado em 2004. O Ministro do Controle e da Transparência, Dr. Waldir Pires, mostrou nossa correspondência que dizia da nossa satisfação em receber os auditores da CGU para o Presidente da República e o mesmo disse que queria ver o laudo. Após o trabalho da CGU recebemos relatório constatando que implantamos corrupção zero. Dessa data para cá, com o exemplo que Ipiaú deu, tivemos o maior apreço do presidente Lula.

 

 

 

 

Augusto Saraiva: Perdemos a luta

AUGUSTO SARAIVA - JORNAL INFORME

Mais uma vez, nós vivemos dramas que nos apanham, não desprevenidos, mas bestificados. Este cidadão que careceu, por boa parte da sua vida, da caridade pública. Não por preguiça ou desmazelo, mas pelo problema que lhe afligia. Toda Ipiaú viveu o drama de Jailton. Seu corpo se dilacerando, seus membros sendo amputados para aliviar, nuns poucos momentos, sua companheira diuturna… A dor!

Muitos cidadãos de Ipiaú foram, em diversas vezes, em seu auxilio, levando o remédio, o alimento e o mais importante: a palavra, que muitas vezes, foi de maior valia no alivio do seu sofrimento.

A Rádio Educadora: do seu proprietário aos funcionários sempre se colocaram a sua disposição; os Blog’s de Ipiaú sempre abriram suas baterias à seu favor; Igrejas, pessoas do povo sempre acorreram a seu auxilio; o Clube do Amigos, foi sensível e lhe deu uma casa para a dignidade de sua família. A administração passada teve um carinho especial com o Jailton; o esforço de Egildo, Pedro e Raimundo Paraguai, servem para sintetizar a amizade e solidariedade que uniram Jailton ao povo de Ipiaú.

Jailton faleceu, será sepultado, mas será lembrado pela sua valentia, sua vontade de viver e acabar de criar os seus filhos e continuar o amor e solidariedade que lhe uniam a D. Patricia. De uma coisa, no entanto, temos convicção, é que o seu espectro estará presente em três lugares em Ipiaú: Gabinete do Prefeito, Secretarias de Saúde e Ação Social, pois o abandono dispensado a Jailton será a pedra sal dos seus titulares.

Augusto Saraiva

Elinalva Bastos: A realidade da cultura de Ipiaú

Elinalva Poster 1
A realidade de Ipiaú. A cultura popular ou mesmo a acadêmica não tem espaço para se manifestar em nossa cidade. Não há políticas públicas voltadas para a cultura, a arte ou qualquer outra manifestação popular que não seja futebol, essa sim, é a única que recebeu literalmente as luzes que provavelmente iluminarão os votos dos atletas menos esclarecidos da nossa cidade.

Dona Maria ou CELSA PAIXÃO, mulher, negra, servidora pública aposentada, completará no próximo dia 07 de fevereiro 62 anos; conheceu as primeiras letras com os avós Pedro e Maria Paixão; mesmo alfabetizada depois de adulta, foi e é uma mulher preocupada com o povo e por isso sempre militou nos movimentos sociais, políticos e religiosos. A poesia é seu dom.

Mãe de 09 filhos e muitos deles hoje com nível superior de escolaridade (advogada, antropólogo, Assistente Social), que juntos conseguiram editar e lançar em São Paulo seu primeiro livro – POESIAS PARA UM TEMPO GASTO*. Poesias escritas entre os anos de 1992 a 2010.
Esse livro cujo lançamento se deu na cidade de São Paulo em agosto de 2011, teve a crônica SOFIA, premiada pela UNEB-Ipiaú; crônica linda, emocionante! Quanta sensibilidade, quanta arte!
E, em Ipiaú nada se vê, nada se sabe, nada se comenta. Tudo falta para a cultura. Sem incentivo, sem apoio, sem divulgação, nossos e nossas artistas continuam vivendo na marginalidade cultural; são escritores, pintores, músicos, dançarinos, atores, coral, banda marcial, que quando encontram uma forma de expressar a sua arte não conseguem espaço, nem projetos por parte dos poderes públicos.
Nossos artistas merecem respeito e apoio. O segundo livro de Dona Maria está no “prelo”. Praticamente pronto; salvo em seu computador, está a espera de ajuda financeira para vir “à luz”
Para que serve uma Secretaria de Cultura que não enxerga e não promove os valorosos artista da cidade?
Adoro futebol, sou favorável a iluminação do campo do Arara, como também quero ver construídas várias quadras poliesportivas nos bairros, mas preciso registrar minha indignação com a completa falta de “luz cultural” na atual administração do nosso município.
Elinalva Bastos

 

Mel Jaqueira: Psicanálise e Amor

MEL NO JORNAL INFORME

Escrever sobre o amor é um desafio… Penso no pai da psicanálise, o austríaco Sigmund Freud (1856-1939), quando ele nos diz que não é fácil falar cientificamente dos sentimentos e que só é possível se for para falar dos efeitos físicos que estes nos provocam, ou então, que temos de recorrer ao campo das idéias a que os sentimentos nos remetem ou sugerem ao pensamento.

Porém, dessa forma, a psicanálise desvela o amor ao tentar compreendê-lo ou explicá-lo quando, em seu discurso, o amor é concebido próximo ao Eros filosófico ou amor platônico e do amor cortês ou romântico, a partir da idéia de que – a maioria das pessoas espera com o amor encontrar a felicidade e afastar o sofrimento.

Para Freud uma atitude psíquica desse tipo chega a todos nós de forma natural através do amor sexual. Fundamentado sobre a descoberta feita pela humanidade de que o amor sexual ao proporcionar as mais intensas experiências de satisfação fornece-nos “o protótipo de toda felicidade”, o autor afirma que um grande número de pessoas tende buscar a felicidade seguindo o caminho das relações sexuais, tornando o erotismo genital o ponto central de suas vidas, “buscam toda satisfação em amar e ser amado”.

O autor aponta para a possibilidade e risco dessas pessoas de se tornarem perigosamente dependente de seu objeto amoroso, expondo-se a um sofrimento extremo, “caso fosse rejeitado por esse objeto ou o perdesse através da infidelidade ou da morte”. Muito embora, prossegue Freud, já tivéssemos sido advertidos pelos sábios filósofos contra esse modo de vida, muitos de nós ainda assim o prefere.

Freud parte da idéia do “princípio do prazer” para explicar que o sofrimento, inerente à condição da vida humana, oriundo das limitações do próprio corpo sujeito às doenças, envelhecimento, ansiedade; das intempéries do mundo externo; e das relações com os outros, faz com que todo ser humano busque na felicidade a ausência de sofrimento e, ou, sentimentos de prazer. Segundo o autor, uma satisfação irrestrita de todas as necessidades apresenta-nos como o método mais tentador de conduzir nossas vidas, no entanto, prossegue, isso significa colocar o gozo antes da cautela, o que pode vir acarretar um sofrimento. Assim, “o princípio do prazer, sob a influência do mundo externo, se transforma no princípio da realidade”.

Ao elucidar sobre as relações ambíguas e conflituosas entre a civilização e o amor, em 1930 Freud reconhece no amor um dos fundamentos propulsores da civilização, e o identifica além de sexual, como familiar e universal. Nos fala de uma disposição para o amor universal como sendo outra forma de encontrar a felicidade no caminho do amor. Em busca da felicidade independente da aquiescência do seu objeto, as pessoas se voltam não para objetos isolados, mas para a humanidade, deslocando o que mais valorizam do ser amado, para o amar, assim protegendo-se contra a perda do objeto, evitando as incertezas e as decepções do amor erótico, desviando-se de seus objetivos e transformando a pulsão sexual em finalidade inibida, ou seja, sublimando-a para amar universalmente.

As perspectivas freudianas do amor como um dos métodos buscados pela maioria das pessoas contra o sofrimento humano, e, do amor como um dos fundamentos da civilização constituída em detrimento do prazer sexual, não são todos os aspectos que a psicanálise nos leva a conhecer. Freud já em 1910 fez suas Contribuições à Psicologia do Amor, enfocando os diferentes tipos de relações do amor sensual entre as pessoas, observando “comportamento semelhante em pessoas de saúde normal ou mesmo naquelas de qualidades excepcionais”.

Para falar de amor é inevitável falar sobre outro sentimento comum nas pessoas, um sentimento que se manifesta como um enorme vazio, e até como uma dor física no peito. É quando perdemos algo ou alguém que amamos, ou quando há transformações do próprio desenvolvimento – e isso envolve algumas perdas – e nos deparamos com o novo, o desconhecido, a mudança. Nesse sentido perdemos a nossa condição antiga e vamos ganhando uma nova forma. Como uma transformação, aprendemos a renovar a nossa condição de ser e estar, e é por isso que algo assim tão delicado nos faz sentir desamparado, vulnerável, inseguro, diante do desconhecimento da novidade. Estamos falando do sentimento de angústia que se manifesta diante da perda do objeto amado, e da nossa ansiedade mediante a falta. Esse sentimento está relacionado muitas vezes com o que conhecemos na psicanálise como melancolia, e na medicina como depressão, considerada muitas vezes como o “mal do século XX”.

A psicanálise aborda sobre o amor ainda como uma proposição inquietante também para a ciência e para uma sociedade na qual o amor, é o que está mais distante de nós, pois o discurso capitalista reina. Nesse sentido o amor é consumo. O consumismo desenfreado busca tamponar a falta, o vazio, causado por separações muitas vezes necessárias, para o estabelecimento das diferenças individuais, da independência, da autonomia.

A elaboração do amor exige um deslocamento do puro prazer para o pensamento, a linguagem, a convivência. Uma das linhas mestras para nos levar à esta compreensão é pensarmos na relação entre indivíduo e sociedade. A idéia freudiana de que “a civilização se constrói sobre uma renúncia ao instinto”, resulta que “os prazeres da vida civilizada vêm num pacote fechado com os sofrimentos, a satisfação com o mal-estar, a submissão com a rebelião”, causas inevitáveis do mal-estar na cultura. Esses mal-estares resultaram do “excesso de ordem e sua inseparável companheira – a escassez de liberdade” – nos diz o autor Bauman, sociólogo e filósofo contemporâneo, em seu livro cujo título, parodiando Freud, ele intitulou de O mal-estar na pós-modernidade. No entanto, afirma Bauman, quando na modernidade “o homem civilizado trocou um quinhão de suas possibilidades de felicidade por um quinhão de segurança”, na pós-modernidade, “os homens e as mulheres pós-modernos trocaram um quinhão de suas possibilidades de segurança por um quinhão de felicidade”. Ou seja, a liberdade do prazer é uma conquista do indivíduo na sociedade contemporânea. “A liberdade individual, outrora uma responsabilidade e um (talvez o) problema para todos os edificadores da ordem, tornou-se o maior dos predicados e recursos na perpétua autocriação do universo humano.

Porém, outro problema se manifesta quando, na sociedade capitalista o consumo do prazer é super valorizado em detrimento das possibilidades do sujeito existir em sua falta, tornando-se escravo do mercado.

Para o psicanalista baiano Jairo Gerbase, o amor é demanda, porque é a tentativa de suprir a falta no outro o que condiciona a demanda como demanda de amor. O amor demanda o amor. Por isso o prazer por si só não é o amor. Isso quer dizer que apenas o gozo não equivale ao amor. É nesse sentido que a sociedade capitalista, na imposição da satisfação sem limites, confunde amor, desejo e gozo.

Visto pela perspectiva do psicanalista argentino Alberto Goldin, o amor é um modo de disfarçar a solidão, é uma mentira, uma ilusão que nos faz muito bem, mas na verdade não existe. Ao questionar-se onde está realmente o amor, ele o situa como a causa das pessoas ficarem juntas. Mas então o que é mesmo o amor? Responde que o amor é o suporte da ilusão de ser, que ele nos suporta e sem ele somos insuportáveis. Às vezes se rompe. Nesse momento pode-se vê-lo tal como é… Inexistente.

Já o psicanalista e colunista da Folha de São Paulo Contardo Calligaris, para ele, o amor tem que ser muito claro, porque o mal-entendido pode ser brutal. É uma relação em que o outro me transforma, mas não da maneira que ela ou ele queria me transformar, é uma relação em que o outro nunca me adoece. Ou seja, nunca acha que estou louco ou doente por causa dos desejos que eu tenho. É uma relação que o outro tem o maior carinho pelos meus sonhos e minhas ambições, no sentido mais amplo dessa palavra. Para esse psicanalista, o amor é bastante incondicional e confiança absoluta não tem nada a ver com ciúme e traição. Mas o que acontece em nosso repertório é que o amor sem medida é a paixão romântica no sentido menos interessante. Em que o outro seria a coisa que completa você.

Diante das idéias psicanalíticas podemos conceber o amor por um lado, como o amor que ainda se conserva na qualidade de romântico, erótico, cortês, ou seja, nesse sentido, o amor é uma ilusão que nos sustenta. Por outro lado, o amor como suplementar, em que cada um é inteiro, independente, bem resolvido, também não deixa de ser um ideal do amor, mas que sem isso o amor seria insustentável. O que faz a diferença é, com a indispensável presença do outro, saber ser e conviver também, com a falta.

Psicanálise e Cultura

Ao refletir sobre o ser humano e em sua implicação como fazedor de cultura, trago este tema agora na perspectiva da psicanálise. Psicanálise e Cultura – é uma reescrita do texto – O Canto do Povo de um Lugar – apresentado na VIII Jornada da Sede Psicanálise de Salvador, em 2004.

A Casa da Cultura de Ipiaú motivou este tema. A arte em Ipiaú é fértil. Não são poucos os artistas da terra. Temos também o Museu do Lavrador, patrimônio histórico do município, criado por Euclides Neto que convocou a comunidade para a formação do seu acervo histórico, na época (1982) em torno de 136 peças, entre estas a “cabeçada”, o “silhão”, as cerâmicas utilitárias e decorativas, o pilão de café, a prensa de fumo, um painel do Cine e Teatro Éden, os instrumentos musicais da primeira Filarmônica, a produção literária, fotográfica e jornalística.

 Cada povo de um lugar cultiva o seu modo de viver, seus trabalhos, costumes, tradições e inovações. Alguns cultivam letras, outros músicas, artesanatos, idéias… Como uma composição de tudo aquilo que constitui uma sociedade, cultura não só é memória, linguagem, educação, arte, comportamento, gestos, saberes e fazeres de homens mulheres e crianças, como também é tudo isso de modo que, uma vez apreendido, permite o humano chegar a conhecer alguma coisa sobre si, o outro e o mundo, constituindo-se como um sujeito, numa rede de significantes e significações, possibilitando assim o reconhecimento da identidade e diversidade cultural na comunicação com o outro.

 Assim, estamos nos referindo à “cadeia simbólica”, termo cunhado da psicanálise, na qual o sujeito se constitui nos laços sociais. Citando o professor e sociólogo Eugene Enriquez, “desde os tempos primórdios os povos souberam encontrar no ‘de- fora’ o de dentro, na natureza o social, nos outros, a si próprio. Por esse vínculo, as pessoas elaboram suas relações não somente com o meio ambiente, mas também e principalmente, elaboram suas relações entre si”.

Considerando que as culturas só podem existir através dos encontros entre os seres humanos, na perspectiva da psicanálise, isso significa a existência de um “vínculo libidinal”, isto é, uma forma de ligação entre as pessoas, através de sentimentos como identificação, amor, solidariedade, hostilidade… O outro não é um ser indiferente no sentido de que não provoque em nós nenhuma emoção ou sentimento.

Ao reconhecermos o vínculo social nas manifestações da cultura, consideramos dois aspectos do problema da alteridade, em que a cultura se manifesta na relação com a natureza e na construção da comunidade, mas também na disputa, na competição, no ciúme, na briga. É essa mistura da ordem e da desordem, da luta e da brincadeira, da lei e da transgressão, do sagrado e do profano. No texto ao qual me refiro O Canto do Povo de um Lugar, a expressão “O Canto” são as falas das pessoas, entre o lamento e a alegria, o próprio canto das crianças, são as manifestações dos habitantes de Ipiaú, que ecoam pela cidade. Canto acrescido do silêncio da Casa da Cultura ávida por registros e cheia de memória.  A cultura vive nos valores culturais das nossas raízes, que se manifestam nos encontros entre as pessoas.

 A arte é também a vida genuína dos cânticos das roças de cacau, das casas de farinha e dos alambiques; das mãos que modelam o barro; nos versos e prosas dos poetas, nos sons das partituras da Filarmônica; nas obras românticas, abstratas, realistas e pós-modernas dos artistas, escritores, músicos e cantores da terra. Acordamos para o sol nascente todos os dias e choramos quando não damos conta do inexplicável, do irredutível, do desconhecido, da morte… Mas também nos alegramos, dançamos, criamos histórias, poesias, música, cantos, quimeras. Produzimos, reciclamos e transformamos os objetos em arte, nossa voz em canto.

 Fazer cultura é isso.

 Uma Casa voltada e criada com e para os fazedores de cultura fundada em 1989, com objetivos de contribuir para a realização de eventos, cursos e oficinas, procurando valorizar os artistas da terra e motivar a população com apresentações e temporadas de arte, concursos de poesias, festivais de teatro, manifestações folclóricas, lançamentos de livros e revistas. Hoje a entidade existe com quem canta o sol de todo dia, entre as causas e azares de pretender arte e cultura. A cultura não tem casa, são os nossos espaços abertos que também se fecham. A Casa da Cultura não tem casa, perdeu o seu espaço porque ainda o poder público não cumpre (ou não alcança o como cumprir) com a sua parte de subsidiar e apoiar a cultura. Existe um museu que guarda a origem da nossa história e cultura. É preciso preservar, é preciso cuidar. É preciso que os artistas e outros se movimentem no sentido de não perder essa jóia rara, essa sim, é uma mina de valores humanos: o coração de Ipiaú, a nossa casa, a nossa cultura.

 

 

Cezário Costa: Busca da qualidade dos gastos públicos

cezário costa

Nas sociedades modernas e desenvolvidas, o que se deseja e exige é o retorno dos impostos pagos em forma de obras e serviços qualificados com preço justo que agreguem conhecimento e qualidade de vida, ou seja: todos estão sempre atentos à eficiência dos gastos públicos.

Somos um país de baixa qualidade dos gastos públicos. Mesmo com avanços, ainda damos pouca prioridade em investimentos como Educação, Saúde e Saneamento Básico. Existem estudos que demonstram perdas ( ou desvios ) de pelo menos 30% de todos os investimentos públicos implementados no Brasil.

Em Ipiaú, são evidentes as seguidas demonstrações de despreparo do atual prefeito na gestão dos recursos públicos. O que queremos é eficiência na qualidade dos gastos e percebemos que isso não existe, senão vejamos:

1- Todos desejamos e aplaudimos compra de fardamento escolar por preço justo. Em Ipiaú no ano passado nesta administração valores que poderiam ter sido efetivados em aproximadamente 100 mil reais foram pagos em exorbitantes 454 mil reais, num claro sinal de desperdício de dinheiro público.

2- Quem não deseja em sua comunidade uma limpeza pública eficiente e eficaz com preços justos?  A atual gestão, de forma muito “generosa”, paga mais do que o dobro pelos mesmos serviços executados na gestão anterior. Evidente que isto é desperdício de dinheiro público.

3- Numa comunidade civilizada todos desejam o seu espaço de entretenimento e lazer ser executado com os recursos aplicados da forma mais correta possível.  Estamos observando acontecer de tudo, menos a construção do Parque da Cidade ( para onde foram destinados recursos em torno de 3 a até 8 milhões de reais ). Mais um claro sinal de desperdício do dinheiro da nossa população.

4- Numa cidade do porte de Ipiaú não se pode gastar tanto com locação de carros ( em agosto de 2011: R$ 225.575,12 ) e combustíveis ( em agosto de 2011: R$ 121.246,49 ) como vem acontecendo. Para efeito comparativo, tenho uma frota de quarenta equipamentos ( autos, caminhões e carretas ) e vinte e cinco motocicletas rodando diuturnamente nas revendas de Ipiaú e Santo Antônio de Jesus a um custo médio mensal em combustíveis de R$ 73.000,00.  Esta situação só nos leva a ter absoluta certeza de mais um flagrante desperdício do dinheiro público.

Não tenho dúvidas de que temos que desenvolver políticas públicas que gerem conhecimentos e qualidade de vida para a nossa população, respeitando sobretudo a aplicação eficiente dos recursos públicos do nosso município.

Abraços,

Cezário Costa

Não apoio a reeleição do prefeito de Ipiaú

Nas eleições municipais de 2008, buscando desenvolver novos projetos políticos administrativos, construímos, a partir do PMDB, uma grande aliança com nove partidos políticos e elegemos Dr. Deraldino, prefeito de Ipiaú. Gostaria muito de estar mobilizando as lideranças e o povo do meu município para marcharmos unidos para a sua reeleição, mas o prefeito não merece, pois, além de ter revelado uma face extremamente autoritá-ria, quebrando os compromissos de gestão participativa, foi bastante desleal com os seus companheiros, a exemplo de Jaldo Brandão, vereador que conquistou expres-siva margem de votos na eleição passada.

Houve grande e injustificável desconforto no trato com representantes municipais do PC do B, durante o triste episódio da gestão da Seleção de Ipiaú no Campeonato Intermunicipal de Futebol. Lembramos ainda, o desligamento do empresário Eritan Costa, o qual fazia a limpeza pública de nossa cidade, sempre recebendo elogios pela sua competência. Neste episódio foi contratada uma firma estranha ao nosso dia a dia, com valores dobrados – R$273.000, contra o gasto mensal anterior de R$ 136.000,00, em relação ao que a empresa de Eritan Costa recebia.

O atual prefeito foi por demais desleal com companheiros como Paulista, Jobaldo e demais lideranças que sempre o acompanharam em outras campanhas fracassadas. Foi também desleal no episódio da tomada do PMDB municipal, quando na ‘‘calada da noite’’, fez ameaças junto à executiva estadual do partido, pressionando esta a me destituir, entregando-lhe a presidência, caso contrário, estaria pronto para se mudar para o PSD.

A situação mais grave que constatamos porém, é a sua gestão feita de forma absolutamente improvisada, com um secretariado sem autonomia orçamentária sequer para comprar um parafuso. Não desenvolveu-se um projeto sério de políticas públicas, nem mesmo nos setores estratégicos para a nossa comunidade como Saúde e Educação, os quais são destinadas verbas específicas.

Percebemos que na pasta municipal da Saúde, comandada pela esposa do prefeito, até mesmo remédios tem faltado nos Postos de Saúde da Família, situação comum no ACM. Na Educação, a população estarrecida tem acompanhado o desenrolar de uma licitação extremamente generosa para a compra do fardamento escolar das crianças, no qual foram destinados R$ 490.000,00 para a aquisição de 10 mil camisas de malha, saindo cada camisa por R$ 49,00, quando sabemos que o valor de mercado de uma camisa do tipo, oscila em torno de R$ 10,00.

No momento em que Ipiaú busca dar passadas largas no caminho do seu desenvolvimento, torna-se necessário desenvolvermos políticas públicas responsáveis nas áreas de Saúde, Educação, Ação Social, capacitação técnica da nossa juventude, geração de empregos e uma gestão voltada para o ordenamento e desenvolvimento da nossa
expansão urbana.

Para respaldarmos um projeto político dessa envergadura é necessário construirmos um grande arco de alianças com todas as forças políticas contrárias a esta reeleição, a fim de derrotarmos um projeto político autoritário, egoísta, sem transparência e que carrega no perfil um alto grau de desconfiança por parte da nossa população.
Por último, com a responsabilidade que tenho para com a minha família, amigos e toda a população de Ipiaú, afirmo que jamais daria apoio a um projeto político tão questionado por todos

Nesmar Andrade: Ser humano de verdade

nesmar

Há pessoas que passam pela Terra e quando nos deixam fica um imenso vazio. O espaço nunca é preenchido. A tristeza pela perda é imensurável. A dor pela sua ausência é contínua. O que nos leva acreditar que ele não partiu, é apenas uma viagem. A sua presença era tão constante, tal o seu afã em melhorar a vida do outro e do planeta, que a sua partida nos faz refém de sua falta. Ficamos à deriva, como diz o porta Zeca Baleiro, “ barco sem porto, sem rumo, sem vela…”  A sua marca no mundo e nas pessoas é tão profunda, que nos dá a esperança de que a qualquer momento ele retornará, sorrindo, irradiando alegria, e com suas fortes convicções nos motivará a participar da mudança por um mundo mais justo.

Essas pessoas deveriam ser eternas. Ou então partirem depois de nós. A importância delas no mundo é muito significativa! São seres de luz. Luz de paz. Luz de amor. Luz de justiça. Luz de ética. Luz de solidariedade. Luz de amizade. Nós não conseguimos prever o futuro e saber que alguns seres nos deixam prematuramente.  Acreditamos, dada a sua marcante atuação, que compartilharemos deles durante toda nossa existência. Quando ocorre a partida tão cedo, ficamos perdidos e questionando ao Deus. Por quê? Fatalidade?  O acaso? Qual o porquê de nos deixar?  Nenhuma resposta preenche a lacuna.  Fica sempre a saudade.

O jornalista e amigo, Zé Américo, escreveu sobre uma dessas pessoas que nos deixou muito cedo e que marcou sua passagem na Terra por atitudes dignas de um verdadeiro cidadão. É difícil falar sobre alguém que parte. Mais ainda quando se trata de um ser humano tão próximo! E quando essa pessoa é um amigo, as palavras não fluem. Não encontro palavras para explicar a sua importância como ser humano, como companheiro, como homem-pai, como homem-filho, como cidadão, como político.  Parabenizo Zé Américo por ter escrito sobre esse amigo que partiu, pois apesar de sempre se lembrar dele, com carinho e saudades, não consigo expressar em palavras. Já foram três anos, parece que foi ontem.

Para a família fica a dor imortalizada. Dona Heloísa chora todos os dias e quando fala do filho é como se ele estivesse presente. Seu Adil chora no seu silêncio.  Com o irmão a relação era muito estreita, apesar de morarem em lugares distintos. Havia uma relação muito fraterna. Os filhos, Paulo, Tom e Felipe, têm muitos valores do pai.

A cidade perdeu um cidadão que amanhã poderia governar Ipiaú. No Legislativo a sua presença foi marcada pela ética, pela coerência, pela coragem e pela sensatez. Virtudes que vemos em poucos políticos. São raríssimos aqueles que têm tais atributos. O pouco tempo que ficou à frente do hospital, fez uma reforma geral. Reativou o Centro Cirúrgico, conseguiu ambulância e buscou humanizar o atendimento.  Vivia e dormia pensando em política. Era quem mais personificava o PT – Partido dos Trabalhadores. Não consigo enxergar o PT sem a sua presença.  Pensava sempre no melhor para o cidadão. O povo de Ipiaú merecia tê-lo como Prefeito.

Como ser humano era bastante presente. Seguia os ensinamentos de Cristo. Sempre se colocava no lugar do outro. Respeitava as diferenças. Praticava a alteridade. O amor ao próximo era o seu lema.

Saudades do amigo, companheiro e irmão Adílson Duarte. Ser humano completo.

Nesmar Andrade

Deraldino Araújo: Espaço do prefeito

0DD

Este espaço é destinado para textos e intervenções públicas do Prefeito de Ipiaú Deraldino Araújo.

Em breve!

Raimundo Menezes: Presidente da Câmara

presidente raimundo

Espaço reservado para textos e intervenções públicas do presidente do Poder Legislativo de Ipiaú Raimundo Menezes.

EM BREVE!

Kaike Lamoso: Pedra 90

KAIKE LAMOSO

PEDRA 90

Amigo é essa coisa que a gente rega todo dia e cresce.

E no dia seguinte a gente planta novamente.
E daí cresce e multiplica.

E daí fica, encosta no peito e protege, joga pro alto e apara, não acaba.
Não dá cabo de tanto esperar pra ver de novo.
Num amanhecer lá em cima do morro, uma viola encantada toca a música dos nossos sonhos.
É essa coisa erguida em sólido alicerce, que não entorta nem cede a qualquer brisa.
E imponente nossa arquitetura se ergue.
No horizonte onde a manhã esclarece, a nossa vida prossegue plena e iluminada pela amizade deles…

INVENÇÃO

Quem inventa o amor, o faz em desvario, e por vezes sofre ao vê-lo mínimo, parco e desbotado.

Quem inventa uma felicidade, desespera-se ao vê-la falsa e sem sabor numa tarde vazia.

Quem inventa um conto, aumenta um ponto, dá nó em pingo de éter e tem o que dizer quando for avô (a).

Quem inventa a si mesmo surpreende-se ao ver-se vistoso e revigorado.

Quem inventa de ser o que não é, sorri ao não reconhecer-se no espelho, mas logo dá com a cara no chão e os burros n´agua.

Quem inventa a dor, frustra-se ao perceber que sua dor é menor que a do outro, e que as do mundo desatinam a doer sem medida.

Quem inventa o dia, um pôr-do-sol lilás, borboletas azuis num voo suave, uma orquídea no meio da mata;

Quem inventa a mata e as árvores frondosas com bichos nas galhas;

Quem inventa a paz, a liberdade, o desapego;

Quem inventa Deus e o Diabo numa terra sem sol;

Quem inventa a paixão, o contrário, a solidão;

Uma praia deserta e a gente deitado nela;

A canção, uma oitava acima de todos nós;

Quem inventa uma nova saída, um lugar para boas ideias;

Quem inventa de ser teimoso e acha o caminho das pedras;

Quem inventa de morrer e passa pro lado de lá;

Quem inventa o mundo, o absurdo de acharmos que somos únicos;

Quem inventa eu, você, outrem, outrora, a hora, agora;

Quem inventa é sábio. Tem alma de criança e espírito livre.

Porém, quem nada inventa, nada vive.

Quem nada inventa, já morreu.

 Joelma pode ser qualquer um

Um drama baiano com caráter universal. Uma personagem única, mas que representa muitas outras que lutaram e ainda lutam por dignidade. Um filme com cara, cheiro e gosto de um cinema que vale a pena ver. Um cinema verdade, de pelecrua e ferida aberta.  Assim é Joelma: intenso! Um filme que te conduz a emoções extremas.Você assiste com suor nas mãos, músculos contraídos e sorriso no rosto.

A identificação com a história da personagem ocorre de forma natural e espontânea, sem exageros ou hipérboles em cena. A atuação de Fábio Vidal é magnífica, daquelas que faz você confundir ator e personagem. A qualidade das imagens, o som limpo e uma fotografia equilibrada, dá a Joelma ares de uma grande produção. É um filme chocante,contemporâneoe, principalmente, humano.

João, Leonardo, Firmino, André, Lúcio, Joel… Joelma. A saga de umas das primeiras transexuais da Bahia e do Brasil se confunde com outras tantas histórias de pessoas que vivem um conflito interno entre o sexo biológico que nasceram e o gênero ao qual sentem pertencer. Pessoas que batalham todo dia por reconhecimento, bom senso e inclusão.

Mas, mais do que um documento para a cinematografia GLBT, Joelma é um ponto final num hiato cultural que a cidade de Ipiaú vem experimentando há algum tempo. O lugar, que já foi palco de grande efervescência cultural, berço de personagens como Veras, Tito da Cruz, Fauzi Maron e Euclides Neto- só para citar alguns ícones-, há muito vem experimentando um amargo silêncio cultural, que furta da sua população a oportunidade de ter contato com manifestações artísticas locais e globais, tão importantes para a construção da identidade de um povo.

O filme do cineasta ipiauense Edson Bastos é uma semente jogada em terra fértil. É um recado claro para as autoridades e população da cidade: sim, é possível fazer cultura em Ipiaú. Sim, nossa terra é rica de personagens e cabeças pensantes. Só é preciso ter boa vontade e interesse de ambas as partes.

Palo Alto

Mais do que ouvir o astrônomo instruído como fez Whitman, é preciso entender os sinais que a vida dá, porque sim, eles existem. Não é numa manhã de terça-feira que tudo desaba. Não é numa noite em claro que tudo se desespera. Não. Coisas antecedem coisas, ondas sucedem ondas, na prática relação causa-efeito.

Sabemos o que é música porque antes nos foi permitido apreciar o silêncio. Gostamos da luz, porque antes tememos a escuridão. Uso essa comparação um tanto clichê, pois assim me faço entender de maneira mais clara e pop. Uso antagonismos porque muitas vezes questionei: por que eu? Ou, por que não eu?

Antes de desejar ter outra vida permiti-me conhecer a minha. Agora, toda vez que eu olhar o cara do paletó, no seu carrão com ar-condicionado e pensar: ali vai um cara super satisfeito com a vida dele. Ou olhar um mendigo de rua e pensar: como pode alguém escolher viver assim? Vou lembrar-me da minha vida e dizer: Ufa! Que bom que esse sou eu.

Vou lembrar que tive infância. Que fui bem criado e educado. E que não tive tudo que quis, mas sempre tive o que precisei. Saber que nisso não há nada de conformismo me faz melhor. Há sim entendimento e compreensão. Há a maturidade do arrependimento e o gozo da vitória também. Nisso, há vida em sentido puro, há alma em mutação, há, mais do que nunca, um coração em metamorfose.

Tiro as borboletas do estômago e as levo para os meus jardins. Deixo o brilho para o sol e a brisa pra uma tarde de domingo. Deixo o charme para os manequins, a maquiagem para as pin-ups e a boemia para os botequins. As coisas são o que são, e nada vai mudar isso.

Fico, e finjo que o queria mesmo era ir embora. Abro os olhos dos meus olhos e os ouvidos dos meus ouvidos, como sugere Rubem, o Alves. Tudo agora é som, e toda palavra me diz, toda vida me ensina. Acho pedras divertidas, como Caieiro e tiro as pedras do caminho, como Drummond. Acredito no latim do Carpe Diem e no amor puro de Djavan.

Olho e repouso sob a sombra de uma árvore frondosa e cheia de frutos. Seus galhos e ramificações se encontram, sua seiva alimenta e fortalece o tronco forte da amizade. Nas suas pontas, bem lá no alto, no mais perto da beleza em que posso chegar, vejo:

Cynara, seus sonhos, palavras e raios de sol. Junior, Simone e seus filhotes, são aquilo que eu quero me tornar. Eveline, a irmã de alma que Deus me deu. Gustavo, desde pequenininho, fala ai Dinho! Marcelo, Peu, Gui, Diego, Marcel. Salve o Diego daqui, o Nêgo e a nega Mariana. Salva ai Caio e Pecinho! Marcinha e seus rebentos, que família linda. Xexinha, como é bom ouvir tua voz, sentir tua força e compartilhar de tanta empolgação. Marco e as palavras sábias. Meus colegas da lida diária aqui na Formato e sua compaixão.

Vejo também aqueles para os quais eu nunca vou deixar de gritar: aí sim família! Estamos juntos. Contemplo todos que me amam e cabem nessa crônica. Todos que eu quero bem e não me abandonam. Dadai, que sorte a nossa! Tarik, sem palavras. Muito obrigado sempre.

Vejo de perto e, principalmente, os que são parte de mim. Que me fazem todo dia lembrar quem eu sou, de onde vim e pra onde eu posso sempre voltar. No verso sabiamente cantado por Mano Brown, “Família em primeiro lugar, é o que há”.

Sento e repouso após um dia longo. Eventualmente a brisa chacoalha as folhas, o sol escapa por entre os galhos e esquenta um pedacinho da minha perna esticada. De vez em quando vem um Bem-te-vi, outrora um Papa-capim que canta B.B King. Meus pés escarafuncham a terra, acordando as larvas e as essências silvestres. Lavoura Arcaica é o que me ocorre, como um lapso de vida passada.

Numa moldura solta, pela qual passam nossas histórias, vejo Anike dando-me um banho e me acalmando com panos quentes. Meu pai sentado à mesa tarda o fim do café, enquanto minha mãe canta um louvor na cozinha que reverbera pelo corredor e chega perto do céu. Minha vó Gracil, como a Úrsula de Garcia Marquez, é testemunha. Sua sofrência e o seu clamor à Santa Rita põe velas acesas.

Á minha frente um grande vale escorre por entre as pedras mais altas. O caminho é uma linha riscada em meio ao bailado do capim e da capoeira. Saco do meu alforje minha única arma, que é escudo e também espada. Que é minha bagagem, meu refúgio nas noites de chuva, a lamparina quando a lua não vem; o meu pão, meu corpo e meu vinho. O amor: essa é a minha foice de abrir caminho.

Levanto e me lembro de que um dia ter escrito algo assim: sustento-me, carrego um peso sem medida, seguindo o exemplo da Formiga. É preciso seguir, na Via crucis ou na Highway ampla e veloz. No percurso ou no contra fluxo, a Primavera já está e mais um Verão vem aí. Abriu meu sinal. A vida não espera para acontecer. Porque eu? Porque sim!

 

Mário Júnior: Sanção do Governador

MÁRIO JÚNIOR JORNAL INFORME

O Governador Wagner sancionou nesta segunda-feira o projeto de lei que nós propomos, que prevê o irmanamento entre o estado da Bahia e a Província de Chongqing na China. Os chineses de Chongqing quando estiveram na última vez no Brasil, sinalizaram investimentos da ordem de 4 bilhões de reais na Bahia. Tive conhecimento de que esta província vê a irmandade como fundamental para estabelecer uma confiança e parceria com o nosso estado da Bahia. Tenho certeza que a viagem a Chongqing-China que o governador Wagner está fazendo, nesta semana, junto c/ o secretário de agricultura Eduardo Salles, trará mais do que bons fluídos.

“Estive reunido com a bancada da maioria da Assembléia Legislativa p/ ingressar com um pedido de liminar contra o aumento médio de 9,33% do preço dos pedágios da Via Bahia nas BRs 324 e 116. Queremos a suspensão do reajuste. Ele é um absurdo, ilegítimo e ilegal!”

Solicitação 23/11
Ontem pela tarde estive com a presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Telma Brito, solicitando a reconsideração das desativações das comarcas dos municípios de Botuporã, Glória, Ibitiara, Potiraguá, Planalto e São Domingos, Canudos, Macururé e Rodelas. A presidente do TJ garantiu reavaliar o nosso pedido, tendo em vista a necessidade dos municípios. Telma Brito pediu ainda aos prefeitos que dessem entrada na data de ontem com um pedido de reconsideração para ser analisado, hoje, pelo Pleno.
Projeto Aprovado 23/11
Acabo de participar do 3º Seminário Nacional de Prevenção de Desastres Naturais em Áreas Urbanas promovido pelo Ministério das Cidades, no Hotel Othon em Salvador. Para amenizar os prejuízos com a chuva o ministro Mário Negromonte junto c/ o prefeito João Henrique e o Chefe da Casa Civil de Salvador João Leão anunciou a liberação de R$ 20 milhões para a realização de obras emergenciais de contençã…o de encostas em 21 localidades, mais R$ 2,8 milhões para a realização de projetos de prevenção em 121 locais. Na oportunidade, o ministro ainda informou que será iniciada a construção de mais de 20 mil unidades do Programa Minha Casa Minha Vida em Salvador. Parabéns Ministro Mario Negromonte pela ação. Os soteropolitanos, sobretudo, aqueles que mais sofrem com o período de chuva no município, agradecem.
Sessão Especial
Nesta quarta-feira na ALBA, foi realizada uma Sessão Especial proposta por mim, na qual foi debatida a estruturação da cadeia da carne no estado. Realizei a sessão especial com a participação da SEAGRI, e pretendo envolver outras secretarias do estado como a Secretaria de Saúde, no intuito de prevenir doenças relacionadas à carne; a Secretaria de Educação, conscientizando os estudantes sobre a car…ne clandestina e a carne legalizada, a Secretaria de Segurança Pública, para garantir a segurança durante as ações de campo da ADAB e envolver também a UPB para que os prefeitos contribuam com a participação do Estado nessa empreitada. Iniciarei também uma campanha para desmistificar a questão da utilização dos matadouros pelos açougueiros e marchands, esclarecendo a importância de se deixar de fazer o abate da forma que vem sendo feita, por fazer parte de uma cultura já antiga nas zonas rurais e passar a realizar o abate que mantenha a qualidade da carne, para levar a carne mais saudável até a mesa do consumidor, além de também combater a ociosidade dos matadouros, sabendo-se que existe uma demanda reprimida muito grande.

Taffarel Miranda: Campeão intermunicipal 2011

TAFAREL MIRANDA - JORNAL INFORME

A festa foi completa em São Francisco do Conde na tarde deste domingo (11). Diante de um grande público no Estádio Junqueira Ayres, a Seleção local goleou Santaluz por 4 a 0 e faturou o Campeonato Intermunicipal 2011.

Mostrando superioridade em campo, a equipe do São Francisco soube jogar com a força da torcida para conquistar seu primeiro título na história da competição. No jogo de ida, em Santaluz, no dia 4, os campeões já haviam vencido por 2 a 0.

Ao final da partida, a Federação Bahiana de Futebol (FBF) deu seguimento à festa com a grande premiação. Homenageado do campeonato com seu nome no troféu, o compositor baiano Nelson Rufino fez a entrega da taça aos vencedores.

Marcaram presença na decisão o presidente da FBF, Ednaldo Rodrigues, o vice-presidente Manfredo Lessa, diretora técnica da entidade, Taíse Galvão, o presidente da CEAF/BA, Wilson Paim entre outras personalidades. A prefeita de São Francisco do Conde, Rilza Valentin, acompanhou de perto a partida e fez a festa com a população do município.

São Francisco do Conde 4 x 0 Santaluz
Campeonato Intermunicipal de Futebol Amador – Final

São Francisco do Conde: Márcio, Diego, Gum, João Carigé e Alex; Junior Ventura, Elton, Gajão e Pithaco (Netinho); Pim e Julinho (Roni). Técnico – Osmar Machado.

Santaluz: Rôse, Totó, Diego, Dei e Olodum; Dilson (Buiú), Edmundo, Fáibio e Robinho (Nininho) (Elielson); Marcelo e Eri. Técnico – João Carlos.

Local: Estádio Junqueira Ayres, em São Francisco do Conde (BA)
Data: 11/12/2011
Horário: 16h
Arbitragem: Arilson Bispo de Anunciação. Assistentes: Edinaldo Vasconcelos Ribeiro e Erick Borges de Barros Araújo. Árbitros Reservas: Moisés Ferreira Simão, Germinio Vieira Santos e Ricardo Tavares Pereira.
Gols: Alex, Pithaco, Julinho e Roni (SFC)
Cartões amarelos: João Carigé, Gajão, Elton, Júnior Ventura (SFC) ; Dilton, Dei, Diego (SL)
Cartão vermelho: Buiú (SL)

fonte: www.painelesportivo.com

Celso Rommel: Porque não um novo grupo ecológico em Ipiaú?

CELSO ROMMEL

Porque não um novo grupo ecológico em Ipiaú?

Prosseguem as querelas entre os integrantes do grupo ecológico humanista Papamel. Na semana passada, nos dias finais do ano os integrantes do grupo não conseguiram chegar a um acordo sobre quem está no comando da entidade e sobre qual parte do grupo tem o direito legal de utilizar o nome.

Boa idéia poderia ser se criar na cidade um novo grupo, uma vez que o Papamel permanece neste recesso jurídico que já dura anos. Enquanto isso, ações de combate, por exemplo, à exploração ilegal de madeira da Mata Atlântica continuam fazendo falta. Os depredadores da natureza agem livremente pois sabem que os integrantes do grupo estão ocupados demais com seus próprios problemas para cumprir com o papel para qual foi criada a entidade.

Em conversa com um dos papaméis, Renildo Xavier, esboçamos esta idéia de se fazer surgir por aqui uma outra agremiação de proteção ao Meio Ambiente. O ambientalista respondeu que a verdadeira postura ambiental deveria ‘´partir das pessoas e não tão somente dos grupos”.

Pois bem: Para as pessoas que amam as florestas, rios e animais de nossa bela região, a hora de se engajarem pela defesa de todo o patrimônio natural que Deus nos deu é essa. Que se crie o grupo Tamanduá, Gavião, Acari, Lontra ou outro do tipo. O nome é o que menos importa, vale mais é a intenção de se perpetuar um trabalho que precisa ser feito na região de Ipiaú. A Natureza agradece

Expectativa de uma terceira via política em Ipiaú aumenta

Em Ipiaú política é como BA-VI ou Vasco e Flamengo. De um lado uma torcida empolgada, do outro outra torcida mais empolgada ainda.  Acontece porém que campanha política não é partida de futebol, Câmara de Vereadores não é maracanã e Ipiaú não vive um campeonato mas sim um momento de análise de currículos para saber quem será o próximo gerente dessa grande empresa com quase cinquenta mil sócios.

Acontecimentos recentes tem trazido à tona uma insatisfação de líderes de ambas as torcidas, o que nos leva a crer na hipótese cada vez mais viável de uma terceira via para a disputa do Executivo no ano que vem.  Há quem diga que tem de ser gente do povo, que ande no meio do povo. Outros dizem que não adianta ser popular, tem que ser competente e honesto já que o orçamento de 5 milhões por mês que a prefeitura arrecada tem que ser investido com honradez e atendendo à necessidade do município por obras de infra estrutura.

Aos poucos vai caindo a ficha da consciência popular de que os velhos modelos parecem superados pelo passar do tempo. Antes que fossem definidos os rumos das pré candidaturas chegamos a comentar nos bastidores que importante seria que as associações e clubes de serviço do município elegessem em consulta interna um candidato de consenso que representasse o perfil dos bairros, dos comerciantes, comerciários e entidades. Foi uma idéia, uma sugestão.

Idéias a parte, o avanço em torno de um terceiro nome ( que não tenha ainda participado dos últimos jogos desse baba repetitivo em que se tornou a política de Ipiaú na última década ) tem mesmo frequentado o imaginário popular ipiauense. Não é pra menos, a cada dia que passa aparece mais um para comentar de que está abusado das mesmas querelas que em nada contribuem para o progresso do nosso povo.

Comerciantes de Ipiaú questionam suposto “momento econômico”

É claro que não citaremos aqui nomes, mas temos tido contato com comerciantes da cidade que tem questionado fortemente a respeito do novo momento econômico da cidade de Ipiaú, que tanto tem sido alardeado pela Bahia afora. Há quem diga que hoje Ipiaú é cidade do minério e que por aqui o que mais existe é gente ficando rico.

Um conhecido comerciante local nos confidenciou que o mito fica só de boca. Depois do período de bonanza, quando da instalação do Projeto Santa Rita, as coisas mudaram muito. No caixa, a realidade é bem outra e os fatores para que isso ocorra são vários.

Há, por exemplo, a questão das terras que foram adquiridas no entorno da mineração e que deixaram de servir à atividade agrícola, deixando de gerar emprego e giro de renda.  Há ainda outra questão, a de que os royalties da mineração ficam para Itagibá – como se sabe Ipiaú não é beneficiado com nem um níquel desse montante.

Por outro lado, as culturas tradicionais da região, como o cacau e a fruticultura, perderam força devido à perspectiva de que o novo ciclo econômico dinamizaria mais a atuação no comércio e prestação de serviços.

Todos estes enganos combinados geraram uma situação em que o comerciante vê a mercadoria acumular na prateleira e o funcionário cobrar décimo terceiro e férias no final do ano.  Resultados?  O leitor imagina quais.

Enquanto isso, em cidades que nunca processaram um quilo de minério a vida continua. Em Jaguaquara o setor de hortifrutigranjeiros continua bancando, como faz há gerações, uma classe média forte.  Em Jequié e Itabuna as vendas de natal no comércio local deixam comerciantes de sorriso largo.

Trocando em miúdos – ou o modelo de desenvolvimento gerado a partir do novo ciclo econômico em Ipiaú precisa de ajustes ou algo de novo ainda estaria para acontecer e mudar todo o quadro.  Só que fica uma pergunta no ar:   Quando?

Os bastidores de uma conspiração

Chegando em casa no final da tarde após mais um dia sufocante  de calor no verão novaiorquino, Fred Seaman recebe uma fita K 7 com conteúdos da secretária eletrônica do cantor e compositor  John Lennon, antigo membro do conjunto de rock The Beatles. O material foi enviado até seu apartamento por Yoko Ono, esposa do músico inglês que havia entrado em contato com o assessor por telefone minutos antes.  Na ligação, a artista plástica mal podia controlar as palavras em inglês e japonês que emitia, em razão do seu estado de nervos.

Na gravação da secretária eletrônica, havia uma ameaça explícita à segurança do senhor Lennon, onde uma voz de indivíduo razoavelmente jovem dizia claramente: “ John Lennon, você pagará o preço da blasfêmia com seu sangue. Seus dias estão contados e não adianta se esconder. Nós vamos pega-lo”. Por algum motivo, Yoko Ono levara a questão muito a sério. Adepta da numerologia e ciências esotéricas, ela dizia ter tido acesso a algum tipo de revelação de que a vida de seu marido corria perigo.

Superprotetora, a artista plástica decidiu não deixar que o esposo soubesse da ameaça visando poupa-lo para que o fato não interferisse na produção de um disco de retorno do ex-beatle ao show business, após anos de auto reclusão.  Yoko então encaminhou o material para Fred Seaman a fim de pedir uma opinião deste sobre o que deveria fazer.

 Após ouvir o conteúdo da fita, o telefone toca novamente na sala de Fred. Era Yoko: – Fred, o  que faremos? – Acho que devemos ligar para a polícia primeiro, responde o assessor. – Não quero publicidade. Isso não pode chegar aos ouvidos de John de jeito nenhum.

No dia seguinte, Seaman procura um outro assessor de gente famosa que serviria como passaporte  até  alguém de influência nas engrenagens do sistema : o prefeito de Nova York, Edward Koch.  Não exatamente um fã de rock, Koch recebeu Seaman com reservas por saber da vocação para controvérsias que permeavam o histórico do músico. Achou que poderia se tratar de mais uma campanha publicitária esquisita com motivos políticos ou simplesmente para chamar atenção em torno de um novo disco que Lennon estaria produzindo.   Foi com muita conversa que Seaman fez o prefeito pelo menos ouvi-lo.

No final da explanação, Koch  e Seaman pelo menos tinham chegado a uma questão em comum: séria péssimo para a vocação turística da cidade ter alguém tão famoso assassinado em seu território. A fama de uma Big Apple violenta na época causava danos à imagem da cidade, que já registrava queda no fluxo de turistas nacionais, assustados com o que publicavam diáriamente os tablóides sensacionalistas e ainda com as imagens chocantes dos telejornais.

- Pelo sim, pelo não, vou pedir a uns amigos para investigar, disse o prefeito.

Naquela mesma semana a fita já estaria na mesa de Louis Freeh, coordenador da equipe do FBI em Nova York.  Quem diria que algum dia os federais, durante tanto tempo inimigos ferozes de John Lennon, poderiam ajuda-lo em alguma coisa?

Um clima detestável

Alheio aos fatos que já envolviam dezenas de pessoas nos bastidores, Lennon continuava compondo suas canções, tirando fotos e curtindo férias que pareciam eternas.  Estava de passeio pelas Bermudas, em companhia do seu filho de cinco anos e do filho pré adolescente do seu primeiro casamento.

Enquanto isso Yoko havia escolhido permanecer em Nova York por simplesmente não ter condições psicológicas para ficar sem notícias a respeito do andamento das investigações.  Ao marido ela havia dito que tinha de ficar na cidade para tratar de negócios referentes à produção leiteira que o casal mantinha no interior do estado.

Embora Lennon gostasse de posar como durão,  era sua mulher quem na verdade tinha essa característica marcante na personalidade.  Apesar de passar por momentos de extremo stress, controlados a base de tranqüilizantes, a artista plástica conseguia manter a calma ao telefone com o marido, que não percebia estar no centro de mais um redemoinho, desta vez envolvendo ameaças à sua vida.

O pior de tudo era que os contatos malignos não paravam.  Enquanto o músico curtia o paraíso tropical, o produtor David Geffen,  proprietário da Geffen Records, selo que deveria lançar o  disco da volta do ex beatle, recebia uma papel com teor ameaçador: “ Morte ao herege’ , dizia um bilhete  formado com recortes de jornais.

No apartamento do casal Lennon, a secretária eletrônica registrou mais três recados desde que a primeira gravação com ameaças foi feita.  Em todos, promessas de que o músico seria assassinado em breve. Um deles chegava a citar trechos da Bíblia para justificar o ato que diziam estar por cometer.

Nesse meio tempo, todas as pistas reunidas pelo staff de Lennon eram entregues à equipe de Louis Freeh –  à essa altura já convencido de que por trás das ameaças haviam um ou mais  lunáticos potencialmente perigosos.  Não se podia descartar a possibilidade de um crime de morte deste tipo num país em que personalidades ligadas a questões políticas como Martin Luther King,  Malcolm X,  Robert Kennedy e dois presidentes da república já haviam sido mortos por fanáticos.

Ainda havia um agravante que despertava especial atenção da CIA e do FBI à época: o medo de que um provável assassinato de Lennon fosse interpretado como um complô do governo norte americano, incomodado com um super popular militante pacifista estrangeiro de volta à ativa em seu território.

Caminhando sobre gelo fino

Poucos dias antes do final do verão, a porta se abriu naquele apartamento especial do Dakota e um assessor cubano do casal Lennon trouxe duas malas de couro pesadas.  Enquanto voltava para pegar o resto da bagagem, o músico adentra pela sala, sob o olhar perplexo de sua consorte, que não esperava sua volta para casa antes do prazo deliberado.

- Mãe, estamos aqui !   Exclama um John Lennon bronzeado e magro, no momento em que seus dois filhos também entram.   Yoko precisa de alguns minutos para concatenar as idéias antes de  recepciona-lo com um abraço.

- Sabe aquela canção que eu te mostrei pelo telefone?  Já está quase pronta. Vou tomar um banho e depois toco pra você no piano.   Diz ele.   Os anos de psicodelismo pareciam definitivamente longe. O maior formador de opinião dos anos sessenta agora era quase uma pessoa comum, um dos seus maiores desejos.

Naqueles dias em que John Lennon voltara ao ninho após uma temporada comendo peixe à beira mar, as coisas não estavam fáceis para Yoko, que ainda insistia em coordenar uma espécie de redoma isolante para deixar o marido alheio acerca da investigação que se seguia bem debaixo do seu nariz.

Já havia avisado a todos os colaboradores mais próximos para não tocar no assunto pelo menos até o final da gravação do disco, projeto importante demais para o casal.  Ela fazia de tudo para evitar um novo revés do destino, do tipo dos que, por motivos vários, também torpedearam LPs de Lennon ao longo dos problemáticos anos setenta.

Num dia em que a temperatura na cidade preferida dos Lennon começava a cair,  John Lennon está na companhia de May Pang, sua ex secretária. Com um cigarro fumegante entre os dedos, observa o teto do apartamento em Greenwich Village, onde costumeiramente a encontrava. Ela o fita, com olhar quase cerimonial, admirando ao mesmo tempo o homem e o mito.  Demorou para que tomasse coragem e interrompesse o silêncio.

- John preciso te falar algo sério.- O que é? Não me diga que está grávida.

Foi quando a verdade veio à tona para o músico que, instantaneamente, foi acometido de um acesso de raiva. Lennon se sentiu como criança mimada e carta fora do baralho, coisa que ele simplesmente não poderia aceitar.  Um primo de May trabalhava no FBI e havia vazado o segredo para ela, que preferiu não manter a farsa.  Tomado por aflição, medo e ressentimento, John Lennon veste suas roupas rápidamente e volta ao Dakota para pedir explicações à esposa.

-  Eu deveria ser o primeiro a saber! -  Só fiz assim porque achei que seria melhor para todos, responde Yoko, em lágrimas.

O tranqüilo idílio dos Lennon estava definitivamente rompido por um clima doentio que agora chegara ao cabeça da família. Como não poderia deixar de ser, o fato serviu como fonte inspiradora para produzir música. Naqueles primeiros dias em que o inferno apareceu claramente para o casal, John Lennon regravou um blues que havia feito nos anos setenta: Scared de letra sombria e enigmática, onde dava pistas do seu sentimento.  Com Yoko compôs Walking On Thin Ice, cujo título parecia dizer tudo que eles passavam no momento em que o FBI surpreendentemente surgia como um aliado de última hora.

Dali em diante o casal preferia se manter no Dakota. Só saiam para ir ao estúdio Hit Factory. Ainda que tivessem todo um aparato de segurança disponível, acreditavam ser melhor escolha permanecer na fortaleza, ainda mais quando o assassinato de um homem caucasiano muito parecido com John Lennon chegou a ser interpretado pelo FBI como um crime cometido pelos fanáticos por engano. Mais tarde soube-se que era um mendigo morto em briga de rua.

Diga ao mundo que estamos de volta

Eram muitas noites mal dormidas para John e Yoko.  Desde os tempos em que se injetavam heroína juntos que não viam tantas madrugadas passarem em claro. Reforçaram a segurança particular, coisa que o ex beatle sempre foi terminantemente contra, mas que para a qual foi convencido por agentes do FBI que diáriamente iam ao Dakota.

Um investigador negro, Lewis Emerenthine, foi designado para acompanhar o casal e esclarecer as dúvidas de Lennon, em tempo integral.  O inglês logo simpatizou com ele, especialmente depois que descobriu que Lewis arranhava um violão e cantava clássicos do bluegrass e canções folclóricas do velho Sul com certa propriedade.

Foi Lewis quem um dia chegou ao Dakota com a notícia de que haviam detido dois homens de meia idade no metrô do Brooklin. A investigação conduziu o FBI a uma organização religiosa derivada da Ku Klux Klan que pretendia se estabelecer no imaginário popular através de atos terroristas. A  WSN  ( sigla para White Saint Nation  ) era básicamente formada por veteranos da guerra do Vietnã, mutilados na carne e no espírito.  Descobriu-se também que eles estavam por trás das mortes de duas prostitutas no Harlem e de ameaças contra a vida do senador Ted Kennedy.  Ao todo, dez foram presos sob acusações de homicídios e associação para o crime.  A notícia chegou a ser divulgada nos telejornais, porém milagrosamente sem que o nome dos Lennons vazasse.

Foi um alívio enorme.  Dias depois, o ex parceiro musical de Lennon, Paul McCartney, chegou a vista-lo juntamente com a família.  À  Paul ele revelou o drama pelo qual tinha passado recentemente.  Ouviu do amigo o chamado para que voltasse a se estabelecer na Europa, de preferência a velha Britânia.

- Seria melhor para Sean.   Sugere Paul.

Lennon, entretanto não concorda e responde que continuaria sua vida normalmente, já que o pior tinha passado e agora a vida se abria de novo com todas as suas esperanças e oportunidades.

- Vamos fazer rock na terra do rock.  Soul na terra do soul. Hail !

Numa entrevista a uma emissora de rádio, sem comentar nenhum ponto da novela policial que tinha atravessado nos últimos meses,  John fez propaganda do novo disco em grande estilo:

- Bob, diga ao mundo que estamos de volta !

Não demorou  para que tudo retornasse aos mesmos padrões de antes.  Agora com mais intensidade, já que John e Yoko estavam de novo na mídia, para desgostos de alguns e deleite de outros tantos.  Apareciam na TV, planejavam uma turnê,  faziam jams com figuras como Bruce Springsteen e David Bowie, assistiam ao Star Wars em sessões de cinema cuidadosamente planejadas no Dakota…enfim: viviam uma temporada de sonho familiar e ainda saboreavam a fantasia do pop star americano. Melhor impossível para uma pessoa que já tinha conhecido a fama extrema e o ostracismo voluntário em tão curto espaço de tempo.

Naquele momento para ele a família, os pães caseiros e a criação de gatos eram moldura do novo projeto destinado às paradas de sucesso.  Uma das músicas do novo disco até  já aparecia entre as dez mais, algo que ele já tinha esquecido como era.

Por vezes, quando ia dormir perguntava à Yoko:

- Acha que estamos indo bem?  Ainda podemos parar e voltar a ser como éramos.

Em outras vezes demonstrava a confiança dos tempos de outrora, andando pelas ruas de mãos dadas com ela. Num desses dias respirou fundo como um adolescente o ar frio da cidade adotiva e anunciou para a mulher com aquele jeito irônico que ele havia encenado para um filme dos Beatles:

- Isto é só o começo, baby !

Ninguém notou, ou talvez Yoko tenha notado, que viviam momentos realmente especiais. Eis, porém, que estava acocorado na calçada um blue meaning corcunda, envolto em fedor e com o rosto coberto por bolhas purulentas.  Da penumbra ele balbuciou um tenebroso chamado…

- Senhor Lennon…

 

Egildo Barberino: Assim caminha a humanidade

egildo barberino Jornal Informe

Inicialmente, DEUS privilegiou o homem fazendo-o nascer primeiro.  Isso induziu os machos ao MACHISMO?

Continuando a privilegiá-lo, milagrosamente, da sua costela fez surgir sua eterna companheira mulher. Nessa relação paradisíaco-platônica, tudo levava a crer na pureza e obediência daqueles serezinhos inocentes, até que, a mulher inventando a libido sexual, saiu na frente do inocente homem, seduzindo-o e levando-o ao pecado original.

 Nesse momento, ficou evidente e eterno que, quem manda mesmo no casamento é a mulher. O homem rende-se mesmo aos dengos e apelos do produto advindo da sua costela esquerda. Esse encantamento perdura até os dias atuais, e que o diga Lampião, Rei do Cangaço. Indignado com o pecado original, DEUS sentenciou castigos às mulheres, e, ao que me parece, arrependeu-se e, numa virada-de-mesa, inverteu completamente os valores originais de cada sexo. Tanto é que, Maria de Nazaré, Nossa Senhora, foi agraciada com a suprema graça de ser a mãe do seu filho JESUS. José, o carpinteiro, pai de Jesus, assumiu logicamente uma representação menor na história da Sagrada Família.

 De lá pra cá, as mulheres mandam no mundo e nos homens. São as mães da humanidade, as damas de ferro, as parteiras, rainhas do lar, professoras, presidentes das repúblicas e esteios mais fortes e responsáveis pelos casamentos darem certo. É um poço de virtudes indizíveis, materializam o AMOR, a doçura, a meiguice e o carinho. Não é sem razão que sentenciam: ”AO LADO DE TODO GRANDE HOMEM, EXISTE UMA GRANDE MULHER”!

 Diante de tantas e tantas virtudes, ficou difícil competir com elas. São mais organizadas e disciplinadas que o homem. Amam com mais fervor. Perdoam mais. São exaustivamente solidárias e abnegadas. “AMÉLIA É QUE ERA MULHER DE VERDADE”! No lar, na família, ela comanda, concentra e monopoliza os sentimentos dos filhos. Os pais estão sempre em plano secundário. O Dia das Mães repercutem muito mais que o Dia dos modestos Papais.

 São detentoras da matriz onde brota a humanidade. O seu ventre é a primeira morada de todos nós. Lá, confortavelmente nos alimentamos, desenvolvemo-nos e brotamos para o Mundo. Após nascermos, é nela que, confortavelmente, degustamos o primeiro e mais rico dos alimentos.DEUS! dai-nos uma colherinha de chá! Torna-nos mais pacientes, tolerantes, amigos, fiéis, companheiros, bons amantes e protetores das mulheres. Torna-nos sábios e pós-graduados nas suas terríveis TPMs. Precisamos salvar nossos casamentos. Precisamos que durem pra sempre nosso amor e nossas famílias. Conceda-nos, pelo menos, uma chance para sermos melhores Pais e maridos.

 DEUS! Essas bichinhas são encrenquerinhas, mas nós as amamos! Hahahahahahahaha! Amém!

KUNTA-KUNTÊ

O Brasil e brasileiros, reconhecemos o expressivo valor dos imigrantes italianos. Representaram na colonização brasileira, expressiva participação. Fundaram importantes cidades e têm participações decisivas nas criações de todos os estados que compõe a região sul brasileira.

Muito contribuiram na cultura cafeeira, exatamente quando ela sofria grave carência de mão de obra provocada pelo fim da escravidão dos povos africanos por volta de 1888. Muitos destes, usando das suas inteligências, sacrificaram-se, economizaram, e conseguiram se tornar fazendeiros.

Na agricultura, uma das suas maiores competências, trouxeram modernizações e muitas inovações técnicas como a mecanização. Introduziram o cultivo de uvas, e com elas, a industrialização de vinhos, hoje, mercê das suas qualidades superiores, competem com os vinhos de qualidade internacional.
No calendário festivo brasileiro, os Festivais da Uva guardam lugar de destaque. A Bahia e Pernanbuco hoje já figuram significativamente como estados produtores, cujas uvas, cultivadas às margens do Rio São Francisco, além da maior produtividade também são consideradas como de melhores qualidades que as produzidas originalmente no Sul do País.

Na industria, igualmente não foi diferente. Célebres familias como as Matarazzo e Scarpa são marcas importantissimas no rol dos maiores empresários industriais deste País.

Na mesa nossa de cada dia, nos lambusamos com as lasanhas, pizzas, polentas, espaguetes e macarronadas italianas. Até mesmo o pão, que tem nos árabes, egípcios e chineses, a discussão de quem e qual deles foi o seu inventor por volta de 10.000 anos A.C, tem nos italianos, importante contribuição na sua história e desenvolvimento. Foi em Roma, 500 A.C a criação da primeira escola para padeiros.

Até mesmo na nossa Seleção Brasileira de Futebol, bi-campeã em 1962, tivemos o reforço de Mazzola, italiano naturalizado brasileiro, autor de gols que possibilitaram ao nosso esquadrão importantes conquistas.

Corre nas veias de muitos de nós, brasileiros da gema, o quente e guerreiro sangue italiano. Da região das Calábrias, norte da Itália partiram os BARBERINOS, que, como tantos outros patricios italianos, com tristeza, lágrimas nos olhos, coração partido em mil, foram obrigados a sair da sua Terra Mãe, suas Pátrias sagradas, fugindo das severíssimas crises economicas. Outros das guerras, na crença de que no Novo Mundo das Américas, encontrariam suas novas Pátrias, suas”Terras Prometidas”, “Édens” ou”Paraísos Terrestres”. Não é que o sonho se tornou realidade!

Diferentemente dos italianos que preferiram os climas frios do Sul do Brasil, os BARBERINOS migraram para o nordeste. Os mais pobres, deram uma parada em Rui Barbosa-Ba. Daí alguns desceram pra Jequié, posteriormente para Aiquara-Ba. Foi ai que o meu pai, músico da Filarmônica Alberto Pinto, conheceu a” bambina ” da minha mãe, descendente dos BARBERINOS, casou-se com ela, trouxe-a para Ipiaú-Ba, e foi aqui que construiram o ninho onde me fabricaram.

Sessenta e tres anos após, aqui estou a relembrar um pouquinho da história da imigração dos italianos, que aqui não se encerra pois, fiz filhos, dentro deles fervilham sangue BARBERINO que por certo, em DEUS, continuarão escrevendo mais páginas da história dessa inquieta humanidade que, movidas pelas desculpas de crises e guerras, passeiam pelo mundo cumprindo a recomendação bíblica de:” CRESCEI E MULTIPLICAI “! Lembram-se da Familia Real Portuguesa?

Nessa trilha bíblica, em sentido contrário, seguiram os BARBERINOS mais ilustres para as regiões de Jacobina e proximidades, atraidos pelas riquezas que aquela região produzia e seduzia: O OURO. Lá, jogaram âncora, todos bem sucedidos, tornaram-se prefeitos, juizes e emprestam até hoje ao torrão baiano, importantes contribuições.

BARBERINOS DE LÁ, quanto BARBERINOS DE CÁ, participamos da constituição dessa miscigenação encantadora chamada BAIANOS e BRASILEIROS, torcedores desse lindo País, PÁTRIA COSMOPOLITA de todos os povos irrequietos deste mundão do meu DEUS.

Comunidade Italiana: AQUELE ABRAÇO! Vocês me inspiraram essa VIAGEM DE VOLTA ÀS MINHAS ORÍGENS que em língua africana chama-se: KUNTA KUNTÊ.

AXÉ MEU PAI! Axé também é africano. Não é atoa que me considero um ÍNDIO-PRETO-ITALIANO. Salve-Salve MAMA AFRICA e MADRE ITÁLIA. Aceite a minha benção MAINHA Izabel BARBERINO, lá no Céu, sentadinha nos bancos das Escolas de Evoluções Espirituais. Amém!

Albione Souza:Transfusão de riqueza

ALBIONE

Transfusão de riqueza

Enquanto os gringos exploram nossa riqueza mineral, numa transfusão de riqueza que nos explicitam as “veias abertas da América Latina”; na cidade de Ipiaú, situada a cerca de 5 km da mina, sentimos as conseqüências nos ouvidos, bolsos, pulmões, transito, segurança, saúde etc.

Os lucros bilionários da mineradora não trouxeram melhorias na qualidade de vida da população da cidade mais próxima da mina, IPIAÙ. Ao contrário, o que presenciamos após sua instalação foi o aumento exorbitante no custo de vida da população local. O valor de imóveis e aluguéis subiram sem precedentes em Ipiaú.

A saúde pública que já era caótica, antes da chegada da mineração, agora está na UTI. Mesmo com uma população fixa de 46 mil habitantes, aproximando, o Hospital Geral de Ipiaú, acredite, atende com apenas um médico plantonista, quando tem. Na Fundação Hospitalar de Ipiaú a realidade não é muito diferente.

Somos cotidianamente surpreendidos por detonações na mina de níquel causando abalos em imóveis na cidade, produzindo poeiras químicas no ar que respiramos, aumentando os números de doenças respiratórias, além dos incômodos estrondos.  Também, é público e notório o aumento elevadíssimo da criminalidade em Ipiaú; o nosso transito está estrangulado, nem se quer temos um só guarda de transito nas ruas, tampouco semáforos em pontos críticos, como a praça dos cometas e cinqüentenário.

Então ficam as perguntas:

Qual a contra partida da mineradora e do estado para reparar os transtornos que estamos passando com a chegada do progresso em Ipiaú? Se existem, diante dos lucros bilionários obtidos pela Mirabela, com “nosso minério”, você considera suficientes ?

Que progresso é esse que beneficia apenas uns poucos em detrimento de outros tantos (comunidade local) ?

Passado o momento de euforias, com a instalação da mineradora, passamos a viver a realidade nua e crua com os efeitos deletérios em nossa cidade, gerando impactos sociais e ambientais em nossos espaços de convivências.

Algumas questões pertinentes diante do atual contexto que passamos!

Vejo no blog do Albione

ESTUDANTES DE IPIAÚ FORTALECEM A CAMPANHA DOS 10% DO PIB PARA EDUCAÇÃO PÚBLICA.

Orlando Santos: Olho na política de Ipiaú

Orlano Santos

Em entrevista a um site da região, o presidente do Partido dos Trabalhadores, Orlando Santos, ressaltou o empenho que será feito pelo Partido e pelos deputados que representa Ipiaú, para elegerem o maior número de vereadores no pleito de 2012. “Temos 20 pré-candidaturas com representatividade em vários seguimentos da sociedade Ipiauense. Nosso Partido sempre esteve à frente das grandes lutas em defesa do povo brasileiro. Sei que algum analista político do nosso município não acredita na nossa vitória, mas só quero lembrá-los que em 2010 fizeram as mesmas análises e erraram em todas as esferas estaduais e federais”, afirmou.

Questionado sobre a atuação do parlamentar no legislativo, o presidente foi bastante taxativo. “Prefiro não falar das decepções, pois somos fortes e construiremos um bom futuro em 2012”, disse, demonstrando otimismo.Dentre outras indagações, Orlando Santos foi interrogado a falar sobre o saudoso Adilson Duarte, referência dentro do partido. Orlando rasgou elogios ao ex-vereador. “Adilson foi um grande vereador, com uma conduta plausível, defensor ferrenho dos direitos do povo, idealizador dos movimentos populares, inclusive, da Associação Cultural Comunitária Rádio Livre, além de não aceitar vínculo inconveniente com prefeitos”. No desfecho da entrevista, Orlando Santos fez questão de pedir à população que faça uma minuciosa reflexão sobre o momento político de Ipiaú. “O povo precisa refletir a política de Ipiaú, tanto o legislativo como o executivo, pois este é o momento de abrirmos os olhos para pessoas de índole atônita e competência discutível”, finalizou.

HISTÓRIA DE IPIAÚ

IPIAÚ

ASPECTOS FÍSICOS SITUAÇÃO GEOGRÁFICA

IPIAÚ: ORIGEM E EMANCIPAÇÃO POLÍTICA

O Município De Ipiaú à Microrregião Homogênea 154 – Cacaueira  segundo divisão adotada pelo IEGE, compreendendo uma área de 276 km2, equivalente a 0,05% da área total do Estado, situando-se dentro das coordenadas geográficas:  14º07’55″ de latitude sul e 39° 44′ 55″ de lati­tude oeste.

De acordo com a Divisão Territorial Administrativa de 1964/68, o mu­nicípio limita-se ao norte com ibirataia e Jequié. ao Sul com Itagibá, ao leste com Ibirataia e Barra do Rocha e ao oeste com Aiquara e Jitaúna.

Com o município de Aiquara: começa na foz do Ribeirão da Preguiça no Rio de Contas, subindo pelo talvegue deste, até a foz do Ribeirão da Pedra Branca.

Com o município de Jitaúna: começa no Rio de Contas na foz do Ri­beirão da Pedra Branca ou Córrego de Pedras, pelo qual sobe até a foz do Ribeirão da Sapucaia.

Com o município de Jequlá: começa na foz do Ribeirão da Sapucaia no Córrego de Pedras, subindo por este até a sua nascente, ande alcança o marco fronteiro na Serra Geral.

Com o município de Ibiratala: começa na Serra Geral, no marco fron­teiro à nascente do Córrego de Pedras, seguindo pelo divisor de águas da Serra do Tororá, até o marco da reta que liga à nascente do Ribeirão do Re­tiro ao marco do encontro dos divisores de águas da serra do Fuá e da Boa União, segue por esta reta até o último marco referido, dai, pelo divisor das águas da serra do Fuá até o seu extremo sul, dai em reta para o extremo sul da serra da Boa União até o marco na margem do Riacho da Formiga.

Com o município de Barra do Rocha: começa no marco na reta que li­ga o extremo sul da Serra da Boa União ao extremo sul da Serra do Fuá, si­tuada na margem do Riacho da Formiga, descendo por este até sua foz no Rio de Contas.

Com o municipio de Itagibá: começa na foz do Riacho da Formiga no Rio de Contas e sobe pelo talvegue deste até a foz do Ribeirão da Pregui­ça.

A sede do município de lpiaú dista 353,1 km (via BA-lOl) e 409 km via BR-1 16) de Salvador, 112 km de Itabuna e 138 km de Ilhéus.

CLIMA

O município de lpiaú é classificado climaticamente segundo Koeppen como sendo do tipo Am. É um clima de transição entre Af ? chuvas abun­dantes acima de 1 1.300mm anuais As e Aw, o primeiro com estação de chu­vas concentradas no outono/inverno, e o segundo, com período de chuvas concentrado na primavera/verão. Koeppen ainda considera que a faixa de transição climática em estudo, Am, apresenta estação seca pouco pronun­ciada, compensada pelos totais anuais elevadas.

                                         

O Sertão da Ressaca, área compreendida entre a margem esquerda do rio Pardo e a direita do rio de Contas[1], começou a ser desbravado, em fins do século XVIII, através das atividades de João Gonçalves da Costa e seus descendentes. É a partir daí que serão produzidos os primeiros registros sobre o devassamento das terras onde atualmente está localizado o município de Ipiaú.

Era o Sertão da Ressaca um

[...] dos focos mais ativos de expansão de conquista de novas terras, graças à importância econômica da pecuária [...]. É a partir desse novo pólo econômico que vamos compreender o processo de devassamento da área que circunda Ilhéus e que, diferentemente do ocorrido com a grande maioria das vilas litorâneas, se iniciou a partir das terras interioranas ou dos sertões.[2]

São os caminhos do gado que definirão os primeiros contornos da região, durante os séculos XVIII e XIX, provocando um lento, mas crescente, povoamento, permitindo a integração com o litoral. Ressalta-se, entretanto, que esse processo de conquista das terras interioranas ocorre paralelamente ao extermínio físico e cultural dos índios, pois o desmantelamento dessas comunidades foi a condição sine qua non para a ocupação do território.  Era do interesse do governo português eliminar os empecilhos da conquista e isso significou, muitas vezes, eliminar índios e mata. No Sertão da Ressaca, de acordo com Souza[3], é João Gonçalves da Costa o principal responsável pelo aniquilamento das várias nações indígenas deixando ?transparecer ímpetos prazerosos da sua ação contra o aborígine ao dizer- ?me pulava o coração com o desejo de os conquistar.??[4]. Nessa área, além dos Aimorés, havia os Camacãs, Mongoiós[5] e os Pataxós, todos alvos de constantes ataques de João Gonçalves da Costa. Genericamente, estes referidos grupos indígenas ficaram conhecidos como Tapuias, por se tratarem de povos indígenas que não pertenciam ao tronco lingüístico Tupi-guarani.

Além das atividades promovidas pelos Gonçalves da Costa a partir do arraial da Conquista (hoje Vitória da Conquista), a fixação de José de Sá Bittencourt no latifúndio Borda da Mata, em 1808[6], também viabilizou o desbravamento e ocupação das terras do atual município de Ipiaú. Esse latifúndio se desmembrou em diversas fazendas, uma delas foi Fazenda Jequié que se desenvolveu e aumentou a sua importância.  Graças a sua posição geográfica, que a fez se constituir, já em fins do século XIX em um ponto de apoio aos viajantes, servindo também como porta de entrada para aqueles que objetivavam ocupar as áreas mais interioranas, como as localizadas onde atualmente está Ipiaú. É nesse período que será observado um aumento do trânsito de boiadeiros e tropeiros nas estradas que passavam pelo território do antigo latifúndio Borda da Mata. É esse fluxo, aliado às potencialidades de produção do local, que permitirá entender o povoamento regional. Muitos se fixaram em Jequié, no médio rio de Contas, outros seguiram o curso desse rio, instalando-se nas terras do baixo rio de Contas, na zona da mata e por toda a redondeza, em busca de melhores condições de vida e bons negócios. É principalmente através dessa via que poderá se entender o povoamento das terras do atual município de Ipiaú. E, esse processo de ocupação é consolidado com a implantação da lavoura cacaueira.

É notório nesse cenário, a ampliação das vias de comunicação e a ocupação de novas áreas, paralelo ao aumento da demanda por mercadorias e também da necessidade de viabilizar novas formas para escoar produção. Era necessário organizar meios que permitissem promover a comunicação entre os locais, integrando-os econômica e geograficamente. Nesse contexto as atividades relacionadas ao tropeirismo se tornaram urgentes e concomitantes ao desenvolvimento regional, sendo observado um aumento do fluxo de tropeiros paralelo a ampliação dos caminhos e vias secundárias. O tropeiro abastecia as vilas, povoados e lugarejos com mercadorias mais variadas, desde as utilizadas no abastecimento (carne, farinha, arroz, feijão, oléo) como também para o uso geral (ferramentas), bem como produtos importados (tecidos). ?A intensidade das trocas proporcionavam uma integração comercial entre regiões anteriormente privadas desse intercâmbio, possibilitando a diminuição das distâncias, características de áreas com povoamento disperso?.[7] Assim, os caminhos dos tropeiros viabilizaram completar o processo de ocupação das atuais terras de Ipiaú, principalmente a partir da implantação da lavoura cacaueira, no fim do século XIX.

Já no início do século XX, em função da expansão da lavoura cacaueira, no território atual de Ipiaú passa a existir vários núcleo populacionais, sobretudo próximo às margens do rio de contas fazendo surgir arruados que foram conhecidos por vários nomes. Um deles foi Rapatição, denominação com várias hipóteses para o seu significado. Segundo enciclopédia dos municípios, a origem do nome foi devido a uma briga entre duas mulheres, na qual uma utilizou contra outra um pedaço de madeira em brasa (tição).[8] Outra explicação é que o nome advém duma corruptela do termo repartição, posto de arrecadação tributária, instalado no local em 1926. Justifica-se ainda que o nome seja uma alusão a arma repetição utilizada na região para caça e defesa pessoal.

Outros nomes utilizados para se referir aos núcleos populacionais, que formaram a cidade de Ipiaú, foram Encruzilhada do Sul, em referência a fazenda Encruzilhada do Sul de propriedade do comerciante Italiano o Sr. José Miraglia. Havia também neste local um arruado conhecido por Fuá.

Esta designação [FUÁ] refletia a desordem local causada pelo jogo, mulherio e bebida alcoólica. Também apelidada de Empata Viagem e Quebra Viola, retardava os viajantes que passam nestas paragens e era ponto de constantes brigas. Presume-se tratar uma contradição de nomes diferentes, para a atual Ipiaú, numa mesma época. Porém, não devemos incorrer no equívoco em imaginar tal localidade com base numa estrutura de cidade ou vila.

Todos esses nomes eram utilizados paralelamente, dependendo do lugar que se tomava por referência. Esclarecemos que, nesta época, não estava constituída a cidade. O que havia eram vários pontos de aglomerações demográficas. Apenas, em 1916 o local, distrito de Camamu, foi oficialmente denominado Alfredo Martins. Em 1930, quando foi elevado à categoria de sub-prefeitura, passando a ser chamado Rio Novo. Somente em 1943, existindo outro município, com o mesmo nome, a denominação Rio Novo foi substituída por Ipiaú, que na língua tupi significa Rio Novo.

O desenvolvimento econômico do local levou os seus moradores a reivindicar a emancipação política da distante cidade de Camamu. Nesse processo de luta emancipacionista ocorreu a elevação à categoria de sub-prefeitura (ainda anexada a Camamu) e, posteriormente a sua desanexação de Camamu e vinculação, ainda na categoria de sub-prefeitura, a Jequié, almejando viabilizar o desenvolvimento do local pela proximidade com a sede. Finalmente, durante a gestão do interventor Juracy Magalhães, através da lei estadual 8.725, de 2 de dezembro 1933, Rio Novo é desmembrado de Jequié passando a categoria de município. A campanha de emancipação política de Rio Novo, tão pretendida pelos moradores locais, contou com o apoio do Secretário de Saúde do Estado da Bahia, Alfredo Brito, que possuía propriedades rurais nesta região.

PRIMEIRAS ELEIÇÕES APÓS A EMANCIPAÇÃO DE RIO NOVO (IPIAÚ).

 

Após a emancipação política de Rio Novo, em 1933, Antonio Augusto Sá, homem de ligações políticas com Juracy Magalhães, foi nomeado para o cargo de prefeito do recém constituído município. Essa escolha teve o propósito de estabelecer um reduto político do PSD (Partido Social Democrático) cuja maior referência política na Bahia era o então interventor, Juracy Magalhães. Aproximadamente em 1935, em substituição a Antônio Augusto de Sá, foi nomeado o Sr. José do Eirado, indicado por Alfredo Brito, Secretário de Saúde do Estado da Bahia. Este natural de Jaguaquara sofreu grande rejeição por parte dos políticos locais que almejavam ocupar o cargo.

Antônio Augusto Sá fundou, em 1934, o Partido Social Democrático no município de Rio Novo e graças à influência de Juracy Magalhães, em pouco tempo o PSD passa ter grande respaldo entre os munícipes. No cenário político local, o Partido Integralista também contava com grande número de simpatizantes. Em 1934, foi fundada em Rio Novo pelo engenheiro Antônio de Almeida Souza Filho, a Ação integralista Brasileira (AIB). Por último, existia também o Partido Rio Novo Altivo, esta agremiação política, de cunho bairrista[9], mantinha uma postura de oposição ao Parido Social Democrático, seus principais líderes eram Leonel Andrade e Aristóteles Andrade. Estes três partidos disputavam o espaço político no município, conseqüentemente organizavam suas estratégias para obterem vitória nas esperadas eleições, previstas para 15 de janeiro de 1936, onde seria eleito, pela primeira vez após a emancipação política do município, prefeito e vereadores.

Inicialmente, o partido favorito era o Rio Novo Altivo, isto porque possuía em sua legenda, Aristóteles Andrade e Leonel Dias Andrade, detentores de notório respaldo político no município. Entretanto, surge um fato que modificou o cenário político local:

Aristóteles Andrade rompe suas relações políticas e sociais com Leonel, passando a fazer parte do integralismo, que tão forte se tornara que cuidou de apresentar um candidato próprio para disputar o cargo de prefeito, com a adesão de Aristóteles Andrade às suas hostes, arrastaram consigo um grupo de correligionário seus, a facção ficara grandemente reforçada. E nenhum outro estaria em condições melhores do que a personalidade marcante de Aristóteles Andrade parecia ele, pois, um candidato de antemão vitorioso[nestas circunstâncias]. Leonel renega a oposição e adere ao governismo. [10]

Sendo assim, Aristóteles e Leonel, de antigos aliados, passam a condição de antípodas políticos. O primeiro, defendendo a legenda do integralismo e o segundo o Partido Social Democrático, apoiado pelo governador Juracy Magalhães.

Com a perda de seu candidato natural, o Partido Rio Novo Altivo deixa de ser o favorito e entra em decadência perdendo espaço político no município. A disputa, que passa ser polarizada entre o Partido Social Democrático e o Partido Integralista, toma um caráter de extrema rivalidade causando alguns conflitos entre seus membros partidários.

O ambiente tornara-se de tal modo tenso, que chegou a se esperar acontecimentos trágicos, como o possível assassinato de um dos candidatos, o que resultaria numa luta geral entre a população dividida entre dois partidos. [11]

Apurado os votos, as eleições tiveram os seguintes resultados: o candidato eleito foi Leonel Dias Andrade (PSD) com 542 votos; Aristóteles Andrade (Partido Integralista) teve 382 votos e Moisés Santos (Partido Rio Novo Altivo) obteve 10 votos. Nota-se, que, o fato de Juracy Magalhães ter apoiado seu correligionário do PSD não impediu que o candidato do Partido Integralista obtivesse expressiva votação. Entretanto, as disputas partidárias não se encerram com o fim das eleições.

Autores da pesquisa e texto:

Albione Souza Silva ? Graduado em História ?UESC / Pós-graduando em Educação, Cultura e Memória-UESB.

Sandra Regina Mendes ? Graduada em História ?UESC / Mestranda em Cultura e Turismo ?UESC.

Bibliografia

ANDRADE, Clemilton. Uma vida em várias épocas: Memórias de um exator. [S.I.:s.n.]

ARAÚJO, Emerson Pinto. História de Jequié. Salvador: Imprensa Oficial da Bahia, 1971.

CALMON, P. A Conquista: História das bandeiras bahianas. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1929.

ENCICLOPEDIA DOS MUNICÍPIOS, 1958, Vol. XX. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1958, p. 73.hb

GUERREIRO DE FREITAS; PARAÍSO. Caminhos ao encontro do mundo. Ilhéus/Ba:Editus, 2001,p.40.

NOVAIS, Idelma Aparecida Ferreira. Tropas e tropeiros no Sertão da Bahia. Ilhéus/BA: Anpuh Ba.UESC, v. 1, p. 16-26, 2002.

SILVA, Albione Souza. O caráter socialista da gestão de Euclides Neto no município de Ipiaú ? 1963-1967. 2003. 73 f. Monografia (Graduação em História) ?Universidade Estadual de Santa Cruz. Ilhéus, 2003.

SILVA CAMPOS, J. Crônicas da Capitania de São Jorge dos Ilhéus. MEC, 1981.

SOUSA, Maria Aparecida Silva de. A conquista do sertão da Ressaca: povoamento e posse no interior da Bahia. Vitória da Conquista/BA: UESB, 2001.

GUERREIRO DE FREITAS; PARAÍSO. Caminhos ao encontro do mundo. Ilhéus/Ba:Editus, 2001,p.40.

Ibid.,  p. 40, grifo nosso

SOUSA, Maria Aparecida Silva de. A conquista do sertão da Ressaca: povoamento e posse no interior da Bahia. Vitória da Conquista/BA: UESB, 2001, p. 50-51, grifo nosso

Ibid.,  76.

GUERREIRO DE FREITAS; PARAÍSO, op. cit., p. 13 apresenta a denominação Kamakã- Mongoió. Citando Paraíso, 1984, p. 114, Sousa informa que a autora considera os mongoiós um subgrupo dos Camacãs.

ARAÚJO, Emerson Pinto. História de Jequié. Salvador: Imprensa Oficial da Bahia, 1971.

Ibid., p.56

Anpuh Ba.UESC, v. 1, p. 16-26, 2002.

Enciclopédia dos municípios brasileiros. Vol. XX. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico, p.277, 1958.

Defensor dos interesses do bairro ou da sua terra.  (Fonte- Dicionário Aurélio século XXI.)

ANDRADE, Clemilton. Uma vida em várias épocas ? Memórias de um exator. Sem local de impressão, editora e data. P.55-56

NOVAIS, Idelma Aparecida Ferreira. Tropas e tropeiros no Sertão da Bahia. Ilhéus/BA

Site Oficial da Câmara Municipal de Ipiaú