Fundada no município de Ipiaú em 2003, o quinteto “Soda Pop” não esconde a fórmula do grupo e fala ao Jornal Informe, como a “empurroterapia” pode dar certo através do Pop Rock na no sul do Bahia. Atualmente, a banda faz shows pelo menos todos os fins de semana em diferentes cidades e leva ao público, além das canções autorais, um repertório repleto de grandes sucessos nacionais e internacionais.
Se só dá pop na Soda Pop. Você é pop. Você é Soda!
Confira a entrevista concedida ao Jornalista Marcel Hohlenwerger
COMO SE DEU A ESCOLHA DO NOME DA BANDA “SODA POP”?
Sikiling – Foi no aniversário de um amigo nosso que já fez a passagem, Francisco Chagas, o popular Fran. Na hora em que estávamos bebendo um refrigerante Celso lembrou que o nome refrigerante em inglês – Soda Pop - soava bem para nome de banda.Também tinha uma música new age que a gente gosta, chamada Celestial Soda Pop. Eainda tem também tem aquele lance de duplo sentido, Só Dá Pop, entende? Tem tudo a ver com a gente.
QUANTOS ANOS TEM DE CARREIRA E QUAL O BALANÇO QUE FAZEM APÓS ESSES ANOS DE EXISTÊNCIA?
Sikling – Estamos juntos desde 2003. Nove anos já. Uma estrada e tanto. Começou quando nos batizamos meu disco solo com o nome de Sikiling e Soda Pop. Era pra tirar uma onda de Bob Marley and The Wailers, sabe? Alguma coisa assim. Aí pegou e a galera hoje já sabe qual é a nossa.
Celso – Acho que somos os músicos mais cara de pau da região porque conseguimos tocar na base da “empurroterapia”. No começo eu achava impossível fazer esse tipo de som na minha terra natal mas depois percebi que se a música faz efeito no corpo e na mente as pessoas gostam e ponto final.

- Celso Rommel – Guitar e Voz
QUAL É A REALIDADE DA SODA POP NO SUL DA BAHIA?
Sussa – No nosso caso, mesmo sendo uma banda de pop rock, ou um gênero do rock mais pesado, é difícil devido ao gosto musical dos baianos. Sabemos qual o estilo musical que predomina aqui. Temos que estar a todo momento tocando musicas de décadas e gostos diferentes. Por exemplo, tocamos no carnaval da cidade de Caldas de Cipó que fica no Norte da Bahia, sabíamos que o publico lá era do axé, então tocamos muito rock nacional. Quando vamos tocar no evento dos motociclistas tocamos mais pesado. Se não fosse esta versatilidade, talvez não teríamos chegado ate aqui.

- Sussa – Baixo / Ozy – Teclados
COMO TEM SIDO OS SHOWS DO GRUPO FORA DE IPIAÚ, CIDADE NATAL DO GRUPO?
Sussa – É engraçado falar sobre isso, às vezes vamos tocar em uma cidade maior achando que lá o publico é grande, mas muitas das vezes é puro engano, é menor que aqui. Os shows de Ipiaú, mesmo sendo em barzinho, são muito bons. Estamos em casa e temos o nosso publico.
Há duas cidades que nos chamam muito a atenção: Dario Meira e Ubatã. Aqui na região depois de Ipiaú estas duas são as minhas preferidas, o publico corresponde muito bem, e cantam com a banda, é legal isso.
Celso – Quando subi no palco em Caldas de Cipó, pensei: Meus Deus, será que aqui vai dar certo a nossa imensa cara de pau? Mas deu, não sei como mas o pessoal do norte ouviu e curtiu nosso som. Já em Prado foi o contrário. Tocamos ao lado de bandas muito boas do Rio e São Paulo, e neste caso houve um encaixe perfeito com o nosso repertório. Assim tem sido nossos passeios pela Bahia – a cada show uma realidade totalmente diferente.

- Netão – Bateria
QUAL A MAIOR DIFICULDADE DE MANTER UMA BANDA DE POP ROCK NO INTERIOR?
Sussa – A banda tem sorte de ter três pessoas que são conhecidas que são Celso sikiling e Luiz Moreira, este ultima é o nosso empresário, um dos caras mais bacana e honesto que já conhecemos, as pessoas sempre os procuram para eventos diversos, este é o ponto alto da banda, um fator que é complicado é a mudança de repertório, temos que estar três vezes por semana em estúdio para adequar o repertório de acordo com a festa, e isso é muito complicado, também já não podemos contar com o apoio radiofônico, a cada anos estas musicas estão sendo extinto das rádios, a divulgação fica no boca-a-bocas e nos shows com a venda de CDs.
Celso – Toda banda só sobrevive quando se apresenta para o público constantemente. Sem tocar, os sonhos vão ficando muito distantes e um dia viram utopia. Portanto acredito que ter um bom calendário de shows é a maior dificuldade.

- Sikilingue – Vocal
A SODA POP JÁ SE VÊ COMO A PRINCIPAL REFERÊNCIA MUSICAL DO GÊNERO NO SUL DA BAHIA?
Sussa – Não, sempre falamos que por enquanto somos uma banda de pop rock baile KKKKKKK, ou seja, não dá para ficar tocando em todos os lugares o mesmo repertório com musicas só da banda, por isso que ainda não somos referencia, mesmo tocando bem com uma agenda legal como tem acontecido nestes dois últimos anos, o trabalho que a Soda Pop faz não é totalmente autoral, acho que nos somos uma opção musical, mas referencia ainda não.
Celso – Eu sempre pensei que poderíamos alcançar isso, um tipo de referência pra galera daqui da região. Não somos ainda mas quem sabe um dia? Por enquanto somos uma banda mutante que se apresenta tanto em festas de casamento, aniversários e formaturas com repertório da Jovem Guarda, ao tempo em que também nos apresentamos em eventos de motociclismo, tocando Led Zeppelin e Guns & Roses. O legal é que estamos conseguindo provar que é possível fazer um tipo de som, tocar profissionalmente na Bahia todo fim de semana, fazendo um estilo que não é própriamente o que a mídia local vende por aí.
QUANTOS DISCOS A SODA POP LANÇOU?
Celso – A gente lançou três discos até agora. Todos a base de covers das bandas que a gente interpreta nos shows, embora cada um desses discos também conte com músicas da banda. Até agora o de melhor repercurssão tem sido este último, Mixto Quente. Através dele temos nos tornado mais conhecidos fora de Ipiaú.
O SUCESSO NACIONAL E INTERNACIONAL É DESEJADO PELO GRUPO?
Sussa – Acho que toda banda quer ter um lugarzinho ao sol, quer ser no mínimo reconhecida, e nos estamos trabalhando duro para isso, sabemos das dificuldades que o nosso estado nos proporciona com relação a este tipo de musica, não tem sido nada fácil mas nada melhor que um dia após o outro.
Celso – Tudo é possível e vontade a gente tem…kkk
O QUE É PRECISO PARA QUEM ESTÁ COMEÇANDO NA MÚSICA?
Sussa – Persistência, ter um foco, correr atrás do objetivo e respeitar o espaço de todos independente de qual estilo que seja. E o mais importante: seja profissional o máximo possível, não dando motivo para ninguém achar o contrario.
Celso – É preciso encontrar um caminho próprio né? É esse o desafio sempre. O caminho da Soda Pop evidentemente não vai ser o caminho de uma outra banda porque as prioridades são sempre diferentes. Acho que se tivermos alguma lição para dar a quem queira seguir nessa pegada nossa é: Leve sempre música de qualidade para o povo, de uma forma que o povo possa compreender e gostar. Em algum momento você será reconhecido.
QUAL A MÚSICA MAIS PEDIDA NOS SHOWS DA SODA POP?
Celso – Bem, eu já pensei várias vezes em tirar o clássico do Dire Straits, Sultans of Swing, do repertório. Já fizemos até compromisso de não tocar em alguns shows, mas sempre tem alguém que pede e a gente não costuma rejeitar pedidos dos fãs quando a gente pode atender.
O GRUPO TEM NOVIDADES PARA 2012?QUAIS?
Celso – 2012 tem sido até agora o ano mais produtivo da Soda Pop. É por isso que desejamos coroa-lo com o lançamento de um disco autoral, um velho projeto da banda. Vai ser um espaço para que cada um de nós mostre suas influências. Sussa é mais moderno, eu sou mais clássico, Sike é mais swing, Ozy é mais da harmonia e Netão é uma mistura de todos nós. Vamos ver que bicho vai sair desse balaio.
Na tradicional Festa dos Amigos deste ano também estamos planejando apresentar o repertório da banda no formato acústico. O lance é que gostamos de surpreender nosso público, estamos sempre dispostos a fazer coisas novas para que quem for ao show possa sair de lá com a impressão de ter visto algo inédito. Quando conseguimos isso terminamos a apresentação felizes por ter conseguido cumprir a missão.
Redação do Informe