Aquele domingo de 1966 amanheceu chuvoso. Na noite anterior, os namorados sequer tiveram condições de ir ao cinema. A noitada do Salão Grená de “Tia Ló”, sem plumas e paetês, não teve a freqüência dos viciados “sorrateiros”. Com a falta de opções em função das fortes chuvas, até o Circo Nerino fora impedido de apresentar espetáculo. Restava o futebol do domingo à tarde para salvar o fim de semana. Sei não, o céu nublado, dia cinzento, alguma coisa espantosa parecia estar prestes a acontecer.
Na classificação do Campeonato, até então o Independente de Jaime Cobrinha era líder invicto e cruzaria com o modesto Cometas de Biribinha. Desnecessário afirmar, a diferença de qualidade entre os dois era tão grande, que os apostadores davam largas vantagens e mesmo assim não encontravam quem arriscasse uma fezinha. Claro, tudo no campo das teorias. As previsões indicavam como favorito o Independente, claro, que na rodada anterior havia aplicado uma goleada num adversário de igual porte comparado ao Cometas.
Ainda que tenha ocorrido um verdadeiro dilúvio, o cenário estava pronto, o palco oferecia condições, afinal o Estádio Pedro Caetano jamais havia imposto o adiamento de qualquer rodada de um Campeonato, por qualquer que fosse o temporal. É claro que não tinha o sistema de drenagem de hoje, mas mesmo quando chovia em excesso não havia acúmulo de água que ocasionasse a suspensão de qualquer espetáculo.
Feras do líder à parte, de todos os jogadores do Cometas, Carmerindo, Laudelino, Juba, Bilene, Guará, Menon, o jovem estudante Egildo, o personagem de hoje, era o que tinha uma expectativa bem maior em relação ao jogo. Precisava jogar. Na defesa, no ataque, no meio de campo, não importava, queria estar entre os titulares. Vencer o poderoso time dos “barões” era uma questão de honra. Haviam dito muita besteira antes da partida, nos bares, na porta do Cine Éden, no jardim, e até em “Tia Ló”, coisas assim, como “não tem nem graça”, “vai ser moleza”, e as chacotas chegavam aos ouvidos de Egildo principalmente, como forma de machucar, de humilhar.
A diferença entre os adversários daquele dia se configurou ainda mais claramente, no instante em que os dois times chegaram ao Estádio. O Independente, conduzido desde a sua confortável sede própria na Avenida Lauro de Freitas, em transporte apropriado, enquanto o Cometas fazia o mesmo percurso, quando não andando, habitualmente sobre a carroceria do caminhão do generoso torcedor Serrotão, uma das pessoas mais populares e queridas de Ipiaú, que era um dos torcedores mais ilustres do time “amarelo”.
Egildo mostrava-se disposto a vender caro qualquer resultado a favor do Independente, mas não poderia jamais imaginar que acabaria sendo ele o principal personagem daquela tarde histórica.
Uma eventual derrota custaria ao poderoso Independente, primeiro a invencibilidade, depois a perda da liderança justamente para o seu arquirival, o Ipiaú, que assistiria a tudo de camarote, e finalmente, teria que admitir que no futebol por menos expressivo que qualquer adversário pareça, o respeito deve ser levado em conta, pois definitivamente “só se pode conhecer o resultado de um jogo depois que ele se encerra”!
O até então imbatível Independente até que jogou bem, mas a garra e a superação do Cometas, aliadas à liderança de Egildo, foram suficientes para jogar por terra todo um inoportuno favoritismo prematuramente festejado, e quando o placar final mostrou a vitória do Cometas por quatro a três, com dois gols dele, um de Valmir (VBO), e um de Fia, os jogadores do Independente, atônitos, não acreditavam, custavam a crer que Egildo acabava de derrubar todas as diferenças, e jogando um futebol de encantar, sendo, portanto, o fator de desequilíbrio da partida, e como lateral direito, posição em que não se tinha liberdade para atacar.
No dia em que tudo deu certo para o Cometas, que jogou um futebol de gente grande, Egildo deu as cartas, Menon deu um “nó” no endiabrado Valdir, Juba anulou Bueiro, e Huguinho desceu a madeira e foi expulso, Biribinha, humilde ao extremo, encurtou os caminhos do seu Cometas no percurso até a glória, pelo menos naquela tarde inesquecível.
Se bem conheço Egildo, esta talvez tenha sido uma das mais vibrantes vitórias em toda a sua passagem pelo futebol amador, e obtida com extrema galhardia, graças à sua liderança incontestável.
A comemoração, então, suponho ter sido dividida entre muito “twist” e boleros à meia luz, na penumbra dos salões do Mandarin, nos Dez Quartos, que era reduto dos boêmios dos Cometas.
Uma festa “porreta”, à altura do merecimento dos heróis!Greve na Bahia definitivamente acabou.Em assembleia realizada no fim da tarde deste sábado (11), policiais militares decidiram encerrar a greve no estado, que já completava 12 dias. A desarticulação total do movimento acontece a cinco dias do carnaval de Salvador. O grupo que participou do encontro havia insistido na manutenção da greve mesmo após desocupação da Assembleia Legislativa e da convocação oficial do governo do estado para o retorno imediato ao trabalho.
Na saída da assembleia, manifestantes cantavam em coro “Ô, a PM voltou” e a maioria não quis conversar com a imprensa. Um deles disse que a “greve acabou pelo bem da sociedade”. Segundo PMs, cerca de 300 pessoas participaram da reunião, entre policiais e familiares.
O admirável Zenildo
Na década de sessenta, quem visse aquele moço alto, forte, ainda jovem, envergando a camisa três dos aspirantes do inesquecível Independente de Juju e Cobrinha, do Vasco de Louro, ou ainda do fabuloso Ipiaú de Dizon, e ainda não o conhecesse pessoalmente, de certo que tiraria conclusões precipitadas.
Zenildo, o nosso personagem desta semana, em razão do seu corpanzil, dava a ideia de zagueiro desleal, viril, e batedor, do tipo Abel, Brito, Fontana, Beline, que eram temidos e excessivamente respeitados pelos atacantes brasileiros, sobretudo porque chegavam antes, impunham autoridade na defesa, não alisavam seja quem fosse o adversário, de time grande ou pequeno, não importava. Se não levavam vantagem no jogo leal e tivessem que apelar para evitar uma chance de gol contra seu time, fatalmente apelavam.
Mas mesmo que a princípio passasse essa falsa impressão para as pessoas, na realidade Zenildo era de uma docilidade, e de uma decência sem limites. Dos beques conhecidos como “carniceiros” ele não tinha nada. Jogava limpo, na bola, jamais utilizou a força que lhe era comum para ganhar uma jogada de qualquer que fosse o avante contrário.
Em plena evolução do futebol de Ipiaú, para qualquer time disputar um campeonato municipal, era obrigado a inscrever junto com o titular, também um time de aspirantes, que era formado por jogadores que não eram utilizados pelo treinador da equipe titular, mas que sonhavam um dia figurar entre os titulares. Por isso ótimos times da base foram formados por Independente, Ipiaú, Vasco, Cometas, Estudantes, Fluminense, e os jogos preliminares eram aperitivos que atraiam os torcedores a chegarem mais cedo ao Estádio e ao invés de um, assistiam a dois grandes jogos, um após o outro.
Foi quando conheci Zenildo. Ele participava dos aspirantes do Independente. Jogamos juntos muitas vezes. Aliás, fomos campeões. Era um timaço! Me lembro do time, João Nega, Chico, Zenildo, Nelsinho e Wilson, Ely e Enéas Macedo, Ari, Cica, Daniel e Orlindo. Ainda tinham alguns reservas, mas naquele tempo não se podia fazer substituições. Todos novinhos em folha, chegando aos dezoito, apenas começando, uns jogavam muito e alcançaram o time de cima, outros nem tanto, mas que a molecada toda tinha talento, isso tinha!
Desde o meu primeiro contato como amigo de Zenildo, tive sobre ele a melhor das impressões. Extremamente gentil, e gente de extrema qualidade, não conseguiu limitar o carinho que sempre dispensou aos amigos.
O futebol não foi profissão para Zenildo. Durante o tempo em que ele jogou no Independente, no Ipiaú, ou na própria Seleção, jamais tive conhecimento de que ele tenha exigido qualquer coisa em troca.
Zenildo, até aqui, deu um monte de exemplos na vida, de cidadania e de lições para nossos filhos e netos, excelente educador, amigo fiel e decente que sempre foi, hoje goza naturalmente de uma recompensa das mais valiosas, que é a certeza de que toda Ipiaú o admira e idolatra com a maior justiça, pelo amigo e pai de família exemplar que é.
De todas as formas possíveis e imagináveis Zenildo serviu à sua terra amada. Por muitos anos foi funcionário do mais alto gabarito do Banco do Brasil, foi e ainda é mestre no ensino da matemática, ajudou a formar para a vida grande parte do que era a juventude da sua época, e além de muitas outras ações sociais, atualmente exerce o elevado grau de Venerável da Loja Maçônica Fraternidade Rionovense, que ostenta com soberania e equilíbrio, enchendo a todos nós de muito orgulho.
Estou certo que esta é uma homenagem que todos os ipiauenses, indistintamente, gostariam de fazer a este moço nobre, de caráter ímpar, e por isso a minha responsabilidade em fazê-la cresceu gradativamente.
Zenildo, esse notável ser humano, com certeza, escreveu com letras vivas o seu honrado nome numa página inteira do livro que conta a história do futebol de Ipiaú. Você merece sim, meu amigo Zenildo!
Que Deus o abençoe, meu irmão!
Kipá um Cracaço!
Durante algum tempo desde a fundação do grande Temão, permaneci à frente da Comissão Técnica e adicionei uma nova função à que já exercia. Eu era ao mesmo tempo treinador e uma espécie de olheiro. Era compensador. Ipiaú e toda a região cacaueira produziam muitos craques. Em todos os lugares em que a gente procurasse, aqui ou em outra cidade regional qualquer, encontrava jogadores de ótimo nível. O aval do proprietário do Clube era uma constante. Daí, para contratar, não havia nenhum problema. O alto poder aquisitivo do “time azul” era uma realidade.
Na verdade o Temão já tinha um esboço daquilo que se pensava para a formação de um time extraordinário. Já havia contratado um monte de jogadores dos muitos que o amadorismo baiano revelara.
Mas partindo do princípio de que tanto no futebol quanto em qualquer outra atividade humana, qualidade sempre foi a tônica sobretudo quando se visa a solidez, quem a tem deve ser sempre levado em conta.
Foi assim em relação a Kipá, o nosso personagem desta semana. Chegamos a ele por meio de informações. Nunca o tínhamos visto jogar, mas o que nos falavam sobre ele, inclusive pelos próprios jogadores do Temão, foi o bastante para gerar enorme interesse em tê-lo no time. Deve ter aparecido, não estou certo, a exemplo de muitos outros, nos campinhos de periferia, ou no velho e revelador areão do Rio de Contas, para não fugir à regra.
Kipá, ainda muito jovem, e apenas começando, era da mesma safra do ótimo Nacional, em que também surgiram Japonês, Dadá, Carlos Sande, César, e alguns outros “cobras” que passaram pelas mãos mágicas e competentes do saudoso Chico. No primeiro contacto que tivemos com ele, e lhe informamos que já havíamos contratado boa parte de seus contemporâneos da base do Nacional, o então garoto demonstrou interesse em se juntar aos amigos no Temão.
A partir daí tudo ficou mais claro, a contratação dele foi uma questão de horas.
Sua chegada gerou enorme euforia no grupo, e todos afirmavam que ele aprovaria em qualquer teste a que fosse submetido.
Para o primeiro treino coletivo, quando indagado a respeito de em que posição se ele se sentiria bem, Kipá foi taxativo: “comecei no Nacional de Chico jogando como ponta direita, mas confesso que me sentiria mais à vontade jogando no setor de meio de campo, volante principalmente”.
É claro que o colocamos primeiro como atacante pelo lado direito, e ele não foi muito bem. Acontece que quando pedimos que ele exercesse as funções de segundo volante, aquele que tinha e tem liberdade de chegar um pouco mais à frente, aí ele arrebentou! Jogou tanto e agradou de tal maneira, que não saiu mais do time.
Tornou-se desde então titular absoluto do timaço do Temão, e embora com alguns reservas à altura, jamais perdeu a posição, salvo por contusão ou quando eventualmente se machucava, o que era muito raro acontecer. Jogava o fino da bola! Era craque acima da média! Foi vice campeão de 1977, e jogou todas as partidas pelo Campeonato Municipal vestindo a camisa cinco do time azulino.
Da mesma forma, foi campeão pela Seleção de Ipiaú, do Intermunicipal daquele ano, alternando a titularidade com Bidinho, Boca de Pia e Litinho.
Kipá somou as suas qualidades a outras de uma série de jogadores extraordinários que foram comandados pelo excepcional Chinesinho, naquela campanha espetacular de 1977, que acabou culminando com a conquista do título.
No ano seguinte, o Ipiaú formou um time maravilhoso, levou Kipá, e ele foi peça fundamental, jogando na mesma posição em que se notabilizara no Temão, com enormes categoria e eficiência.
Tivemos enquanto ele aqui esteve, uma amizade salutar. Tratava-se de um ser humano admirável em todos os sentidos. Faz bastante tempo que não o vejo, mas ainda o considero como sendo um dos melhores amigos que tive no futebol.
Kipá, apelido que lhe deram na infância, ou Paulo César, seu nome de batismo, estranhamente, aliás, como outros tantos craques revelados em Ipiaú, parou de jogar muito cedo! Ainda era um cracaço, estou certo disso!
A imagem que Kipá deixou na memória dos torcedores de Ipiaú, e em todos nós de um modo geral, é reflexo do que ele representou enquanto vestiu com bravura as camisas tanto dos fantásticos Temão e Ipiaú, como da própria Seleção ipiauense.
Eu não poderia deixar de externar essa homenagem, por mais simples que ela possa ser, na minha imaginação, a um dos maiores jogadores produzidos pelo amadorismo baiano em todos os tempos!
Sapatinho de cinderela
Cautela nunca fez mal a ninguém. Dizem que o cemitério está lotado de valentões.
José Rodrigues Filho, escritor pernambucano radicado em Amélia Rodrigues, narra em seu livro CARIRI/AGRESTE caso hilário de um pseudo matador de onças que foi salvo pelo medo: ao fugir destabanado de uma gata pintada, o farsante trepa numa baraúna, e ao perceber que a presunha vem em seus calcanhares, também subindo na árvore, o desinfeliz se borra de medo, com isso a merda que lhe escorre pelas pernas cai direto nos olhos da felina, cegando momentaneamente o animal, mantendo-o distante até a chegada do socorro.
Jaldão, pra variar, se engraçou por uma dona. No início ela não deu trela, se dizia comprometida, que não era seguro, que tinha medo e tal. Jaldão não desistiu e em pouco tempo já estava nu, deitado no sofá da casa da mulher, relaxando do trabalho já realizado e se preparando pra próxima batalha. As roupas espalhadas pela casa, sapato na cozinha, blusa no quarto, calça na sala…
A mulher toda solícita, querendo agradar o grande, traz uma cerveja pra ele no sofá:
- toma amor, ta gelada… mas tu é corajoso…
Jaldão, recebendo a latinha, estranha, e pergunta:
- por que minha filha?
- oxi… meu marido…
- e o que é que tem? Tu acha que ele se zanga? Falou Jaldão abrindo a latinha.
- oxi, oxi…é o trabalho dele…
- ele é o que? É dentista? Radialista? É o que mesmo? Perguntou, tomando um gole da cerveja.
- tu não sabe não, é?
- sei não, sei nem quem é…eita que a cerveja ta é boa!! Eu só gosto assim…ele faz o que? Diga, diga. E deu outro gole na cerveja.
- ele é polícia…
- tu ta brincando! Disse Jaldão, pulando do sofá, cuspindo a cerveja que o fizera engasgar.
- ele é polícia e já matou um bocado de gente!
- Ave Maria! Deus é mais! Tu é doida…
Jaldão saiu azoado, catando as roupas, vestiu só as calças, pegou a blusa e a cueca botou debaixo do braço, e caiu no mundo no seu FIAT 147.
Na pressa e apavorado, saiu descalço, deixou na casa da dona o seu sapato n° 47.
Ainda hoje, quando ele vê um guarda, ele esconde os pés.
O “Grande Bidinho”
Numa época áurea do futebol de Ipiaú, precisamente no meio da década de sessenta, entre os anos de 1962 e 1967, o Independente formou um time fantástico, e para tanto, recrutou jogadores de quase todos os cantos do Estado. E vieram Bueiro, Mundinho, Gino, Zé Plínio, Maíca, Betinho, Marcos, Dilermando, Tanajura, adicionados a outros, contratados a peso de ouro, na verdade, ouro branco, reflexo do cacau, pelos abastados dirigentes do “vermelho”, com o propósito de tentar desbancar o arqui-rival o “branco” Ipiaú, único adversário local que lhe encarava de frente. As “feras” chegavam aos grupos e eram cuidadosamente acomodadas em instalação própria, aprazível, ampla e confortável, na Lauro de Freitas, e ficavam mantidas em regime de absoluta concentração, para qualquer que fosse o jogo, e recebiam cuidados especiais quando o compromisso era contra o principal “inimigo”.
Um dia, por indicação do próprio Gino, o Independente foi buscar Bidinho em Valença, para figurar como reserva eventual do grande Maíca. Não foi muito difícil, não foi preciso se pagar o que se havia pago aos outros, ele era menos famoso, ainda não tinha história, vestiria, talvez, pela primeira vez, uma camisa tão importante.
O treino do Independente era uma espécie de passarela, onde desfilavam incríveis talentos, e naquela tarde Bidinho, já no ninho de “cobras”, treinaria, por conta disso reinava enorme expectativa, todos queriam vê-lo. E ele, humilde, diminuto, insignificante, apareceu trajado de preto e vermelho, escalado por “seu” Edval, exatamente no lugar da estrela Maíca, naquele coletivo e no jogo do domingo próximo, e em outros subseqüentes, nos meses e anos seguintes, no Independente, na Seleção de Ipiaú durante cerca de quinze anos, numa posição de onde ele depois de então jamais saiu, impondo ao magnífico treinador a preocupação de arrumar o antigo titular em outra posição, senão a que ele havia conquistado.
Os anos se passaram, Ipiaú adotou Bidinho, ele se casou aqui, ficou viúvo, tem netos, tem um montão de amigos, e tem uma decência do tamanho da linda história que ele construiu junto da gente.
Ah, velho Bidinho, quando eu vejo hoje a maioria dos volantes dos principais times de futebol desse país fazendo tanta “besteira” em campo, me dá uma saudade de você!